quarta-feira, 30 de maio de 2018

Dimensão histórica do Direito: como as instituições jurídicas se transformam ao longo do tempo


Dimensão histórica do Direito: como as instituições jurídicas se transformam ao longo do tempo



As normas que organizam a vida em sociedade não surgiram prontas.

Aquilo que hoje conhecemos como Direito é resultado de uma longa construção histórica, desenvolvida a partir das formas pelas quais diferentes sociedades organizaram relações familiares, propriedade, comércio, exercício do poder, resolução de conflitos, punições, obrigações e direitos.

Por isso, estudar a dimensão histórica do Direito não significa apenas conhecer leis antigas ou memorizar datas.

Significa procurar compreender por que determinadas instituições jurídicas surgiram, como foram transformadas e quais marcas do passado permanecem no Direito atual.

O professor Luiz Carlos de Azevedo, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, destacou justamente essa característica ao apresentar a História do Direito como instrumento para compreender institutos jurídicos contemporâneos a partir de seus contextos políticos, históricos e culturais.

Direito e sociedade se transformam juntos

O Direito está relacionado à sociedade em que é produzido.

Mudanças políticas, econômicas, culturais, tecnológicas e sociais podem provocar novas necessidades de regulamentação ou alterar a maneira como normas existentes são interpretadas.

Pense em alguns exemplos atuais.

Há poucas décadas, questões como:

  • proteção de dados pessoais;

  • comércio eletrônico;

  • inteligência artificial;

  • crimes praticados pela internet;

  • contratos celebrados digitalmente;

  • trabalho realizado por plataformas digitais;

não ocupavam o mesmo espaço que possuem atualmente.

As sociedades mudaram e novos problemas jurídicos apareceram.

O mesmo aconteceu em outros momentos históricos.

Transformações na propriedade, no comércio, na estrutura das famílias, nas relações de trabalho e na organização dos Estados produziram diferentes respostas jurídicas.

Por isso, compreender uma norma exige muitas vezes compreender também o contexto em que ela apareceu.

A transformação do Direito não acontece em linha reta

É comum encontrarmos a expressão “evolução do Direito”.

Ela pode ser útil para indicar mudanças ocorridas ao longo do tempo, mas precisa ser utilizada com cuidado.

A história não é necessariamente uma sequência contínua em que cada período possui um Direito “melhor” do que o anterior.

Direitos podem ser reconhecidos em determinado momento e posteriormente restringidos.

Instituições podem desaparecer e voltar sob novas formas.

Uma mesma regra pode assumir sentidos diferentes ao longo dos anos.

Avanços em determinadas áreas podem coexistir com exclusões em outras.

Por isso, é mais adequado pensar o Direito como um fenômeno em permanente transformação histórica.

Por que estudar a História do Direito?

Imagine estudar determinada instituição apenas pela legislação atualmente vigente.

Você saberia como ela funciona hoje, mas talvez não compreendesse por que foi criada daquela maneira.

A História do Direito permite investigar perguntas como:

Por que determinada regra existe?

Que problema ela procurava resolver?

Quais interesses estavam em disputa?

Como essa instituição funcionava anteriormente?

Por que foi modificada?

O que desapareceu e o que permaneceu?

Segundo Azevedo, conhecer o passado jurídico ajuda justamente a encontrar explicações para as transformações dos institutos atuais e permite estabelecer relações com diferentes áreas do Direito.

É por isso que a História do Direito dialoga com outras áreas do conhecimento.

Direito, História, Política, Economia e Cultura

Uma instituição jurídica dificilmente pode ser compreendida isoladamente.

Imagine estudar historicamente a escravidão no Brasil.

Não seria suficiente consultar apenas leis.

Seria necessário compreender:

  • relações econômicas;

  • organização política;

  • estruturas sociais;

  • racismo;

  • relações de trabalho;

  • conflitos sociais;

  • produção cultural;

  • movimentos abolicionistas;

  • instituições do Estado.

O mesmo vale para temas como propriedade, cidadania, direitos políticos, relações familiares e direitos trabalhistas.

A História do Direito possui, portanto, uma forte característica interdisciplinar.

Ela conversa com História, Sociologia, Ciência Política, Economia, Filosofia, Antropologia e outras áreas.

Quais são as fontes da História do Direito?

Uma das partes mais interessantes desse estudo está nas fontes utilizadas para reconstruir o passado jurídico.

As fontes podem incluir documentos produzidos diretamente pelas instituições jurídicas, como:

  • constituições;

  • leis;

  • decretos;

  • regulamentos;

  • decisões judiciais;

  • contratos;

  • testamentos;

  • registros;

  • processos;

  • atos administrativos;

  • tratados.

Mas não precisamos olhar apenas para documentos formalmente jurídicos.

Também podem ajudar:

  • jornais;

  • correspondências;

  • livros;

  • obras filosóficas;

  • literatura;

  • documentos comerciais;

  • fotografias;

  • registros religiosos;

  • relatos pessoais;

  • obras artísticas;

  • costumes;

  • tradições.

