terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Como licitar na UERJ sem erro!

Como licitar na Uerj sem erro!



Uma unidade precisa comprar equipamentos, contratar um serviço, executar uma obra ou renovar determinada solução.

Qual é o primeiro passo?

Muita gente pode pensar:

“Abrir um processo no SEI e mandar para a DAF.”

Esse é justamente um dos caminhos para começar errado.

Uma contratação pública não começa no edital.

Também não começa na pesquisa de preços.

Ela começa quando a Administração identifica uma necessidade, verifica se aquela necessidade foi planejada, define qual problema precisa resolver e estrutura os documentos que permitirão à área de licitações conduzir o procedimento.

Na Uerj, em 2026, esse planejamento ganhou ainda mais importância com a adoção do Plano de Contratações Anual — PCA, articulado ao planejamento institucional e orçamentário.

Em 2026, a DAF orientou as unidades para a elaboração do PCA 2027, com levantamento das necessidades, registro no Sistema PCA-RJ e posterior análise pelas(os) responsáveis pela confirmação das demandas.

O PCA é apresentado pela Universidade como instrumento de governança que consolida e prioriza aquisições de bens, serviços, obras e soluções de tecnologia da informação.

Então vamos ao passo a passo.

1. Comece pela necessidade, não pelo produto

Antes de escrever:

“Precisamos comprar 20 computadores.”

pergunte:

Qual problema precisa ser resolvido?

Talvez a necessidade real seja:

“Substituir equipamentos obsoletos que não suportam os sistemas utilizados pela unidade.”

Essa diferença parece pequena, mas é muito importante.

Quando começamos pelo problema, podemos avaliar diferentes soluções.

Quando começamos indicando diretamente aquilo que queremos comprar, existe o risco de construir todo o processo apenas para justificar uma escolha que já havia sido feita.

A unidade demandante deve conseguir explicar:

  • o que precisa;

  • por que precisa;

  • qual problema existe atualmente;

  • o que acontece se a contratação não ocorrer;

  • qual quantidade é necessária;

  • quando a solução precisa estar disponível;

  • qual prioridade aquela demanda possui;

  • qual é a estimativa inicial de custo.

Quanto melhor a demanda estiver estruturada no início, menor tende a ser o retrabalho depois.

2. Verifique se a demanda está no planejamento

Hoje essa pergunta precisa aparecer logo no início:

A contratação foi prevista no PCA?

O Plano de Contratações Anual reúne as necessidades previstas para determinado exercício e ajuda a relacionar contratação, planejamento e orçamento.

Em outras palavras:

não é interessante descobrir em outubro que uma unidade precisa realizar uma contratação complexa até dezembro.

O planejamento anual procura antecipar essas necessidades.

Para o PCA 2027, por exemplo, a Uerj organizou etapas de:

levantamento das necessidades → registro no PCA-RJ → análise e aprovação.

Por que isso importa?

Porque um bom PCA ajuda a:

  • organizar as compras;

  • estabelecer prioridades;

  • relacionar contratação e orçamento;

  • evitar fracionamento inadequado de despesas;

  • diminuir contratações de última hora;

  • organizar o calendário da área de licitações.

Portanto:

não deixe para pensar na contratação somente quando o recurso estiver disponível.

3. Converse com o ponto focal e com as áreas competentes

A Rede UerjPlan integra a estrutura de planejamento da Universidade.

Ela foi criada para aproximar os componentes organizacionais da Diplan e articular planejamento e orçamento.

Por isso, dependendo da demanda, vale identificar:

  • ponto focal da Rede UerjPlan;

  • responsável pelo PCA na unidade;

  • área agregadora da demanda;

  • unidade técnica competente.

Algumas contratações precisam de análise prévia de setores especializados.

Por exemplo:

  • obras e instalações podem demandar análise da Prefeitura;

  • equipamentos e soluções de informática podem demandar análise da DGTI;

  • materiais permanentes podem exigir articulação com a DAF;

  • outros objetos podem depender de unidades técnicas específicas.

Isso evita produzir um processo inteiro para uma solução que depois será considerada tecnicamente inadequada.

4. Formalize a demanda

Depois de identificar e planejar a necessidade, ela precisa ser documentada.

Dependendo do fluxo institucional, pode ser utilizado um Documento de Formalização de Demanda — DFD, DOD ou documento equivalente.

Independentemente da nomenclatura adotada, a formalização precisa permitir que qualquer pessoa que abra o processo compreenda:

o que a unidade precisa e por quê.

Evite justificativas como:

“Solicitamos a aquisição por ser necessária ao setor.”

Isso não explica praticamente nada.

É melhor apresentar:

  • situação existente;

  • atividade institucional relacionada;

  • problema identificado;

  • consequências da ausência da contratação;

  • público ou unidades atendidas;

  • quantidade estimada e sua origem;

  • prazo necessário;

  • responsáveis técnicas(os), quando aplicável.

5. Abra e instrua corretamente o processo no SEI

Agora, sim, entramos no processo administrativo.

O processo deve preservar o histórico da contratação.

Ele precisa permitir que alguém que nunca participou das conversas internas consiga compreender:

como surgiu a necessidade;

quem analisou;

quais alternativas foram consideradas;

como o quantitativo foi calculado;

como o preço foi estimado;

por que aquela solução foi escolhida.

Por isso, não trate o SEI apenas como um lugar para juntar arquivos.

O processo deve contar a história da contratação.

6. O ETP não é um “formulário para preencher”

Chegamos ao Estudo Técnico Preliminar — ETP.

Talvez seja um dos documentos mais importantes para impedir que uma contratação mal concebida avance.

A fase preparatória prevista pela Lei nº 14.133/2021 é caracterizada pelo planejamento.

O ETP ajuda a responder:

Qual solução atende melhor à necessidade da Administração?

Isso pode envolver:

  • descrição do problema;

  • requisitos necessários;

  • levantamento de soluções existentes;

  • avaliação de alternativas;

  • estimativa de quantidades;

  • estimativa preliminar de valores;

  • justificativa da solução escolhida;

  • resultados esperados;

  • providências necessárias;

  • avaliação sobre a viabilidade da contratação.

O erro clássico

Fazer primeiro o TR e depois preencher o ETP apenas para justificar aquilo que já foi decidido.

A lógica deveria ser:

NECESSIDADE

↓

ETP — qual solução faz sentido?

↓

TR — como exatamente essa solução deverá ser contratada?

7. Quantidade precisa ter memória

Evite escrever:

Quantidade: 100 unidades.

E parar aí.

Pergunte:

De onde saíram essas 100 unidades?

Pode ter origem em:

  • consumo histórico;

  • número de usuárias(os);

  • estoque atual;

  • crescimento previsto;

  • substituição de equipamentos;

  • quantidade de postos de trabalho;

  • contratos anteriores;

  • projeção de demanda.

Guarde a memória do cálculo.

Uma quantidade sem justificativa pode produzir:

excesso de compra

ou

falta durante a execução.

