Agenda 2030: o que é, quais são os ODS e por que eles importam
Texto atualizado em julho de 2026
Pobreza, fome, desigualdade, mudanças climáticas, falta de saneamento, violência, trabalho precário e dificuldade de acesso à educação não são problemas isolados.
Quando uma família não tem acesso à água tratada, por exemplo, podem surgir problemas de saúde, dificuldades escolares, aumento de gastos e perda de renda. Da mesma forma, uma política de crescimento econômico que destrói recursos naturais pode gerar resultados imediatos, mas comprometer comunidades, empresas e gerações futuras.
Foi para enfrentar problemas interligados como esses que surgiu a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Ela funciona como um compromisso internacional para orientar governos, empresas, universidades, organizações sociais e demais instituições na construção de sociedades mais justas, inclusivas, ambientalmente responsáveis e economicamente sustentáveis.
O que é a Agenda 2030?
A Agenda 2030 é um plano de ação global aprovado em setembro de 2015 pelos Estados-membros da Organização das Nações Unidas.
Seu documento oficial se chama “Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”.
A Agenda reúne:
17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável — ODS;
169 metas globais;
indicadores utilizados para acompanhar os resultados;
compromissos relacionados à cooperação internacional;
mecanismos de monitoramento e prestação de informações.
A proposta é promover o desenvolvimento sustentável de forma integrada, equilibrando suas dimensões social, econômica e ambiental. Os objetivos são considerados universais, integrados e indivisíveis, ou seja, aplicam-se a todos os países e não devem ser tratados de maneira completamente separada. (SDGs)
A Agenda também assumiu um princípio central:
Não deixar ninguém para trás.
Isso significa que políticas, programas e investimentos devem considerar especialmente as pessoas e os grupos que enfrentam as maiores vulnerabilidades e desigualdades.
De onde surgiu a Agenda 2030?
Antes da Agenda 2030, a ONU trabalhava com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio — ODM, estabelecidos em 2000 e previstos para vigorar até 2015.
Os ODM concentravam-se principalmente em temas como:
pobreza extrema;
fome;
mortalidade infantil;
saúde materna;
educação básica;
igualdade entre mulheres e homens;
combate a determinadas doenças;
sustentabilidade ambiental.
Embora tenham contribuído para avanços em várias áreas, eles não abordavam com a mesma profundidade questões como:
desigualdades dentro dos países;
padrões de produção e consumo;
urbanização;
mudanças climáticas;
trabalho decente;
instituições públicas;
inovação;
paz e acesso à justiça.
Os ODS foram criados para dar continuidade ao que não havia sido alcançado e ampliar a visão sobre o desenvolvimento sustentável.
Diferentemente dos ODM, que estavam muito direcionados aos países em desenvolvimento, os ODS se aplicam a todos os países, inclusive aos mais ricos. (SDGs)
Os cinco pilares da Agenda 2030
A Agenda pode ser compreendida por meio de cinco grandes eixos, conhecidos como os cinco Ps.
Pessoas
Busca garantir dignidade, igualdade, saúde, educação, alimentação e condições adequadas de vida.
Planeta
Envolve a proteção dos recursos naturais, da biodiversidade, do clima e dos ecossistemas.
Prosperidade
Procura assegurar que o desenvolvimento econômico, social e tecnológico ocorra de maneira inclusiva e em harmonia com a natureza.
Paz
Reconhece que não existe desenvolvimento sustentável em sociedades marcadas pela violência, injustiça, discriminação e fragilidade institucional.
Parcerias
Defende a cooperação entre governos, empresas, universidades, organizações sociais, comunidades e organismos internacionais.
Esses cinco pilares mostram que sustentabilidade não é apenas uma questão ambiental. Ela também envolve direitos humanos, trabalho, renda, democracia, políticas públicas e relações sociais. (SDGs)
Quais são os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável?
ODS 1 — Erradicação da pobreza
Busca acabar com a pobreza em todas as suas formas, garantindo proteção social, acesso a serviços, recursos econômicos e maior capacidade de enfrentar crises e desastres.