O trabalho de Luiz Carlos de Azevedo chama atenção justamente para a variedade das fontes que podem contribuir para a compreensão histórica das instituições jurídicas.

Isso acontece porque uma lei mostra o que estava formalmente estabelecido, mas não necessariamente revela sozinha como as pessoas viviam, interpretavam ou aplicavam aquela regra.

Direito escrito e costumes

Nem todas as sociedades organizaram suas regras exclusivamente por meio de legislação escrita.

Durante grande parte da história, os costumes tiveram papel relevante.

Costumes são práticas reiteradas que uma comunidade reconhece como formas adequadas de comportamento e que, em determinadas condições, podem adquirir relevância jurídica.

Mesmo nos sistemas jurídicos contemporâneos, a legislação não é a única forma pela qual o Direito se manifesta.

Por isso, estudar historicamente uma sociedade também exige observar suas práticas, instituições e formas concretas de resolução de conflitos.

Algumas experiências jurídicas da Antiguidade

Diferentes sociedades antigas desenvolveram estruturas normativas.

Mesopotâmia, Egito, Grécia e Roma, entre muitas outras civilizações, produziram formas próprias de organizar relações sociais e políticas.

O Direito Romano exerceu uma influência particularmente extensa sobre diversos sistemas jurídicos europeus e, posteriormente, sobre países cujas tradições jurídicas foram influenciadas pela Europa continental.

Conceitos relacionados a propriedade, contratos, obrigações e relações privadas atravessaram séculos de reelaboração jurídica.

Isso não significa que utilizemos atualmente o Direito Romano da mesma maneira que ele existia na Antiguidade.

Significa que muitos conceitos jurídicos foram reinterpretados e incorporados ao desenvolvimento posterior do Direito.

Idade Média e pluralidade jurídica

Outro cuidado importante é evitar imaginar que cada sociedade histórica possuía um único conjunto uniforme de leis aplicável da mesma maneira a todas as pessoas.

Durante a Idade Média europeia, por exemplo, diferentes ordens normativas podiam coexistir.

Costumes locais, normas religiosas, regras das cidades, relações feudais e poderes políticos podiam participar da regulamentação da vida social.

Essa diversidade ajuda a perceber que a ideia contemporânea de um Estado produzindo um sistema relativamente centralizado de normas também possui uma história.

Formação do Estado moderno

Entre o final da Idade Média e o período moderno, mudanças na organização política contribuíram para uma concentração crescente de poderes nas estruturas estatais.

Ao longo desse processo, a produção das normas também passou gradualmente a ser associada de maneira mais intensa ao Estado.

Posteriormente, movimentos relacionados ao constitucionalismo procurariam estabelecer limites jurídicos ao exercício desse próprio poder estatal.

Esse é um dos pontos importantes para compreender a construção histórica do Direito Público.

Revolução Francesa e direitos

A Revolução Francesa de 1789 tornou-se um dos acontecimentos mais conhecidos da história política e jurídica moderna.

Naquele contexto foi aprovada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que apresentou princípios relacionados a liberdade, igualdade jurídica, propriedade e organização política.

A própria Organização das Nações Unidas inclui a Declaração francesa entre os antecedentes históricos importantes da construção dos direitos humanos.

Isso não significa que os direitos proclamados naquele período fossem imediatamente assegurados de forma universal.

Havia profundas exclusões sociais, políticas, econômicas, de gênero e relacionadas à escravidão.

Esse contraste mostra justamente por que a análise histórica é necessária.

Podemos distinguir entre:

o direito proclamado

e

o direito efetivamente desfrutado pelas pessoas.

Direitos continuam sendo construídos

Os direitos reconhecidos atualmente também são resultado de diferentes períodos históricos.

Um marco posterior foi a Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, após a experiência da Segunda Guerra Mundial.

No Brasil, a Constituição Federal de 1988 dedica seu Título II aos Direitos e Garantias Fundamentais e estabelece, no artigo 5º, direitos relacionados, entre outros, à vida, liberdade, igualdade, segurança e propriedade.

Esses exemplos permitem perceber como documentos de diferentes períodos fazem parte de uma longa trajetória de construção e reformulação jurídica.

Direito Público e Direito Privado

Uma classificação tradicional divide o Direito em dois grandes campos:

Direito Público

e

Direito Privado.

Essa distinção possui raízes históricas antigas e continua sendo utilizada no ensino e na prática jurídica.

Entretanto, não existe uma divisão absolutamente simples ou perfeita entre os dois campos.

A própria literatura jurídica registra diversos critérios desenvolvidos ao longo do tempo para tentar separá-los.

O que é Direito Público?

De maneira introdutória, podemos associar o Direito Público às normas que disciplinam atividades públicas e o exercício das funções estatais.