8. Faça um Termo de Referência que outra pessoa consiga executar

O Termo de Referência — TR transforma a solução escolhida em requisitos para a contratação.

Um bom TR deve deixar claro:

  • o que será contratado;

  • quantidade;

  • especificações;

  • local de execução ou entrega;

  • prazo;

  • obrigações da contratada;

  • obrigações da Uerj;

  • critérios de recebimento;

  • forma de medição;

  • condições de pagamento;

  • requisitos técnicos;

  • fiscalização;

  • sanções ou condições aplicáveis, conforme o modelo adotado.

Faça um teste:

uma empresa que nunca conversou com sua unidade conseguiria entender exatamente o que deve entregar lendo apenas os documentos da contratação?

Se a resposta for não, o TR precisa melhorar.

9. Não direcione o objeto para aquilo que você já escolheu

Este é um cuidado importante.

Talvez a unidade já utilize determinada marca ou solução.

Isso não significa que o TR deva ser escrito de forma que apenas aquela empresa consiga disputar.

A especificação deve nascer da:

necessidade administrativa.

Não da:

preferência pessoal.

Quando determinada característica específica for indispensável, ela precisa estar tecnicamente justificada.

Em vez de pensar:

“Qual produto quero comprar?”

pense:

“Quais características são necessárias para resolver o problema?”

10. Faça a pesquisa de preços com atenção

Pesquisa de preços não deveria significar simplesmente:

“peguei três orçamentos”.

O objetivo é construir uma estimativa razoável do valor da contratação.

Isso exige:

  • fontes identificáveis;

  • produtos ou serviços comparáveis;

  • datas;

  • quantitativos;

  • condições semelhantes;

  • tratamento dos valores encontrados;

  • memória de cálculo.

O processo precisa permitir compreender:

como chegamos ao valor estimado?

Também é importante verificar se os itens pesquisados correspondem exatamente — ou de maneira tecnicamente comparável — ao objeto definido no TR.

11. Analise os riscos

Toda contratação possui riscos.

Por exemplo:

Risco: atraso na entrega.

Causa possível: prazo incompatível com a realidade do mercado.

Consequência: interrupção da atividade institucional.

Tratamento: estabelecer cronograma adequado, acompanhar a execução e prever medidas contratuais.

Outro exemplo:

Risco: quantitativo insuficiente.

Causa: ausência de levantamento histórico.

Consequência: necessidade de nova contratação antes do previsto.

Tratamento: utilizar dados de consumo e projeções documentadas.

Mapa de riscos não deveria ser:

um documento feito apenas porque a lista exige.

Ele deve ajudar a pensar:

O que pode dar errado?

Qual a probabilidade?

Qual seria a consequência?

O que podemos fazer para reduzir esse risco?

12. Verifique orçamento e reserva

Planejamento de contratação e planejamento orçamentário precisam conversar.

Ter uma necessidade não significa automaticamente possuir recurso disponível.

Antes de avançar, é preciso observar o fluxo orçamentário aplicável à contratação.

Dependendo do procedimento, isso pode envolver:

  • disponibilidade orçamentária;

  • reserva;

  • natureza da despesa;

  • fonte de recursos;

  • vinculação ao planejamento;

  • etapas nos sistemas orçamentários estaduais.

Por isso, não deixe a questão orçamentária para o final.

13. Faça uma conferência antes de encaminhar

Antes de enviar o processo à DAF, pare.

Abra o processo como se você nunca tivesse visto aquela contratação.

Confira:

  • a necessidade está compreensível?

  • a demanda está prevista no planejamento?

  • o quantitativo foi justificado?

  • existe ETP quando exigido?

  • a solução escolhida decorre do ETP?

  • o TR está completo?

  • a pesquisa de preços é rastreável?

  • existe memória de cálculo?

  • os riscos foram analisados?

  • os documentos estão assinados?

  • as(os) responsáveis estão identificadas(os)?

  • as aprovações necessárias foram realizadas?

  • existe compatibilidade orçamentária?

  • anexos citados realmente estão no processo?

Esse pequeno exercício pode evitar várias devoluções.

14. Agora o processo segue para a DAF/DLC

A unidade demandante não realiza sozinha o certame.

Com a fase preparatória devidamente instruída, o processo segue para as áreas competentes da DAF.

Na licitação propriamente dita, a Lei nº 14.133/2021 estabelece, de maneira geral:

fase preparatória

↓

divulgação do edital

↓

propostas e lances

↓

julgamento

↓

habilitação

↓

fase recursal

↓

homologação

Dependendo da modalidade e do procedimento, existem particularidades.

A área de licitações conduzirá o certame conforme o caso.

15. Homologar não encerra o trabalho

Uma contratação bem planejada pode fracassar durante a execução se ninguém acompanhar o contrato.

Depois do certame ainda existem:

  • empenho;

  • formalização do contrato ou instrumento equivalente;

  • designação de gestão e fiscalização;

  • acompanhamento da execução;

  • recebimento;

  • ateste;

  • liquidação;

  • pagamento;

  • eventuais reajustes;

  • prorrogações;

  • alterações;

  • apuração de descumprimentos;

  • sanções, quando aplicáveis;

  • encerramento contratual.

Portanto, uma boa contratação precisa ser pensada até:

a entrega e o encerramento.

Quem faz o quê?

Uma das melhores formas de evitar confusão é entender que contratação pública é um trabalho coletivo.

Unidade demandante

Identifica a necessidade e participa da definição da solução.

Área técnica

Ajuda a definir requisitos e avaliar tecnicamente o objeto.

Rede UerjPlan/Diplan e responsáveis pelo planejamento

Articulam planejamento institucional e orçamento conforme o fluxo aplicável.

DAF

Atua na estrutura administrativa e financeira relacionada às contratações.

DLC

Conduz as etapas de licitações e contratos dentro de suas competências.

Gestão e fiscalização

Acompanham se aquilo que foi contratado está sendo efetivamente entregue.

A contratação só funciona quando essas partes se comunicam.

O maior erro: copiar uma contratação antiga

Existe uma tentação compreensível:

“No ano passado compramos isso. Vamos pegar o processo antigo e trocar a data.”

Processos anteriores são excelentes referências.

Mas não deveriam funcionar como:

Ctrl+C e Ctrl+V administrativo.

Pergunte:

  • a necessidade continua a mesma?

  • a quantidade continua adequada?

  • o mercado mudou?

  • o preço mudou?

  • houve mudança normativa?

  • surgiram tecnologias diferentes?

  • os problemas do último contrato foram corrigidos?

  • as especificações continuam necessárias?

Um processo antigo deve ajudar você a aprender.

Não impedir que você pense.

Checklist rápido antes de mandar para a DAF

Planejamento

☐ A necessidade foi identificada.

☐ A demanda foi tratada no planejamento/PCA quando aplicável.

☐ Houve alinhamento orçamentário.

Formalização

☐ O processo SEI está corretamente instruído.