A antiga referência de US$ 1,90 por pessoa ao dia não deve mais ser utilizada como medida atual. Em junho de 2025, o Banco Mundial atualizou a linha internacional de extrema pobreza para US$ 3,00 por pessoa ao dia, calculados com base na paridade do poder de compra de 2021. (Banco Mundial)
A pobreza, no entanto, não deve ser compreendida somente pela renda. Ela também pode envolver falta de moradia, saneamento, educação, saúde, alimentação, segurança e participação social.
ODS 2 — Fome zero e agricultura sustentável
Busca acabar com a fome, enfrentar a desnutrição, garantir alimentação adequada e promover sistemas sustentáveis de produção de alimentos.
Esse objetivo envolve:
segurança alimentar;
agricultura familiar;
produtividade agrícola;
acesso à terra;
conservação de sementes;
adaptação às mudanças climáticas;
redução das perdas de alimentos.
ODS 3 — Saúde e bem-estar
Pretende assegurar vidas saudáveis e promover o bem-estar em todas as idades.
Abrange temas como:
saúde materna e infantil;
doenças transmissíveis;
doenças crônicas;
saúde mental;
vacinação;
acidentes de trânsito;
saúde sexual e reprodutiva;
acesso universal aos serviços de saúde;
impactos da poluição.
ODS 4 — Educação de qualidade
Busca garantir educação inclusiva, equitativa e de qualidade, além de oportunidades de aprendizagem ao longo da vida.
Inclui:
educação infantil;
ensino fundamental e médio;
educação profissional;
ensino superior;
alfabetização;
formação docente;
acessibilidade;
redução das desigualdades educacionais;
educação para os direitos humanos e para a sustentabilidade.
ODS 5 — Igualdade de gênero
Busca alcançar a igualdade de gênero e garantir direitos e oportunidades para mulheres e meninas.
Envolve o enfrentamento de:
discriminações;
violências;
desigualdade salarial;
baixa participação em espaços de decisão;
sobrecarga do trabalho doméstico e de cuidado;
limitações aos direitos sexuais e reprodutivos.
O objetivo não se restringe ao aumento da presença de mulheres nas organizações. Ele exige transformar estruturas, práticas e relações que reproduzem desigualdades.
ODS 6 — Água potável e saneamento
Procura garantir o acesso universal à água potável, ao saneamento e à higiene.
Também envolve:
tratamento de esgoto;
qualidade da água;
redução da poluição;
eficiência no consumo;
proteção de rios, lagos, aquíferos e áreas úmidas;
participação das comunidades na gestão dos recursos hídricos.
ODS 7 — Energia limpa e acessível
Busca ampliar o acesso a serviços de energia confiáveis, modernos e financeiramente acessíveis.
Suas ações incluem:
expansão das energias renováveis;
eficiência energética;
modernização da infraestrutura;
pesquisa e desenvolvimento;
redução da dependência de fontes altamente poluentes.
ODS 8 — Trabalho decente e crescimento econômico
Defende crescimento econômico inclusivo, emprego produtivo e trabalho decente.
O objetivo envolve:
geração de empregos;
produtividade;
inovação;
formalização;
empreendedorismo;
proteção dos direitos trabalhistas;
igualdade de remuneração;
combate ao trabalho infantil;
combate ao trabalho forçado;
ambientes de trabalho seguros.
Crescimento econômico, nesse contexto, não deve ser medido apenas pelo aumento da produção. É necessário observar quem se beneficia, quais empregos são gerados e quais impactos ambientais e sociais acompanham esse crescimento.
ODS 9 — Indústria, inovação e infraestrutura
Procura construir infraestruturas resilientes, promover industrialização inclusiva e estimular a inovação.
Abrange:
transporte;
energia;
conectividade;
pesquisa científica;
desenvolvimento tecnológico;
acesso das pequenas empresas ao crédito;
modernização de processos produtivos;
acesso à internet.
ODS 10 — Redução das desigualdades
Busca reduzir desigualdades dentro dos países e entre eles.
Inclui desigualdades relacionadas a:
renda;
raça e etnia;
gênero;
deficiência;
idade;
território;
origem social;
migração;
acesso a serviços e oportunidades.
O objetivo propõe políticas fiscais, salariais, migratórias e de proteção social, além do enfrentamento de normas e práticas discriminatórias.