Entre áreas tradicionalmente relacionadas ao Direito Público encontramos:

  • Direito Constitucional;

  • Direito Administrativo;

  • Direito Tributário;

  • Direito Penal;

  • Direito Processual;

  • Direito Internacional Público.

Imagine uma desapropriação realizada pelo Estado.

Não estamos diante da mesma relação jurídica que existe quando duas pessoas particulares realizam uma compra e venda voluntária.

O Estado pode possuir poderes e também limitações específicos previstos pelo ordenamento jurídico.

Por isso, aplica-se um regime jurídico diferente.

O que é Direito Privado?

O Direito Privado disciplina principalmente relações jurídicas desenvolvidas no âmbito das atividades privadas.

Tradicionalmente encontramos nesse campo:

  • Direito Civil;

  • Direito Empresarial.

Contratos entre particulares, propriedade privada, obrigações, relações familiares e atividades empresariais são exemplos de assuntos fortemente relacionados ao Direito Privado.

Entretanto, novamente precisamos evitar uma separação excessivamente rígida.

Público e privado podem se encontrar

Uma empresa é uma organização privada.

Mas suas atividades podem ser influenciadas por normas tributárias, trabalhistas, ambientais, consumeristas, regulatórias e administrativas.

Da mesma maneira, o Estado pode realizar contratos e interagir com pessoas e organizações privadas.

Por isso, a divisão entre Direito Público e Privado continua útil, mas não significa a existência de dois universos completamente separados.

A Enciclopédia Jurídica da PUC-SP destaca justamente que a distinção permanece relevante porque os regimes jurídicos aplicáveis podem ser diferentes, embora os critérios utilizados historicamente para estabelecer essa separação sejam discutidos pela doutrina.

Por que isso interessa a quem estuda Administração?

Talvez você esteja pensando:

“Por que uma(um) estudante de Administração precisa estudar a dimensão histórica do Direito?”

Porque organizações não existem fora do ambiente jurídico.

Uma empresa:

celebra contratos;

contrata pessoas;

paga tributos;

adquire patrimônio;

trata dados;

relaciona-se com consumidoras(es);

cumpre normas;

pode participar de licitações;

pode responder judicialmente por suas atividades.

Uma organização pública possui ainda estruturas e regras próprias relacionadas às funções estatais.

Compreender as diferenças entre Direito Público e Privado ajuda a estudante de Administração a perceber que organizações distintas podem estar submetidas a regimes jurídicos diferentes.

A perspectiva histórica acrescenta outra dimensão:

essas regras não são naturais nem imutáveis.

Elas foram construídas e continuam sendo transformadas.

Instituições jurídicas são construções históricas

Estado.

Propriedade.

Contrato.

Família.

Empresa.

Tributo.

Cidadania.

Direitos políticos.

Direitos sociais.

Todas essas instituições possuem histórias.

As formas atuais não são necessariamente as mesmas que existiam há cem, quinhentos ou dois mil anos.

Quando estudamos uma instituição apenas em sua configuração presente, enxergamos uma fotografia.

Quando estudamos sua história, começamos a enxergar o filme.

História do Direito não é apenas história das leis

Essa talvez seja a principal ideia deste conteúdo.

A História do Direito não consiste somente em descobrir qual lei existia em determinado ano.

Ela procura compreender:

quem produzia as normas;

quem estava submetido a elas;

quais interesses estavam em disputa;

como as instituições funcionavam;

como as regras eram aplicadas;

quem possuía direitos;

quem estava excluído;

por que determinadas normas desapareceram;

e por que outras permaneceram.

É dessa forma que a História ajuda a compreender melhor o Direito atual.

Como sintetiza a proposta apresentada por Luiz Carlos de Azevedo, estudar o passado jurídico permite buscar nos momentos políticos, históricos e culturais explicações para as mudanças observadas nas instituições jurídicas contemporâneas.

Para estudantes de Administração, esse conhecimento ajuda também a perceber algo maior:

as organizações funcionam dentro de instituições jurídicas que foram construídas historicamente e que continuam em transformação.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

VI SINTAE UFRJ - VI SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO DOS TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS





O seminário acontecerá de 22 de outubro de 2018 a 26 de outubro de 2018, no horário das 9h às 13h, no Centro de Ciências Matemática e da Natureza, Campus Fundão.

Av. Athos da Silveira Ramos, 149 - Ilha do Fundão, Rio de Janeiro - RJ, CEP 21941-909.

(21) 3938-9409






Texto do site do evento:

ILHA DO FUNDÃO - CCMN
OUTUBRO 22, 2018 – OUTUBRO 26, 2018

A Universidade Federal do Rio de Janeiro, assim como as demais Instituições Federais de Ensino Superior (IFEs) do país, vem passando, nas últimas décadas, por um forte período de expansão de suas atividades com a ampliação dos campi e o crescimento significativo no número de alunos(as), técnicos(as) administrativos(as) em educação (TAEs) e docentes, partes formadoras da comunidade acadêmica.