☐ A peça de formalização da demanda está incluída.

☐ O problema e a justificativa estão claros.

☐ O quantitativo possui memória.

Fase preparatória

☐ ETP elaborado, quando aplicável.

☐ Solução escolhida devidamente justificada.

☐ TR ou documento correspondente concluído.

☐ Pesquisa de preços documentada.

☐ Memória de cálculo incluída.

☐ Riscos analisados.

☐ Responsáveis identificados.

☐ Aprovações realizadas.

Antes do envio

☐ Todos os documentos citados estão anexados.

☐ Assinaturas foram conferidas.

☐ Os documentos não se contradizem.

☐ Quantidades são iguais no ETP, TR e pesquisa.

☐ Prazos são compatíveis entre as peças.

☐ Descrição do objeto é consistente.

☐ Há informação orçamentária conforme o fluxo aplicável.

☐ O processo consegue ser compreendido sem explicações por telefone ou WhatsApp.

Essa última pergunta é especialmente útil.

Se a pessoa que receber o processo precisar ligar para você para entender o que está sendo contratado, provavelmente alguma informação deveria estar registrada no processo.

Três documentos que não podem contar histórias diferentes

Um problema bastante comum em processos administrativos é:

ETP diz uma coisa;

TR diz outra;

pesquisa de preços usa uma terceira.

Exemplo:

ETP: 40 computadores.

TR: 50 computadores.

Pesquisa de preços: 45 computadores.

Isso gera dúvida, retrabalho e pode comprometer a contratação.

Antes de encaminhar, confira a coerência entre todas as peças.

Também verifique:

  • descrição;

  • unidade de medida;

  • prazo;

  • requisitos;

  • local de entrega;

  • forma de pagamento.

Os documentos precisam conversar entre si.

Planejar bem é contratar melhor

A Lei nº 14.133/2021 colocou a fase preparatória no centro da contratação pública.

A própria Uerj vem reforçando essa lógica por meio de iniciativas de planejamento, PCA e capacitações sobre documentos da fase preparatória.

Isso demonstra uma mudança importante.

O sucesso de uma licitação não começa quando a(o) agente de contratação abre a sessão.

Começa muito antes.

Começa quando alguém consegue responder com clareza:

Qual problema queremos resolver?

Por que precisamos contratar?

Quanto precisamos?

Qual solução atende melhor?

Quanto ela provavelmente custará?

Quais riscos existem?

Quando precisamos dela?

Quanto melhores forem essas respostas, menor tende a ser o retrabalho durante a contratação.

Para guardar

Se precisar resumir todo o processo em uma sequência, pense assim:

NECESSIDADE

↓

PLANEJAMENTO / PCA

↓

FORMALIZAÇÃO DA DEMANDA

↓

PROCESSO SEI

↓

ETP

↓

DEFINIÇÃO DA SOLUÇÃO

↓

TR / PROJETO BÁSICO

↓

RISCOS

↓

PESQUISA E ESTIMATIVA DE PREÇOS

↓

ORÇAMENTO / RESERVA

↓

CONFERÊNCIA DA INSTRUÇÃO

↓

DAF / DLC

↓

LICITAÇÃO OU CONTRATAÇÃO CABÍVEL

↓

CONTRATO

↓

GESTÃO E FISCALIZAÇÃO

↓

RECEBIMENTO E PAGAMENTO

↓

AVALIAÇÃO DA CONTRATAÇÃO

A lógica é simples:

uma contratação não começa quando o edital é publicado.

Ela começa quando a necessidade é identificada e planejada.

E também não termina quando a licitação é homologada.

Ela só cumpre sua finalidade quando aquilo que foi contratado é entregue adequadamente e resolve o problema que deu origem ao processo.

Onde consultar

Para informações atualizadas, consulte principalmente os canais oficiais:

  • DAF/Uerj — Planejamento e PCA

  • DAF/Uerj — Licitações e Contratos

  • Diplan/Uerj

  • Rede UerjPlan

  • Lei nº 14.133/2021

  • normativos estaduais aplicáveis

  • manuais e orientações internas da Uerj

Como procedimentos, sistemas e modelos podem ser alterados, sempre confira a orientação vigente antes de iniciar uma nova contratação.

Licitar sem erro não significa imaginar que nenhum problema aparecerá. Significa planejar, justificar, documentar e conferir bem cada etapa para reduzir falhas, devoluções e retrabalho.




quarta-feira, 17 de julho de 2024

Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso


UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO - UFRRJ

INSTITUTO CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS

DEPARTAMENTO DE LETRAS E CIÊNCIAS SOCIAIS





PROJETO DE PESQUISA

"Adaptação dos Sistemas Integrados de Informação da UERJ durante a Pandemia de COVID-19: Desafios, Estratégias e Impactos"




Ronan Gonçalves Figuerêdo



 




Rio de Janeiro

2023.2





UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO - UFRRJ

INSTITUTO CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS

DEPARTAMENTO DE LETRAS E CIÊNCIAS SOCIAIS




PROJETO DE PESQUISA

"Adaptação dos Sistemas Integrados de Informação da UERJ durante a Pandemia de COVID-19: Desafios, Estratégias e Impactos"



Projeto de Pesquisa apresentado à disciplina de Métodos e Técnicas de Pesquisa, do curso de Administração, do Instituto de Ciências Humanas e Sociais – UFRRJ. 



Orientador(a)



Rio de Janeiro

2023.2

SUMÁRIO 



  1. TEMA

  1. "Adaptação dos Sistemas Integrados de Informação da UERJ durante a Pandemia de COVID-19: Desafios, Estratégias e Impactos".


  1.  PROBLEMA

Qual foi o impacto da pandemia de COVID-19 na eficácia e funcionalidade dos sistemas integrados de informação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e quais estratégias foram adotadas para enfrentar os desafios emergentes?


  1. HIPÓTESES

3.1. Há uma relação direta entre a pandemia de COVID-19 e a necessidade de adaptação dos sistemas integrados de informação na UERJ, resultando em mudanças significativas nos processos acadêmicos e administrativos.


3.2. "A implementação de estratégias de adaptação nos sistemas integrados de informação da UERJ durante a pandemia contribuiu para minimizar impactos negativos nos processos de ensino, aprendizagem e gestão da universidade."


  1.  VARIÁVEIS

4.1 - Variável Independente: 

4.1.1 - Pandemia de COVID-19: Esta variável representa o evento externo que não está sob o controle direto da universidade, mas que influencia diretamente os sistemas de informação, sendo o fator que desencadeou a necessidade de mudanças nos processos acadêmicos e administrativos da UERJ.


4.2 - Variáveis Dependentes: 

4.2.1 - Eficácia dos Sistemas Integrados de Informação: Refere-se à capacidade dos sistemas existentes na UERJ de se adaptarem à pandemia e manterem a funcionalidade esperada, bem como a eficiência nos processos acadêmicos e administrativos.