ODS 11 — Cidades e comunidades sustentáveis
Procura tornar cidades e assentamentos humanos mais inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
Seus temas incluem:
habitação;
mobilidade;
transporte público;
planejamento urbano;
prevenção de desastres;
acessibilidade;
qualidade do ar;
gestão de resíduos;
áreas verdes;
patrimônio cultural e natural.
ODS 12 — Consumo e produção responsáveis
Busca modificar a forma como produtos e serviços são produzidos, distribuídos, utilizados e descartados.
Envolve:
uso responsável dos recursos naturais;
redução do desperdício de alimentos;
prevenção da geração de resíduos;
reutilização;
reciclagem;
gestão de produtos químicos;
compras públicas sustentáveis;
relatórios de sustentabilidade;
informação às consumidoras e aos consumidores.
ODS 13 — Ação contra a mudança global do clima
Propõe medidas urgentes de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Isso inclui:
redução das emissões;
planejamento climático;
proteção contra eventos extremos;
sistemas de alerta;
educação climática;
financiamento;
adaptação de cidades, empresas e atividades produtivas.
ODS 14 — Vida na água
Busca conservar e utilizar de maneira sustentável oceanos, mares e recursos marinhos.
Abrange:
poluição marinha;
pesca predatória;
acidificação dos oceanos;
conservação de áreas costeiras;
proteção de ecossistemas;
pesca artesanal;
pesquisa científica;
economia do mar.
ODS 15 — Vida terrestre
Procura proteger ecossistemas terrestres, florestas, solos e biodiversidade.
Inclui:
combate ao desmatamento;
restauração ambiental;
enfrentamento da desertificação;
proteção de espécies;
combate ao tráfico de animais;
controle de espécies invasoras;
preservação dos recursos genéticos;
valorização dos serviços ecossistêmicos.
ODS 16 — Paz, justiça e instituições eficazes
Busca promover sociedades pacíficas e inclusivas, garantir acesso à justiça e construir instituições responsáveis.
Envolve:
prevenção da violência;
proteção de crianças;
acesso à justiça;
combate à corrupção;
transparência;
participação social;
acesso à informação;
identidade legal;
direitos humanos;
combate à discriminação.
ODS 17 — Parcerias e meios de implementação
Concentra-se nos recursos e nas formas de cooperação necessários para alcançar todos os demais objetivos.
Inclui:
financiamento;
comércio;
tecnologia;
produção de dados;
capacitação;
cooperação internacional;
parcerias públicas e privadas;
participação da sociedade civil;
fortalecimento das instituições.
Os 17 objetivos não formam uma lista de ações independentes. Eles foram concebidos como um conjunto integrado. Melhorar a educação, por exemplo, pode contribuir para a redução da pobreza, a igualdade de gênero, o trabalho decente, a saúde e o fortalecimento das instituições. (SDGs)
Objetivo, meta e indicador: qual é a diferença?
Esses três conceitos costumam ser confundidos.
Objetivo
É a direção mais ampla que se pretende seguir.
Exemplo:
Garantir educação inclusiva, equitativa e de qualidade.
Meta
Transforma o objetivo em um resultado mais específico.
Exemplo:
Garantir que meninas e meninos concluam o ensino fundamental e médio com resultados adequados de aprendizagem.
Indicador
É a medida utilizada para verificar se houve avanço.
Exemplos:
percentual de estudantes matriculadas(os);
taxa de conclusão;
nível de aprendizagem;
diferença de acesso entre grupos sociais;
quantidade de escolas acessíveis.
Uma instituição não implementa a Agenda 2030 apenas declarando apoio a determinado ODS. Ela precisa transformar compromissos em metas, ações, responsabilidades, prazos e indicadores.
Algumas metas tinham prazo anterior a 2030
Embora a Agenda seja chamada de Agenda 2030, nem todas as 169 metas foram originalmente estabelecidas para aquele ano.
Algumas possuíam prazos intermediários, como:
2020;
2025;
períodos definidos por acordos internacionais específicos.
Isso ocorre, por exemplo, em metas relacionadas à biodiversidade, à pesca, ao trabalho infantil, à saúde, à juventude e ao acesso às tecnologias.