Diante desse contexto e no que tange à política de gestão de pessoal da Universidade, o Seminário de Integração dos Técnicos Administrativos em Educação (SINTAE), uma iniciativa da Pró-Reitoria de Pessoal (PR4) da UFRJ, desponta, em 2013, como um espaço de reflexão sobre a produção técnico-científica e as atividades desenvolvidas no âmbito das universidades e dos institutos federais, tendo como eixos temáticos "Gestão Pública e Universidade", "Ensino, Pesquisa e Extensão" e "Saúde e Meio Ambiente".

Deste modo, em sua VI edição, a ser realizada em 2018, a UFRJ recebe inscrições para ouvintes e também submissão de trabalhos em nível nacional, visando a compartilhar o conhecimento técnico-científico e as experiências profissionais e sociais dos técnicos administrativos em educação de IFES de todo o país.
O evento acontecerá de 22 à 26 de outubro, das 9h às 13h, no Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) no campus Fundão.

Para realizar o cadastro como ouvinte ou como expositor de trabalhos, clique em Cadastro, disponível na barra de itens na parte superior do site. Após realizado o cadastro, faça o login através da opção Usuário, ao lado direito do site, clicando em Acesso.

Em caso de dúvidas sobre a submissão de resumos, por favor clique em Tutorial Para Submissão de Resumos, disponível na barra de itens na parte superior do site.

O seminário esse ano muda de plataforma começando a receber inscrições e submissões do trabalho através do sistema Open Conference System (OCS). A mudança vem no sentido de aprimorar o fluxo de atividades que envolvem o preparo de um seminário.

Para consultar o site que hospedou as edições anteriores, clique aqui. Para consultar os anais das edições anteriores, clique em: Caderno deResumos 2013, Caderno deResumos 2014, Caderno deResumos 2016, Caderno deResumos 2017.


INFORMAÇÕES SOBRE A CONFERÊNCIA
» Chamada parasubmissões (maio 8, 2018 - julho 1, 2018)



terça-feira, 15 de maio de 2018

Informática Básica: guia de conceitos essenciais para estudantes de Administração


Informática Básica: guia de conceitos essenciais para estudantes de Administração



Informática faz parte da rotina acadêmica e profissional de quem estuda Administração.

Produzir documentos, elaborar planilhas, preparar apresentações, acessar sistemas institucionais, trabalhar com arquivos, utilizar serviços em nuvem, participar de ambientes virtuais de aprendizagem, pesquisar informações e proteger dados são atividades que dependem de algum nível de competência digital.

Não é necessário conhecer profundamente todos os aspectos técnicos de um computador.

O mais importante é compreender os principais conceitos e desenvolver autonomia suficiente para utilizar diferentes ferramentas de maneira consciente, segura e adequada aos problemas que precisam ser resolvidos.

Este guia reúne algumas dessas noções.

Hardware e software: qual é a diferença?

Uma das primeiras distinções da informática é entre hardware e software.

Hardware

Hardware corresponde aos componentes físicos de um equipamento.

São exemplos:

processador;

memória RAM;

SSD;

placa-mãe;

monitor;

teclado;

mouse;

webcam;

microfone;

impressora;

roteador.

O processador executa instruções e realiza grande parte do processamento necessário ao funcionamento do sistema.

A memória RAM mantém temporariamente dados e programas que estão sendo utilizados naquele momento. Diferentemente do armazenamento em SSD ou HD, seu conteúdo normalmente não é preservado quando o equipamento é desligado.

Já SSDs e HDs são utilizados para armazenamento persistente de arquivos e programas.

Software

Software corresponde aos programas, sistemas e instruções executados pelos dispositivos.

São exemplos:

Windows;

Linux;

macOS;

LibreOffice;

Microsoft 365;

navegadores;

aplicativos de mensagens;

sistemas empresariais;

sistemas acadêmicos.

Hardware e software trabalham juntos.

Um programa precisa dos recursos físicos do equipamento, enquanto o hardware precisa de software para realizar atividades úteis para quem utiliza o computador.

Dispositivos de entrada e saída

Também podemos classificar equipamentos de acordo com a maneira como participam da comunicação com o computador.

Um dispositivo de entrada envia informações para o sistema.

Exemplos:

teclado;

mouse;

microfone;

scanner;

webcam.

Um dispositivo de saída apresenta informações produzidas pelo sistema.

Exemplos:

monitor;

caixas de som;

projetor;

impressora.

Alguns dispositivos podem desempenhar as duas funções.

Uma tela sensível ao toque, por exemplo, apresenta informações e também recebe comandos.

Um dispositivo de armazenamento externo pode receber e fornecer dados.

Essa classificação é útil para compreender o fluxo básico:

entrada → processamento → saída

O que é software livre?

O conceito de software livre não significa simplesmente “programa gratuito”.