4.2.2 - Processos Acadêmicos e Administrativos: Variáveis como os métodos de ensino, a interação aluno-professor, gestão de recursos, administração de documentos e informações, entre outros, são influenciadas pelos sistemas integrados e, portanto, são dependentes das adaptações realizadas durante a pandemia.


  1. JUSTIFICATIVA

Este estudo sobre os sistemas integrados de informação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) durante a pandemia de COVID-19 interpreta que os sistemas de informação desempenham um papel vital na gestão acadêmica e administrativa de uma instituição de ensino superior como a UERJ. Durante a pandemia, as rápidas mudanças no cenário educacional e administrativo exigiram adaptações ágeis nesses sistemas para garantir a continuidade das atividades essenciais da universidade. A UERJ desempenha um papel central na sociedade, não apenas como uma instituição de ensino, mas também como um centro de pesquisa e serviço à comunidade. Analisar como seus sistemas integrados responderam aos desafios impostos pela pandemia pode oferecer insights valiosos não apenas para a própria universidade, mas também para outras instituições de ensino que enfrentam situações semelhantes.


Este estudo proporciona uma oportunidade única para identificar áreas de melhoria nos sistemas de informação da UERJ. Compreender os desafios enfrentados e as estratégias implementadas durante a pandemia pode contribuir significativamente para futuros planejamentos estratégicos, capacitando a universidade a lidar melhor com crises similares e a aprimorar seus sistemas para um ambiente educacional mais flexível e adaptável. 


Esta pesquisa pode oferecer uma contribuição valiosa para a comunidade científica e acadêmica, fornecendo dados e conhecimentos sobre a resiliência e a capacidade de adaptação dos sistemas de informação em momentos de crise. 


  1. OBJETIVOS 

6.1 - Objetivo Geral: 

6.1.1 - Analisar o impacto da pandemia de COVID-19 nos sistemas integrados de informação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e avaliar como esses sistemas foram adaptados para enfrentar os desafios emergentes, influenciando os processos acadêmicos e administrativos da instituição.


6.2. - Objetivos Específicos: 

6.2.1 - Identificar as mudanças e desafios enfrentados pelos sistemas integrados de informação da UERJ devido à pandemia de COVID-19.


6.2.2 - Avaliar as estratégias e adaptações realizadas nos sistemas de informação para garantir a continuidade e eficiência dos processos acadêmicos e administrativos.


6.2.3. - Analisar o impacto dessas mudanças nos processos acadêmicos, administrativos e de gestão da UERJ, considerando aspectos como ensino remoto, gestão de recursos e administração de informações.


6.2.4 - Identificar os principais aprendizados das adaptações realizadas nos sistemas integrados de informação durante a pandemia, visando aprimorar futuras estratégias de enfrentamento de crises similares.



  1. METODOLOGIA 

7.1 - Método de abordagem:

A pesquisa adotará uma abordagem mista, integrando elementos qualitativos e quantitativos para obter uma compreensão abrangente dos impactos da pandemia nos sistemas integrados de informação da UERJ.


7.1.1 - Abordagem Qualitativa: Será utilizada para compreender as percepções, experiências e opiniões dos envolvidos na adaptação dos sistemas de informação. Isso será realizado por meio de entrevistas semiestruturadas com administradores, professores e funcionários da universidade. As entrevistas permitirão uma análise aprofundada dos desafios enfrentados e das estratégias adotadas.


7.1.2 - Abordagem Quantitativa: Será empregada para obter dados numéricos e estatísticos sobre a eficácia das mudanças nos sistemas integrados. Isso pode envolver a aplicação de questionários estruturados para coletar informações específicas sobre o uso dos sistemas, a satisfação dos usuários ou a eficiência percebida.


7.2 - Método de procedimento:

7.2.1 - Coleta de Dados:

7.2.1.1 - Entrevistas Semiestruturadas: Serão conduzidas entrevistas com uma amostra representativa de administradores, professores e funcionários da UERJ. As entrevistas serão orientadas por roteiros semiestruturados, permitindo que os participantes expressem suas experiências, desafios enfrentados e percepções sobre as mudanças nos sistemas de informação devido à pandemia.


7.2.1.2 - Análise Documental: Será realizada uma revisão criteriosa de documentos institucionais, relatórios, registros e comunicados oficiais relacionados à adaptação dos sistemas integrados durante a pandemia. Isso incluirá políticas institucionais, comunicados de reitoria, relatórios de progresso e quaisquer outros documentos pertinentes.


7.2.1.3 - Questionários: Poderá ser aplicado um questionário estruturado para coletar dados quantitativos sobre a eficácia percebida das mudanças nos sistemas de informação. Esse instrumento permitirá a coleta de dados de uma amostra mais ampla de usuários, ajudando a complementar as informações obtidas nas entrevistas.


7.2.2 - Análise dos Dados:

7.2.2.1 - Análise de Conteúdo Qualitativa: As entrevistas serão transcritas e submetidas a uma análise de conteúdo. Isso envolverá a identificação de temas, padrões e categorias emergentes para compreender as experiências dos entrevistados em relação às mudanças nos sistemas integrados.


7.2.2.2 - Análise Estatística Descritiva: Para os dados quantitativos coletados por meio de questionários, será realizada uma análise estatística descritiva. Isso incluirá medidas como médias, desvios padrão e análises de correlação, se aplicável, para entender as percepções dos usuários sobre a eficácia das mudanças nos sistemas.


7.2.3 - Interpretação dos Resultados:

A interpretação dos resultados ocorrerá por meio da síntese das análises qualitativas e quantitativas. Os dados serão contextualizados e integrados para proporcionar uma compreensão abrangente dos impactos da pandemia nos sistemas integrados de informação da UERJ e suas implicações nos processos acadêmicos e administrativos.


  1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

8.1 - Sistemas Integrados de Informação (ERP): A base teórica inclui conceitos sobre sistemas integrados de gestão, como Enterprise Resource Planning (ERP), que unificam informações e processos em uma única plataforma. Teorias de implementação, funcionamento e impacto desses sistemas em ambientes educacionais serão consideradas.


8.2 - Adaptação Organizacional: Teorias sobre adaptação organizacional diante de mudanças externas, como a pandemia, serão exploradas. Modelos de gestão de mudanças, estratégias de flexibilidade e resiliência organizacional serão estudadas para compreender como as instituições, incluindo universidades, se ajustam a cenários desafiadores.


8.3 - Educação Online e Ensino Remoto: Estudos sobre educação online, métodos de ensino remoto e tecnologias educacionais serão considerados. Teorias que exploram a eficácia do ensino a distância, plataformas de aprendizagem virtual, interação aluno-professor e desafios de adaptação serão relevantes para compreender a transição para ambientes virtuais.


8.4 - Gestão da Informação e Tecnologia Educacional: Teorias relacionadas à gestão da informação e tecnologia educacional serão exploradas para compreender como as instituições educacionais lidam com sistemas de informação, dados acadêmicos, segurança da informação e adoção de novas tecnologias para apoiar processos acadêmicos e administrativos.