Como esses prazos já passaram, não é adequado continuar reproduzindo todas as metas no futuro, como se ainda fossem compromissos a serem cumpridos pela primeira vez.
O mais correto é informar:
se a meta foi alcançada;
quais resultados foram obtidos;
quais dificuldades permaneceram;
que ações precisam continuar;
quais indicadores devem ser atualizados.
A existência de um prazo vencido não significa que o tema deixou de ser importante. Significa que o compromisso precisa ser avaliado com base nos resultados alcançados.
Onde estamos em 2026?
A Agenda 2030 produziu resultados relevantes desde 2015, incluindo a ampliação do acesso à eletricidade, água, saúde e conectividade digital. Entretanto, o relatório global dos ODS publicado pela ONU em julho de 2026 considera que os avanços continuam desiguais e insuficientes diante de conflitos, desaceleração econômica, mudanças climáticas, endividamento e redução da assistência internacional. (UNSD)
A avaliação quantitativa realizada em 2025 conseguiu analisar 139 das 169 metas com base nas tendências globais. Desse conjunto:
18% estavam no caminho esperado;
17% apresentavam progresso moderado;
os demais objetivos mostravam avanço insuficiente, estagnação ou retrocesso.
Portanto, somente 35% das metas avaliadas demonstravam progresso considerado adequado ou moderado. (UNSD)
A ONU identificou áreas prioritárias para acelerar os resultados, como:
sistemas alimentares;
acesso à energia;
transformação digital;
educação;
empregos e proteção social;
clima e biodiversidade;
igualdade de gênero;
financiamento e cooperação;
paz e fortalecimento institucional. (UNSD)
Esses dados mostram que a Agenda 2030 não deve ser apresentada apenas como uma lista de intenções. Ela também precisa ser discutida a partir das dificuldades reais de implementação.
A Agenda 2030 no Brasil
O Brasil participou das negociações internacionais que resultaram na criação da Agenda 2030.
Em 2023, foi instituída novamente a Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável — CNODS, por meio do Decreto nº 11.704.
A Comissão possui natureza consultiva e tem como finalidades:
contribuir para a incorporação da Agenda 2030 no país;
estimular sua implementação pelas diferentes esferas de governo;
articular a participação da sociedade;
acompanhar os resultados;
ampliar a transparência sobre as ações realizadas. (Serviços e Informações do Brasil)
O Brasil apresentou um Relatório Nacional Voluntário em 2024, retomando esse instrumento de monitoramento depois do relatório anterior, publicado em 2017.
O portal da Secretaria-Geral também informa a elaboração do Relatório Nacional Voluntário de 2026, com participação de instituições públicas e contribuições da sociedade. Esses relatórios reúnem dados, programas, dificuldades e perspectivas relacionadas à implementação dos ODS no país. (Serviços e Informações do Brasil)
O Brasil possui um ODS 18?
No conjunto oficial e global da ONU, a Agenda 2030 continua sendo formada por 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Entretanto, o Brasil adotou voluntariamente, em seu contexto nacional, o:
ODS 18 — Igualdade étnico-racial
O objetivo foi lançado nacionalmente em novembro de 2024 e busca enfrentar o racismo e as desigualdades que atingem especialmente:
a população negra;
os povos indígenas;
comunidades quilombolas;
outros grupos afetados pela discriminação étnico-racial. (Serviços e Informações do Brasil)
O ODS 18 brasileiro não substitui nenhum dos 17 objetivos globais. Ele procura tornar mais visíveis desigualdades que atravessam vários ODS, como:
pobreza;
fome;
saúde;
educação;
trabalho;
habitação;
acesso à justiça;
representação política;
proteção ambiental.
Sua adoção também reforça a importância de produzir dados desagregados por raça, etnia, gênero, território, deficiência e outros critérios.
Como empresas e organizações podem aplicar os ODS?
Uma organização não precisa atuar diretamente em todos os objetivos. Contudo, deve conhecer os impactos positivos e negativos de suas atividades.
1. Realizar um diagnóstico
A organização deve identificar:
quem é afetado por suas atividades;
quais recursos naturais utiliza;
quais resíduos e emissões produz;
como são as relações de trabalho;
de onde vêm seus produtos e serviços;
quais riscos sociais e ambientais existem;
quais desigualdades podem estar sendo reproduzidas.