Segundo a definição do Projeto GNU, software livre é aquele que respeita determinadas liberdades de quem utiliza o programa: executar o software, estudar como ele funciona, modificá-lo, redistribuir cópias e distribuir versões modificadas. O acesso ao código-fonte é necessário para algumas dessas liberdades.

Por isso:

gratuito não significa necessariamente software livre

e

software livre pode envolver atividades comerciais.

Também não é correto concluir que software livre seja automaticamente mais ou menos seguro que software proprietário.

Segurança depende de fatores como desenvolvimento, manutenção, configuração, atualizações, arquitetura e maneira como o sistema é utilizado.

A escolha entre diferentes soluções deve considerar as necessidades da organização.

LibreOffice: uma suíte de produtividade

Um dos exemplos mais conhecidos de software livre utilizado em escritórios e instituições de ensino é o LibreOffice.

Atualmente, a suíte reúne seis aplicações principais.

Writer — documentos de texto.

Calc — planilhas eletrônicas.

Impress — apresentações.

Draw — desenhos, diagramas e elementos gráficos.

Base — trabalho com bancos de dados.

Math — criação e edição de fórmulas matemáticas.

Essas ferramentas procuram atender diferentes necessidades acadêmicas e administrativas.

O importante não é necessariamente escolher uma única suíte para toda a carreira, mas compreender os conceitos utilizados por essas ferramentas.

Uma pessoa que entende estilos, planilhas, apresentações e bancos de dados consegue adaptar-se com muito mais facilidade a outros programas.

Gerenciador de arquivos

Um gerenciador de arquivos permite visualizar, organizar e administrar arquivos e pastas armazenados no dispositivo ou em locais acessíveis por ele.

No Windows, temos o Explorador de Arquivos.

No macOS, o Finder.

Em sistemas Linux existem diferentes alternativas.

Com essas ferramentas podemos:

criar pastas;

copiar arquivos;

mover documentos;

renomear;

pesquisar;

excluir;

restaurar;

acessar unidades externas;

visualizar propriedades.

Alguns atalhos aparecem em inúmeros programas:

Ctrl + C — copiar;

Ctrl + X — recortar;

Ctrl + V — colar;

Ctrl + Z — desfazer;

Ctrl + A — selecionar tudo.

Mais importante do que memorizar todos os comandos é manter uma estrutura organizada de documentos.

O que é um arquivo?

Um arquivo é uma unidade de informação armazenada em determinado meio digital.

Pode conter:

texto;

imagem;

áudio;

vídeo;

dados;

planilhas;

apresentações;

programas.

Os arquivos normalmente possuem um nome e uma extensão.

Por exemplo:

relatorio.pdf

Nesse caso:

relatorio é o nome;

.pdf é a extensão.

Ao contrário do que alguns materiais antigos ensinavam, uma extensão não precisa possuir exatamente três letras.

Existem extensões com diferentes tamanhos, como:

.docx

.xlsx

.odt

.html

.jpeg

.json

.webp

A extensão ajuda o sistema a identificar o formato e quais programas podem trabalhar com aquele arquivo.

Compactação de arquivos

Compactar arquivos pode ajudar a reduzir o espaço utilizado ou reunir vários itens em um único pacote.

Um formato bastante conhecido é:

.zip

Por exemplo, uma pasta contendo cinquenta documentos pode ser transformada em:

documentos.zip

Isso facilita o armazenamento e o compartilhamento.

É importante diferenciar arquivos compactados para arquivamento de formatos que utilizam técnicas próprias de compressão.

JPEG, PNG e MP3, por exemplo, aplicam métodos de compressão aos tipos de conteúdo que representam, mas não desempenham exatamente a mesma função de um arquivo ZIP contendo diversos documentos.

Download e upload

Esses dois conceitos aparecem constantemente.

Download é receber ou transferir dados de um sistema remoto para seu dispositivo.

Exemplos:

baixar um PDF;

salvar uma imagem;

obter um programa.

Upload é enviar dados do seu dispositivo para outro sistema.

Exemplos:

anexar um trabalho;

enviar uma fotografia;

colocar um documento na nuvem.

Uma forma simples de lembrar:

download → recebe

upload → envia

Plugins e extensões de navegador

Durante muitos anos, navegadores dependiam de plugins externos para executar determinados conteúdos.

Java, Flash Player e outros componentes eram frequentemente mencionados em cursos de informática.

Esse cenário mudou.

A MDN registra que plugins tradicionais de navegador se tornaram obsoletos e deixaram de ser suportados pelos principais navegadores. O Adobe Flash Player é provavelmente o exemplo mais conhecido dessa tecnologia antiga.

Atualmente encontramos com maior frequência as extensões de navegador.

Elas podem adicionar ou modificar funcionalidades, como:

verificadores de texto;

gerenciadores de senhas;

ferramentas de acessibilidade;

bloqueadores;

recursos de produtividade.

As extensões atuais utilizam tecnologias como WebExtensions, com compatibilidade entre vários navegadores modernos.