8.5 - Impactos de Crises nas Instituições Educacionais: Estudos anteriores sobre como eventos disruptivos, como pandemias, afetaram instituições educacionais. Isso inclui análises sobre mudanças estruturais, adaptações necessárias, desafios enfrentados e estratégias de superação adotadas por universidades em momentos de crise.


  1. ORÇAMENTO 

9.1 - Recursos Humanos: Caso seja necessária a contratação de especialistas para conduzir entrevistas, analisar dados ou colaborar na pesquisa, isso poderia requerer despesas de honorários profissionais.


9.2 - Materiais e Equipamentos: Podem ser necessários computadores, software estatístico ou outras ferramentas de análise de dados, além de despesas com aquisição de materiais de escritório, impressões, entre outros.


9.3 - Despesas de Viagem: Se houver necessidade de deslocamento para coleta de dados ou realização de entrevistas presenciais, isso implicará em custos adicionais com transporte, hospedagem e alimentação.


9.4 - Divulgação e Pesquisa de Campo: Para distribuição de questionários ou realização de entrevistas, poderá ser necessário investir em material de divulgação, como impressões, e também na logística para eventos de pesquisa.


9.5 - Despesas Administrativas: Incluem despesas gerais associadas à administração do projeto, como internet e outros custos operacionais.


9.6 - Outros Custos Variáveis: Possíveis custos imprevistos que podem surgir durante a realização da pesquisa, como taxas de participação em eventos científicos para apresentar os resultados, custos de tradução, entre outros.

     

  1. CRONOGRAMA


Atividades

Sub etapas

Tempo Estimado

Revisão Bibliográfica


Mês 1


Elaboração do Projeto


Mês 2

Coleta de Dados

a) Entrevistas

b) Questionários

c) Análise Documental

Mês 3-5

Análise de Dados

a) Análise Qualitativa

b) Análise Quantitativa

Mês 6-7

Redação do Relatório


Mês 8-9

Revisão e Edição


Mês 10

Apresentação dos Resultados


Mês 11



  1. REFERÊNCIAS 

A levantar com o orientador do TCC, quando tiver.


sexta-feira, 28 de junho de 2024

Agenda 2030: Um Guia Completo para um Futuro Sustentável

Agenda 2030: o que é, quais são os ODS e por que eles importam



Pobreza, fome, desigualdade, mudanças climáticas, falta de saneamento, violência, trabalho precário e dificuldade de acesso à educação não são problemas isolados.

Quando uma família não tem acesso à água tratada, por exemplo, podem surgir problemas de saúde, dificuldades escolares, aumento de gastos e perda de renda. Da mesma forma, uma política de crescimento econômico que destrói recursos naturais pode gerar resultados imediatos, mas comprometer comunidades, empresas e gerações futuras.

Foi para enfrentar problemas interligados como esses que surgiu a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Ela funciona como um compromisso internacional para orientar governos, empresas, universidades, organizações sociais e demais instituições na construção de sociedades mais justas, inclusivas, ambientalmente responsáveis e economicamente sustentáveis.

O que é a Agenda 2030?

A Agenda 2030 é um plano de ação global aprovado em setembro de 2015 pelos Estados-membros da Organização das Nações Unidas.

Seu documento oficial se chama “Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”.

A Agenda reúne:

  • 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável — ODS;

  • 169 metas globais;

  • indicadores utilizados para acompanhar os resultados;

  • compromissos relacionados à cooperação internacional;

  • mecanismos de monitoramento e prestação de informações.

A proposta é promover o desenvolvimento sustentável de forma integrada, equilibrando suas dimensões social, econômica e ambiental. Os objetivos são considerados universais, integrados e indivisíveis, ou seja, aplicam-se a todos os países e não devem ser tratados de maneira completamente separada. (SDGs)

A Agenda também assumiu um princípio central:

Não deixar ninguém para trás.

Isso significa que políticas, programas e investimentos devem considerar especialmente as pessoas e os grupos que enfrentam as maiores vulnerabilidades e desigualdades.

De onde surgiu a Agenda 2030?

Antes da Agenda 2030, a ONU trabalhava com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio — ODM, estabelecidos em 2000 e previstos para vigorar até 2015.

Os ODM concentravam-se principalmente em temas como:

  • pobreza extrema;

  • fome;

  • mortalidade infantil;

  • saúde materna;

  • educação básica;

  • igualdade entre mulheres e homens;

  • combate a determinadas doenças;

  • sustentabilidade ambiental.

Embora tenham contribuído para avanços em várias áreas, eles não abordavam com a mesma profundidade questões como:

  • desigualdades dentro dos países;

  • padrões de produção e consumo;

  • urbanização;

  • mudanças climáticas;

  • trabalho decente;

  • instituições públicas;

  • inovação;

  • paz e acesso à justiça.

Os ODS foram criados para dar continuidade ao que não havia sido alcançado e ampliar a visão sobre o desenvolvimento sustentável.

Diferentemente dos ODM, que estavam muito direcionados aos países em desenvolvimento, os ODS se aplicam a todos os países, inclusive aos mais ricos. (SDGs)

Os cinco pilares da Agenda 2030

A Agenda pode ser compreendida por meio de cinco grandes eixos, conhecidos como os cinco Ps.

Pessoas

Busca garantir dignidade, igualdade, saúde, educação, alimentação e condições adequadas de vida.

Planeta

Envolve a proteção dos recursos naturais, da biodiversidade, do clima e dos ecossistemas.

Prosperidade

Procura assegurar que o desenvolvimento econômico, social e tecnológico ocorra de maneira inclusiva e em harmonia com a natureza.

Paz

Reconhece que não existe desenvolvimento sustentável em sociedades marcadas pela violência, injustiça, discriminação e fragilidade institucional.

Parcerias

Defende a cooperação entre governos, empresas, universidades, organizações sociais, comunidades e organismos internacionais.

Esses cinco pilares mostram que sustentabilidade não é apenas uma questão ambiental. Ela também envolve direitos humanos, trabalho, renda, democracia, políticas públicas e relações sociais. (SDGs)

Quais são os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável?

ODS 1 — Erradicação da pobreza

Busca acabar com a pobreza em todas as suas formas, garantindo proteção social, acesso a serviços, recursos econômicos e maior capacidade de enfrentar crises e desastres.

A antiga referência de US$ 1,90 por pessoa ao dia não deve mais ser utilizada como medida atual. Em junho de 2025, o Banco Mundial atualizou a linha internacional de extrema pobreza para US$ 3,00 por pessoa ao dia, calculados com base na paridade do poder de compra de 2021. (Banco Mundial)

A pobreza, no entanto, não deve ser compreendida somente pela renda. Ela também pode envolver falta de moradia, saneamento, educação, saúde, alimentação, segurança e participação social.