2. Identificar os ODS mais relacionados às atividades
Uma instituição de ensino, por exemplo, possui relação direta com o ODS 4, mas também pode estar ligada aos ODS:
5, pela igualdade de gênero;
6, pelo consumo de água;
8, pelas relações de trabalho;
10 e 18, pela inclusão e igualdade étnico-racial;
12, pelas compras e pelos resíduos;
13, pelas emissões;
16, pela transparência e participação;
17, pelas parcerias.
3. Definir metas mensuráveis
Em vez de escrever apenas “apoiamos o ODS 5”, a organização pode definir:
Aumentar a participação de mulheres em cargos de gestão de 30% para 45% até dezembro de 2028.
Ou:
Garantir que 100% dos conteúdos digitais institucionais atendam aos critérios internos de acessibilidade até dezembro de 2027.
4. Criar um plano de ação
O plano deve estabelecer:
ação;
responsável;
prazo;
orçamento;
público envolvido;
indicador;
forma de acompanhamento.
5. Monitorar resultados
Não basta registrar o número de atividades realizadas.
Uma organização pode ter promovido dez palestras sobre diversidade e, ainda assim, manter desigualdades na contratação, remuneração e ocupação de cargos.
É necessário diferenciar:
atividade: o que foi feito;
resultado: o que mudou;
impacto: qual transformação ocorreu na realidade.
6. Publicar informações com transparência
A comunicação deve apresentar avanços, dificuldades e metas não alcançadas.
Associar a marca aos ODS sem comprovar ações concretas pode transformar a Agenda 2030 em simples instrumento de publicidade.
Exemplo de aplicação dos ODS em uma organização
Imagine uma universidade que pretende incorporar a Agenda 2030 ao planejamento institucional.
| Área | Problema identificado | Ação proposta | ODS relacionados | Indicador |
|---|---|---|---|---|
| Permanência estudantil | Evasão por dificuldades econômicas | Ampliação de bolsas e alimentação | 1, 2, 4 e 10 | Taxa de permanência |
| Acessibilidade | Barreiras físicas e digitais | Plano institucional de acessibilidade | 4, 10, 11 e 16 | Percentual de ambientes acessíveis |
| Relações de trabalho | Casos de assédio e discriminação | Política de prevenção, acolhimento e apuração | 5, 8, 10, 16 e 18 | Casos tratados e percepção de segurança |
| Compras | Contratações sem critérios socioambientais | Inclusão de requisitos sustentáveis | 8, 12, 13 e 16 | Percentual de compras com critérios |
| Energia | Alto consumo nos edifícios | Modernização e acompanhamento | 7, 12 e 13 | Consumo por metro quadrado |
| Resíduos | Baixa separação e reciclagem | Coleta seletiva e redução de descartáveis | 11 e 12 | Resíduos reciclados |
| Ensino | Pouca presença dos ODS nos currículos | Integração dos temas às disciplinas | 4 e 17 | Cursos com conteúdos relacionados |
| Igualdade racial | Desigualdades de acesso e permanência | Metas e políticas afirmativas | 4, 10, 16 e 18 | Dados desagregados por raça e etnia |
O exemplo mostra que os ODS não precisam ser transformados em projetos isolados. Eles podem orientar planejamento, orçamento, compras, gestão de pessoas, ensino, pesquisa e avaliação institucional.
Qual é o papel da administradora e do administrador?
Profissionais de Administração podem contribuir diretamente para a Agenda 2030 porque atuam em áreas responsáveis por transformar objetivos em ações.
Entre suas atribuições estão:
planejamento;
gestão de projetos;
elaboração de indicadores;
orçamento;
compras e contratações;
gestão de pessoas;
análise de processos;
logística;
controle de riscos;
prestação de contas;
governança;
avaliação de resultados.
Uma política de sustentabilidade pode fracassar não apenas por falta de recursos, mas também por:
planejamento inadequado;
responsabilidades indefinidas;
ausência de dados;
falta de participação;
metas genéricas;
processos desorganizados;
orçamento incompatível;
comunicação pouco clara.
Por isso, a Agenda 2030 também é um tema de Administração e gestão.