Como uma extensão pode solicitar permissões sobre sua navegação, instale apenas ferramentas necessárias e provenientes de fontes confiáveis.

Processadores de texto

Programas como LibreOffice Writer, Microsoft Word, Google Docs e Apple Pages permitem criar documentos estruturados.

Mais do que digitar, vale aprender a utilizar:

estilos;

títulos;

cabeçalhos e rodapés;

numeração;

tabelas;

imagens;

sumários automáticos;

comentários;

controle de alterações;

exportação para PDF;

recursos de acessibilidade.

Essas ferramentas serão úteis para relatórios, projetos, trabalhos acadêmicos, TCCs, documentos administrativos e diversas outras atividades.

Planilhas eletrônicas

Programas como LibreOffice Calc, Microsoft Excel e Google Sheets permitem organizar dados, realizar cálculos e desenvolver análises.

Algumas funções básicas que vale conhecer são:

SOMA

MÉDIA

MÁXIMO

MÍNIMO

SE

CONT.SE

Mas dominar planilhas não significa apenas conhecer fórmulas.

É importante aprender também:

estruturação de dados;

referências relativas e absolutas;

filtros;

ordenação;

validação de dados;

formatação condicional;

gráficos;

tabelas dinâmicas;

análise de cenários.

A planilha se torna especialmente interessante para Administração quando deixa de ser apenas uma tabela e passa a ajudar na interpretação de informações.

Apresentações

O LibreOffice Impress, Microsoft PowerPoint, Google Slides e outras ferramentas são utilizadas para produzir apresentações.

Uma boa apresentação não deve funcionar como um documento inteiro projetado na tela.

Ela deve apoiar a comunicação.

Por isso, procure:

reduzir blocos extensos de texto;

utilizar títulos claros;

criar hierarquia visual;

apresentar gráficos compreensíveis;

usar imagens quando acrescentarem informação;

manter contraste adequado;

pensar na acessibilidade;

adaptar o conteúdo ao público.

A tecnologia ajuda a apresentar.

Mas é a estrutura das ideias que determina se a apresentação será compreendida.

Bancos de dados

Um banco de dados permite organizar conjuntos estruturados de informações que possuem relações entre si.

Para estudantes de Administração, vale compreender pelo menos:

tabela — reúne registros;

campo — representa uma característica;

registro — representa uma ocorrência;

chave primária — identifica unicamente um registro;

chave estrangeira — relaciona tabelas;

consulta — recupera determinadas informações;

formulário — facilita a entrada de dados;

relatório — apresenta informações organizadas.

O LibreOffice Base é uma das ferramentas que permite explorar esses conceitos.

Bancos de dados estão por trás de grande parte dos sistemas de gestão utilizados pelas organizações.

LibreOffice Math

O LibreOffice Math é utilizado principalmente para criar fórmulas matemáticas.

Pode trabalhar integrado a documentos do Writer e a outras aplicações da suíte.

Ele é especialmente útil quando um trabalho acadêmico precisa apresentar expressões matemáticas com uma formatação mais apropriada.

O LibreOffice continua oferecendo Math como um dos seis componentes principais da suíte.

Ambientes Virtuais de Aprendizagem

Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem — AVAs são plataformas utilizadas para organizar atividades educacionais em ambientes digitais.

Um dos exemplos mais conhecidos é o Moodle.

O Moodle se apresenta atualmente como um sistema de gestão da aprendizagem — LMS, Learning Management System — livre e de código aberto, permitindo criar ambientes com cursos, atividades e recursos voltados à aprendizagem colaborativa.

Um AVA pode oferecer:

materiais;

fóruns;

tarefas;

questionários;

avaliações;

calendários;

comunicação;

acompanhamento das atividades.

Ele pode ser utilizado tanto na educação a distância quanto como complemento de atividades presenciais.

Protocolos e TCP/IP

Um protocolo de rede estabelece regras utilizadas para a comunicação entre sistemas.

Um dos conjuntos mais importantes da Internet é o TCP/IP.

TCP significa:

Transmission Control Protocol

IP:

Internet Protocol

Aqui existe uma correção importante em relação a materiais antigos:

TCP/IP não é um “software livre”.

É um conjunto de protocolos e padrões de comunicação implementado por inúmeros sistemas e dispositivos.

O conceito de software livre se refere às liberdades associadas ao software e à sua licença, não a protocolos de comunicação.

Endereços IP

Dispositivos conectados às redes utilizam endereços IP para que informações possam ser encaminhadas.

Existem atualmente duas versões amplamente conhecidas:

IPv4

e

IPv6

Também não é correto afirmar simplesmente que “todo computador possui um único IP exclusivo para sempre”.

Os endereços podem ser públicos ou privados, fixos ou temporários, e diferentes dispositivos de uma rede residencial podem compartilhar externamente um mesmo endereço IPv4 público por mecanismos como NAT.

Para uma introdução à informática, basta compreender que o IP participa da identificação e do encaminhamento de informações em redes.