ODS 2 — Fome zero e agricultura sustentável

Busca acabar com a fome, enfrentar a desnutrição, garantir alimentação adequada e promover sistemas sustentáveis de produção de alimentos.

Esse objetivo envolve:

  • segurança alimentar;

  • agricultura familiar;

  • produtividade agrícola;

  • acesso à terra;

  • conservação de sementes;

  • adaptação às mudanças climáticas;

  • redução das perdas de alimentos.

ODS 3 — Saúde e bem-estar

Pretende assegurar vidas saudáveis e promover o bem-estar em todas as idades.

Abrange temas como:

  • saúde materna e infantil;

  • doenças transmissíveis;

  • doenças crônicas;

  • saúde mental;

  • vacinação;

  • acidentes de trânsito;

  • saúde sexual e reprodutiva;

  • acesso universal aos serviços de saúde;

  • impactos da poluição.

ODS 4 — Educação de qualidade

Busca garantir educação inclusiva, equitativa e de qualidade, além de oportunidades de aprendizagem ao longo da vida.

Inclui:

  • educação infantil;

  • ensino fundamental e médio;

  • educação profissional;

  • ensino superior;

  • alfabetização;

  • formação docente;

  • acessibilidade;

  • redução das desigualdades educacionais;

  • educação para os direitos humanos e para a sustentabilidade.

ODS 5 — Igualdade de gênero

Busca alcançar a igualdade de gênero e garantir direitos e oportunidades para mulheres e meninas.

Envolve o enfrentamento de:

  • discriminações;

  • violências;

  • desigualdade salarial;

  • baixa participação em espaços de decisão;

  • sobrecarga do trabalho doméstico e de cuidado;

  • limitações aos direitos sexuais e reprodutivos.

O objetivo não se restringe ao aumento da presença de mulheres nas organizações. Ele exige transformar estruturas, práticas e relações que reproduzem desigualdades.

ODS 6 — Água potável e saneamento

Procura garantir o acesso universal à água potável, ao saneamento e à higiene.

Também envolve:

  • tratamento de esgoto;

  • qualidade da água;

  • redução da poluição;

  • eficiência no consumo;

  • proteção de rios, lagos, aquíferos e áreas úmidas;

  • participação das comunidades na gestão dos recursos hídricos.

ODS 7 — Energia limpa e acessível

Busca ampliar o acesso a serviços de energia confiáveis, modernos e financeiramente acessíveis.

Suas ações incluem:

  • expansão das energias renováveis;

  • eficiência energética;

  • modernização da infraestrutura;

  • pesquisa e desenvolvimento;

  • redução da dependência de fontes altamente poluentes.

ODS 8 — Trabalho decente e crescimento econômico

Defende crescimento econômico inclusivo, emprego produtivo e trabalho decente.

O objetivo envolve:

  • geração de empregos;

  • produtividade;

  • inovação;

  • formalização;

  • empreendedorismo;

  • proteção dos direitos trabalhistas;

  • igualdade de remuneração;

  • combate ao trabalho infantil;

  • combate ao trabalho forçado;

  • ambientes de trabalho seguros.

Crescimento econômico, nesse contexto, não deve ser medido apenas pelo aumento da produção. É necessário observar quem se beneficia, quais empregos são gerados e quais impactos ambientais e sociais acompanham esse crescimento.

ODS 9 — Indústria, inovação e infraestrutura

Procura construir infraestruturas resilientes, promover industrialização inclusiva e estimular a inovação.

Abrange:

  • transporte;

  • energia;

  • conectividade;

  • pesquisa científica;

  • desenvolvimento tecnológico;

  • acesso das pequenas empresas ao crédito;

  • modernização de processos produtivos;

  • acesso à internet.

ODS 10 — Redução das desigualdades

Busca reduzir desigualdades dentro dos países e entre eles.

Inclui desigualdades relacionadas a:

  • renda;

  • raça e etnia;

  • gênero;

  • deficiência;

  • idade;

  • território;

  • origem social;

  • migração;

  • acesso a serviços e oportunidades.

O objetivo propõe políticas fiscais, salariais, migratórias e de proteção social, além do enfrentamento de normas e práticas discriminatórias.

ODS 11 — Cidades e comunidades sustentáveis

Procura tornar cidades e assentamentos humanos mais inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.

Seus temas incluem:

  • habitação;

  • mobilidade;

  • transporte público;

  • planejamento urbano;

  • prevenção de desastres;

  • acessibilidade;

  • qualidade do ar;

  • gestão de resíduos;

  • áreas verdes;

  • patrimônio cultural e natural.

ODS 12 — Consumo e produção responsáveis

Busca modificar a forma como produtos e serviços são produzidos, distribuídos, utilizados e descartados.

Envolve:

  • uso responsável dos recursos naturais;

  • redução do desperdício de alimentos;

  • prevenção da geração de resíduos;

  • reutilização;

  • reciclagem;

  • gestão de produtos químicos;

  • compras públicas sustentáveis;

  • relatórios de sustentabilidade;

  • informação às consumidoras e aos consumidores.

ODS 13 — Ação contra a mudança global do clima

Propõe medidas urgentes de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Isso inclui:

  • redução das emissões;

  • planejamento climático;

  • proteção contra eventos extremos;

  • sistemas de alerta;

  • educação climática;

  • financiamento;

  • adaptação de cidades, empresas e atividades produtivas.

ODS 14 — Vida na água

Busca conservar e utilizar de maneira sustentável oceanos, mares e recursos marinhos.

Abrange:

  • poluição marinha;

  • pesca predatória;

  • acidificação dos oceanos;

  • conservação de áreas costeiras;

  • proteção de ecossistemas;

  • pesca artesanal;

  • pesquisa científica;

  • economia do mar.

ODS 15 — Vida terrestre

Procura proteger ecossistemas terrestres, florestas, solos e biodiversidade.

Inclui:

  • combate ao desmatamento;

  • restauração ambiental;

  • enfrentamento da desertificação;

  • proteção de espécies;

  • combate ao tráfico de animais;

  • controle de espécies invasoras;

  • preservação dos recursos genéticos;

  • valorização dos serviços ecossistêmicos.

ODS 16 — Paz, justiça e instituições eficazes

Busca promover sociedades pacíficas e inclusivas, garantir acesso à justiça e construir instituições responsáveis.

Envolve:

  • prevenção da violência;

  • proteção de crianças;

  • acesso à justiça;

  • combate à corrupção;

  • transparência;

  • participação social;

  • acesso à informação;

  • identidade legal;

  • direitos humanos;

  • combate à discriminação.

ODS 17 — Parcerias e meios de implementação

Concentra-se nos recursos e nas formas de cooperação necessários para alcançar todos os demais objetivos.

Inclui:

  • financiamento;

  • comércio;

  • tecnologia;

  • produção de dados;

  • capacitação;

  • cooperação internacional;

  • parcerias públicas e privadas;

  • participação da sociedade civil;

  • fortalecimento das instituições.