Erros comuns na utilização dos ODS
Utilizar os símbolos sem mudar práticas
Colocar os ícones dos ODS em uma apresentação não significa que a organização esteja contribuindo para eles.
Escolher somente os objetivos mais convenientes
Uma empresa pode destacar a geração de empregos e omitir impactos ambientais, discriminações ou violações existentes em sua cadeia.
Confundir ação com impacto
Realizar uma campanha não significa que o problema foi reduzido.
Ignorar as desigualdades
Resultados médios podem esconder grandes diferenças entre grupos e territórios.
Trabalhar cada ODS isoladamente
Uma ação pode ajudar um objetivo e prejudicar outro. A expansão de determinada atividade econômica pode gerar empregos, mas também aumentar o consumo de água, as emissões ou os conflitos territoriais.
Não ouvir as pessoas afetadas
Políticas elaboradas sem participação podem não responder às necessidades reais.
Divulgar somente resultados positivos
Uma prestação de contas confiável também reconhece problemas, atrasos e metas não alcançadas.
Perguntas frequentes
A Agenda 2030 é uma lei?
A Agenda 2030 é um compromisso internacional aprovado pelos Estados-membros da ONU. Sua implementação depende de políticas, normas, programas e decisões adotadas em cada país.
Os ODS são obrigatórios para empresas?
Os ODS não funcionam, por si mesmos, como uma lei empresarial. No entanto, muitos de seus temas já estão presentes em legislações trabalhistas, ambientais, tributárias, de direitos humanos, acessibilidade, proteção de dados, transparência e responsabilidade corporativa.
Os ODS tratam apenas de meio ambiente?
Não. Eles abrangem pobreza, saúde, educação, trabalho, igualdade, cidades, instituições, economia, tecnologia e meio ambiente.
Todos os objetivos devem ser cumpridos até 2030?
A Agenda possui horizonte geral até 2030, mas algumas metas tinham prazos anteriores, como 2020 e 2025.
A Agenda termina em 2030?
2030 é o prazo político definido para o conjunto atual de objetivos. Isso não significa que pobreza, desigualdades ou mudanças climáticas deixarão de exigir ações depois dessa data. A experiência da Agenda deverá orientar futuras decisões internacionais.
O Brasil tem 18 ODS?
No plano global da ONU, continuam existindo 17 ODS. O ODS 18 é uma iniciativa adotada voluntariamente pelo Brasil para promover a igualdade étnico-racial. (Serviços e Informações do Brasil)
Uma pequena organização pode aplicar os ODS?
Sim. Ela pode começar identificando seus impactos, escolhendo temas prioritários, definindo poucas metas mensuráveis e acompanhando os resultados.
Conclusão
A Agenda 2030 oferece uma visão ampla de desenvolvimento, na qual crescimento econômico, direitos humanos, inclusão social e proteção ambiental precisam caminhar juntos.
Seus 17 objetivos ajudam a organizar problemas complexos, estabelecer metas e acompanhar resultados. No Brasil, a adoção do ODS 18 acrescenta uma dimensão importante ao tornar mais explícito o enfrentamento do racismo e das desigualdades étnico-raciais.
Entretanto, os ODS não devem ser tratados apenas como símbolos, slogans ou temas para campanhas.
Sua implementação exige:
planejamento;
orçamento;
participação social;
dados confiáveis;
metas mensuráveis;
transparência;
acompanhamento;
cooperação;
compromisso com as pessoas mais afetadas pelas desigualdades.
Faltando pouco mais de quatro anos para 2030, os avanços registrados ainda não são suficientes para alcançar integralmente os compromissos assumidos. O principal desafio não é conhecer os nomes dos ODS, mas transformar seus princípios em políticas, processos e resultados concretos.
Fontes oficiais para aprofundamento
Texto oficial da Agenda 2030, com os 17 objetivos e as 169 metas. (SDGs)
Página dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. (SDGs)
Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2026. (UNSD)
Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. (Serviços e Informações do Brasil)
Relatórios Nacionais Voluntários do Brasil. (Serviços e Informações do Brasil)
ODS 18 — Igualdade Étnico-Racial. (Serviços e Informações do Brasil)
Plataforma oficial dos ODS no Brasil, mantida pelas Nações Unidas. (brasil.un.org)

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