Códigos maliciosos

Um dos pontos mais importantes da informática atual é a segurança.

Malware é um termo geral utilizado para programas ou códigos desenvolvidos com comportamento malicioso.

Entre os tipos que você pode encontrar estão:

vírus;

worms;

trojans;

spyware;

ransomware;

keyloggers.

Um vírus normalmente depende de algum arquivo ou programa hospedeiro para se propagar.

Um worm possui capacidade de propagação pela rede.

Um trojan — cavalo de Troia procura aparentar alguma função legítima enquanto executa ações maliciosas.

Um spyware busca monitorar atividades e coletar informações.

Um keylogger registra entradas realizadas pelo teclado ou outros mecanismos de captura.

Um ransomware pode tornar dados inacessíveis, frequentemente utilizando criptografia, e exigir pagamento para tentar restabelecer o acesso. O CERT.br mantém materiais atualizados específicos sobre códigos maliciosos, ransomware, phishing, autenticação e outros temas de segurança.

Hacker, cracker e outras classificações

Materiais antigos de informática frequentemente apresentavam listas rígidas como:

“hacker = pessoa boa”

“cracker = invasor criminoso”

“lammer = iniciante”

Essa classificação não ajuda muito a compreender a segurança digital atual.

O termo hacker possui diferentes usos e contextos.

Uma pessoa pode atuar legalmente em segurança ofensiva, pesquisa de vulnerabilidades e testes autorizados.

Também existem atacantes que realizam acessos sem autorização.

O ponto importante não é o rótulo.

É perguntar:

existe autorização para realizar aquela atividade?

Acesso não autorizado, roubo de credenciais, fraude e invasão de sistemas são questões de segurança e podem também envolver consequências jurídicas.

Como se proteger

Segurança não depende apenas de instalar um antivírus.

Uma proteção adequada envolve várias camadas.

Utilize senhas fortes e diferentes.

Ative autenticação em dois fatores.

Mantenha sistemas e aplicativos atualizados.

Faça backups.

Desconfie de mensagens inesperadas.

Verifique links antes de clicar.

Instale programas apenas de fontes confiáveis.

Bloqueie o computador quando se afastar.

Proteja informações pessoais e profissionais.

Revise as permissões concedidas aos aplicativos.

O CERT.br mantém a Cartilha de Segurança para Internet com orientações sobre dispositivos, contas, dados, golpes, fraudes, autenticação e proteção de informações.

O que aconteceu com a “Web 2.0”?

Durante os anos 2000, a expressão Web 2.0 tornou-se popular para descrever uma Web mais participativa.

Blogs, wikis, redes sociais, plataformas colaborativas e conteúdos produzidos pelas próprias pessoas usuárias contrastavam com os primeiros sites predominantemente estáticos.

Esse processo foi importante.

Mas hoje a expressão é menos necessária para explicar a Internet cotidiana.

Colaboração, publicação de conteúdo, aplicativos Web, redes sociais e serviços online simplesmente fazem parte da maneira como utilizamos a Web.

Em vez de perguntar se determinada ferramenta pertence à “Web 2.0”, é mais útil compreender como os serviços digitais funcionam e como utilizá-los.

Computação em nuvem

Outro conceito que cresceu bastante foi o de computação em nuvem — cloud computing.

A nuvem não é simplesmente “um lugar na Internet onde guardamos arquivos”.

Segundo a definição do NIST, trata-se de um modelo que permite acesso sob demanda, por rede, a um conjunto compartilhado de recursos computacionais configuráveis, como armazenamento, servidores, redes, aplicações e serviços.

Por isso, utilizar a nuvem pode significar:

armazenar arquivos;

utilizar um sistema empresarial;

editar documentos;

executar aplicativos;

hospedar sites;

utilizar capacidade de processamento;

disponibilizar bancos de dados.

O NIST diferencia três modelos muito conhecidos:

SaaS — Software as a Service

PaaS — Platform as a Service

IaaS — Infrastructure as a Service.

Para a(o) estudante de Administração, o modelo mais visível costuma ser o SaaS.

Nesse caso, o software é disponibilizado como serviço e acessado normalmente pela Internet.

Computação em nuvem não elimina os cuidados com arquivos

Armazenar um documento na nuvem não significa que ele esteja automaticamente protegido contra qualquer problema.

Ainda precisamos pensar em:

controle de acesso;

senhas;

autenticação;

backup;

histórico de versões;

permissões;

privacidade;

classificação das informações.

Em uma organização, também devem ser considerados contratos, localização e tratamento dos dados, disponibilidade dos serviços e políticas de segurança.

Tecnologia em nuvem é uma ferramenta.

Ela precisa ser administrada.

E a inteligência artificial?

Uma atualização contemporânea de informática básica também precisa considerar a inteligência artificial.

Ferramentas de IA já podem ser utilizadas para:

auxiliar na redação;

organizar informações;

analisar textos;

explorar dados;

criar estruturas iniciais;

automatizar atividades;

apoiar pesquisas.