Os 17 objetivos não formam uma lista de ações independentes. Eles foram concebidos como um conjunto integrado. Melhorar a educação, por exemplo, pode contribuir para a redução da pobreza, a igualdade de gênero, o trabalho decente, a saúde e o fortalecimento das instituições. (SDGs)

Objetivo, meta e indicador: qual é a diferença?

Esses três conceitos costumam ser confundidos.

Objetivo

É a direção mais ampla que se pretende seguir.

Exemplo:

Garantir educação inclusiva, equitativa e de qualidade.

Meta

Transforma o objetivo em um resultado mais específico.

Exemplo:

Garantir que meninas e meninos concluam o ensino fundamental e médio com resultados adequados de aprendizagem.

Indicador

É a medida utilizada para verificar se houve avanço.

Exemplos:

  • percentual de estudantes matriculadas(os);

  • taxa de conclusão;

  • nível de aprendizagem;

  • diferença de acesso entre grupos sociais;

  • quantidade de escolas acessíveis.

Uma instituição não implementa a Agenda 2030 apenas declarando apoio a determinado ODS. Ela precisa transformar compromissos em metas, ações, responsabilidades, prazos e indicadores.

Algumas metas tinham prazo anterior a 2030

Embora a Agenda seja chamada de Agenda 2030, nem todas as 169 metas foram originalmente estabelecidas para aquele ano.

Algumas possuíam prazos intermediários, como:

  • 2020;

  • 2025;

  • períodos definidos por acordos internacionais específicos.

Isso ocorre, por exemplo, em metas relacionadas à biodiversidade, à pesca, ao trabalho infantil, à saúde, à juventude e ao acesso às tecnologias.

Como esses prazos já passaram, não é adequado continuar reproduzindo todas as metas no futuro, como se ainda fossem compromissos a serem cumpridos pela primeira vez.

O mais correto é informar:

  • se a meta foi alcançada;

  • quais resultados foram obtidos;

  • quais dificuldades permaneceram;

  • que ações precisam continuar;

  • quais indicadores devem ser atualizados.

A existência de um prazo vencido não significa que o tema deixou de ser importante. Significa que o compromisso precisa ser avaliado com base nos resultados alcançados.

Onde estamos em 2026?

A Agenda 2030 produziu resultados relevantes desde 2015, incluindo a ampliação do acesso à eletricidade, água, saúde e conectividade digital. Entretanto, o relatório global dos ODS publicado pela ONU em julho de 2026 considera que os avanços continuam desiguais e insuficientes diante de conflitos, desaceleração econômica, mudanças climáticas, endividamento e redução da assistência internacional. (UNSD)

A avaliação quantitativa realizada em 2025 conseguiu analisar 139 das 169 metas com base nas tendências globais. Desse conjunto:

  • 18% estavam no caminho esperado;

  • 17% apresentavam progresso moderado;

  • os demais objetivos mostravam avanço insuficiente, estagnação ou retrocesso.

Portanto, somente 35% das metas avaliadas demonstravam progresso considerado adequado ou moderado. (UNSD)

A ONU identificou áreas prioritárias para acelerar os resultados, como:

  • sistemas alimentares;

  • acesso à energia;

  • transformação digital;

  • educação;

  • empregos e proteção social;

  • clima e biodiversidade;

  • igualdade de gênero;

  • financiamento e cooperação;

  • paz e fortalecimento institucional. (UNSD)

Esses dados mostram que a Agenda 2030 não deve ser apresentada apenas como uma lista de intenções. Ela também precisa ser discutida a partir das dificuldades reais de implementação.

A Agenda 2030 no Brasil

O Brasil participou das negociações internacionais que resultaram na criação da Agenda 2030.

Em 2023, foi instituída novamente a Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável — CNODS, por meio do Decreto nº 11.704.

A Comissão possui natureza consultiva e tem como finalidades:

  • contribuir para a incorporação da Agenda 2030 no país;

  • estimular sua implementação pelas diferentes esferas de governo;

  • articular a participação da sociedade;

  • acompanhar os resultados;

  • ampliar a transparência sobre as ações realizadas. (Serviços e Informações do Brasil)

O Brasil apresentou um Relatório Nacional Voluntário em 2024, retomando esse instrumento de monitoramento depois do relatório anterior, publicado em 2017.

O portal da Secretaria-Geral também informa a elaboração do Relatório Nacional Voluntário de 2026, com participação de instituições públicas e contribuições da sociedade. Esses relatórios reúnem dados, programas, dificuldades e perspectivas relacionadas à implementação dos ODS no país. (Serviços e Informações do Brasil)

O Brasil possui um ODS 18?

No conjunto oficial e global da ONU, a Agenda 2030 continua sendo formada por 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Entretanto, o Brasil adotou voluntariamente, em seu contexto nacional, o:

ODS 18 — Igualdade étnico-racial

O objetivo foi lançado nacionalmente em novembro de 2024 e busca enfrentar o racismo e as desigualdades que atingem especialmente:

O ODS 18 brasileiro não substitui nenhum dos 17 objetivos globais. Ele procura tornar mais visíveis desigualdades que atravessam vários ODS, como:

  • pobreza;

  • fome;

  • saúde;

  • educação;

  • trabalho;

  • habitação;

  • acesso à justiça;

  • representação política;

  • proteção ambiental.

Sua adoção também reforça a importância de produzir dados desagregados por raça, etnia, gênero, território, deficiência e outros critérios.

Como empresas e organizações podem aplicar os ODS?

Uma organização não precisa atuar diretamente em todos os objetivos. Contudo, deve conhecer os impactos positivos e negativos de suas atividades.

1. Realizar um diagnóstico

A organização deve identificar:

  • quem é afetado por suas atividades;

  • quais recursos naturais utiliza;

  • quais resíduos e emissões produz;

  • como são as relações de trabalho;

  • de onde vêm seus produtos e serviços;

  • quais riscos sociais e ambientais existem;

  • quais desigualdades podem estar sendo reproduzidas.

2. Identificar os ODS mais relacionados às atividades

Uma instituição de ensino, por exemplo, possui relação direta com o ODS 4, mas também pode estar ligada aos ODS:

  • 5, pela igualdade de gênero;

  • 6, pelo consumo de água;

  • 8, pelas relações de trabalho;

  • 10 e 18, pela inclusão e igualdade étnico-racial;

  • 12, pelas compras e pelos resíduos;

  • 13, pelas emissões;

  • 16, pela transparência e participação;

  • 17, pelas parcerias.

3. Definir metas mensuráveis

Em vez de escrever apenas “apoiamos o ODS 5”, a organização pode definir:

Aumentar a participação de mulheres em cargos de gestão de 30% para 45% até dezembro de 2028.

Ou:

Garantir que 100% dos conteúdos digitais institucionais atendam aos critérios internos de acessibilidade até dezembro de 2027.

4. Criar um plano de ação

O plano deve estabelecer:

  • ação;

  • responsável;

  • prazo;

  • orçamento;

  • público envolvido;

  • indicador;

  • forma de acompanhamento.

5. Monitorar resultados

Não basta registrar o número de atividades realizadas.

Uma organização pode ter promovido dez palestras sobre diversidade e, ainda assim, manter desigualdades na contratação, remuneração e ocupação de cargos.

É necessário diferenciar:

  • atividade: o que foi feito;

  • resultado: o que mudou;

  • impacto: qual transformação ocorreu na realidade.

6. Publicar informações com transparência

A comunicação deve apresentar avanços, dificuldades e metas não alcançadas.

Associar a marca aos ODS sem comprovar ações concretas pode transformar a Agenda 2030 em simples instrumento de publicidade.

Exemplo de aplicação dos ODS em uma organização

Imagine uma universidade que pretende incorporar a Agenda 2030 ao planejamento institucional.

ÁreaProblema identificadoAção propostaODS relacionadosIndicador
Permanência estudantilEvasão por dificuldades econômicasAmpliação de bolsas e alimentação1, 2, 4 e 10Taxa de permanência
AcessibilidadeBarreiras físicas e digitaisPlano institucional de acessibilidade4, 10, 11 e 16Percentual de ambientes acessíveis
Relações de trabalhoCasos de assédio e discriminaçãoPolítica de prevenção, acolhimento e apuração5, 8, 10, 16 e 18Casos tratados e percepção de segurança
ComprasContratações sem critérios socioambientaisInclusão de requisitos sustentáveis8, 12, 13 e 16Percentual de compras com critérios
EnergiaAlto consumo nos edifíciosModernização e acompanhamento7, 12 e 13Consumo por metro quadrado
ResíduosBaixa separação e reciclagemColeta seletiva e redução de descartáveis11 e 12Resíduos reciclados
EnsinoPouca presença dos ODS nos currículosIntegração dos temas às disciplinas4 e 17Cursos com conteúdos relacionados
Igualdade racialDesigualdades de acesso e permanênciaMetas e políticas afirmativas4, 10, 16 e 18Dados desagregados por raça e etnia

O exemplo mostra que os ODS não precisam ser transformados em projetos isolados. Eles podem orientar planejamento, orçamento, compras, gestão de pessoas, ensino, pesquisa e avaliação institucional.

Qual é o papel da administradora e do administrador?

Profissionais de Administração podem contribuir diretamente para a Agenda 2030 porque atuam em áreas responsáveis por transformar objetivos em ações.

Entre suas atribuições estão:

  • planejamento;

  • gestão de projetos;

  • elaboração de indicadores;

  • orçamento;

  • compras e contratações;

  • gestão de pessoas;

  • análise de processos;

  • logística;

  • controle de riscos;

  • prestação de contas;

  • governança;

  • avaliação de resultados.

Uma política de sustentabilidade pode fracassar não apenas por falta de recursos, mas também por:

  • planejamento inadequado;

  • responsabilidades indefinidas;

  • ausência de dados;

  • falta de participação;

  • metas genéricas;

  • processos desorganizados;

  • orçamento incompatível;

  • comunicação pouco clara.

Por isso, a Agenda 2030 também é um tema de Administração e gestão.

Erros comuns na utilização dos ODS

Utilizar os símbolos sem mudar práticas

Colocar os ícones dos ODS em uma apresentação não significa que a organização esteja contribuindo para eles.

Escolher somente os objetivos mais convenientes

Uma empresa pode destacar a geração de empregos e omitir impactos ambientais, discriminações ou violações existentes em sua cadeia.

Confundir ação com impacto

Realizar uma campanha não significa que o problema foi reduzido.

Ignorar as desigualdades

Resultados médios podem esconder grandes diferenças entre grupos e territórios.

Trabalhar cada ODS isoladamente

Uma ação pode ajudar um objetivo e prejudicar outro. A expansão de determinada atividade econômica pode gerar empregos, mas também aumentar o consumo de água, as emissões ou os conflitos territoriais.

Não ouvir as pessoas afetadas

Políticas elaboradas sem participação podem não responder às necessidades reais.

Divulgar somente resultados positivos

Uma prestação de contas confiável também reconhece problemas, atrasos e metas não alcançadas.

Perguntas frequentes

A Agenda 2030 é uma lei?

A Agenda 2030 é um compromisso internacional aprovado pelos Estados-membros da ONU. Sua implementação depende de políticas, normas, programas e decisões adotadas em cada país.

Os ODS são obrigatórios para empresas?

Os ODS não funcionam, por si mesmos, como uma lei empresarial. No entanto, muitos de seus temas já estão presentes em legislações trabalhistas, ambientais, tributárias, de direitos humanos, acessibilidade, proteção de dados, transparência e responsabilidade corporativa.

Os ODS tratam apenas de meio ambiente?

Não. Eles abrangem pobreza, saúde, educação, trabalho, igualdade, cidades, instituições, economia, tecnologia e meio ambiente.

Todos os objetivos devem ser cumpridos até 2030?

A Agenda possui horizonte geral até 2030, mas algumas metas tinham prazos anteriores, como 2020 e 2025.

A Agenda termina em 2030?

2030 é o prazo político definido para o conjunto atual de objetivos. Isso não significa que pobreza, desigualdades ou mudanças climáticas deixarão de exigir ações depois dessa data. A experiência da Agenda deverá orientar futuras decisões internacionais.

O Brasil tem 18 ODS?

No plano global da ONU, continuam existindo 17 ODS. O ODS 18 é uma iniciativa adotada voluntariamente pelo Brasil para promover a igualdade étnico-racial. (Serviços e Informações do Brasil)

Uma pequena organização pode aplicar os ODS?

Sim. Ela pode começar identificando seus impactos, escolhendo temas prioritários, definindo poucas metas mensuráveis e acompanhando os resultados.

Conclusão

A Agenda 2030 oferece uma visão ampla de desenvolvimento, na qual crescimento econômico, direitos humanos, inclusão social e proteção ambiental precisam caminhar juntos.

Seus 17 objetivos ajudam a organizar problemas complexos, estabelecer metas e acompanhar resultados. No Brasil, a adoção do ODS 18 acrescenta uma dimensão importante ao tornar mais explícito o enfrentamento do racismo e das desigualdades étnico-raciais.

Entretanto, os ODS não devem ser tratados apenas como símbolos, slogans ou temas para campanhas.

Sua implementação exige:

  • planejamento;

  • orçamento;

  • participação social;

  • dados confiáveis;

  • metas mensuráveis;

  • transparência;

  • acompanhamento;

  • cooperação;

  • compromisso com as pessoas mais afetadas pelas desigualdades.

Faltando pouco mais de quatro anos para 2030, os avanços registrados ainda não são suficientes para alcançar integralmente os compromissos assumidos. O principal desafio não é conhecer os nomes dos ODS, mas transformar seus princípios em políticas, processos e resultados concretos.

Fontes oficiais para aprofundamento










Gestão financeira para administradores: conceitos, ferramentas e decisões na prática

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