Mas essas ferramentas não devem ser tratadas como fontes infalíveis.

É necessário verificar resultados, proteger informações confidenciais, avaliar fontes e respeitar regras acadêmicas e institucionais.

IA é mais uma camada do ambiente digital que administradoras(es) precisam aprender a utilizar com senso crítico.

Informática básica hoje significa autonomia digital

Há alguns anos, um curso de informática básica poderia concentrar-se em ensinar onde ficava o botão “Salvar”, como formatar um disquete ou qual menu abrir para alterar o papel de parede.

Esses conhecimentos envelheciam quando a interface mudava.

Hoje faz mais sentido desenvolver competências que sobrevivam às mudanças dos programas.

Você precisa saber:

o que deseja fazer;

que tipo de ferramenta pode resolver o problema;

como organizar as informações;

como aprender um novo sistema;

como proteger seus dados;

como verificar os resultados produzidos.

Os programas continuarão mudando.

Novos dispositivos aparecerão.

Serviços serão substituídos.

A inteligência artificial continuará transformando ferramentas.

Mas quem compreende os conceitos consegue adaptar-se.

Para quem estuda Administração

Informática não é uma disciplina isolada da gestão.

Ela aparece em praticamente todas as áreas.

Gestão financeira utiliza sistemas e planilhas.

Marketing trabalha com plataformas e dados.

Recursos Humanos utiliza sistemas de pessoas.

Logística depende de informação integrada.

Planejamento utiliza indicadores.

Administração Pública utiliza processos e serviços digitais.

Gestão de projetos utiliza plataformas colaborativas.

Tomada de decisão depende cada vez mais de informações produzidas e processadas digitalmente.

Por isso, o objetivo deste compêndio não é transformar uma(um) estudante de Administração em profissional de Tecnologia da Informação.

É fornecer uma base para que consiga compreender, utilizar, avaliar e aprender ferramentas digitais ao longo da formação e da carreira.

Informática básica deixou de significar apenas saber operar um computador. Hoje, significa possuir autonomia para trabalhar, aprender, comunicar-se e tomar decisões em um ambiente cada vez mais digital.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Internet: conceitos básicos para estudar, trabalhar e navegar com segurança


Internet: conceitos básicos para estudar, trabalhar e navegar com segurança



A internet está tão presente em nossas atividades cotidianas que muitas vezes utilizamos seus recursos sem pensar no que acontece por trás da tela.

Estudar, enviar documentos, acessar sistemas acadêmicos, participar de reuniões, utilizar serviços bancários, realizar compras, acompanhar processos, armazenar arquivos, trabalhar em equipe e pesquisar informações são apenas alguns exemplos.

Para estudantes de Administração, compreender algumas noções básicas sobre o funcionamento da internet ajuda não apenas na utilização das ferramentas digitais, mas também no entendimento dos sistemas e serviços utilizados pelas organizações.

Não é necessário conhecer todos os detalhes técnicos.

Mas vale compreender conceitos como Internet, Web, navegador, endereço IP, domínio, URL, servidor, provedor, download, upload e computação em nuvem.

Como surgiu a internet?

A história da internet não pode ser resumida a uma única invenção ou a uma única data.

Durante a década de 1960, diferentes grupos de pesquisa estudavam maneiras de permitir a comunicação entre computadores por meio de redes e da chamada comutação de pacotes.

Um dos projetos mais importantes foi financiado pela Advanced Research Projects Agency (ARPA), dos Estados Unidos.

Em 1969, entrou em funcionamento a ARPANET.

Seu primeiro nó foi instalado na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Pouco depois, Stanford Research Institute, Universidade da Califórnia em Santa Barbara e Universidade de Utah também passaram a integrar a rede.

Ao final daquele ano, quatro computadores estavam conectados. (internetsociety.org)

Por isso, 1969 costuma aparecer como uma data marcante na história da internet.

Mas a ARPANET ainda não era a Internet atual.

Quando surgiu a Internet como conhecemos?

Outro momento decisivo aconteceu com o desenvolvimento do conjunto de protocolos conhecido como:

TCP/IP — Transmission Control Protocol / Internet Protocol

Esses protocolos permitiram que diferentes redes se comunicassem entre si.

Em 1º de janeiro de 1983, a ARPANET realizou a migração para TCP/IP. Esse momento é frequentemente apontado como um marco na consolidação da arquitetura que deu origem à Internet moderna. (internetsociety.org)

A grande ideia estava justamente em permitir a comunicação entre redes diferentes.

Daí vem uma boa maneira de compreender o termo:

Internet = rede de redes.

Internet e Web não são a mesma coisa

Essa diferença é muito importante.

A Internet é a infraestrutura global que interliga redes e dispositivos.

A World Wide Web — WWW ou simplesmente Web é um dos serviços que utiliza essa infraestrutura.

A Web foi criada pelo cientista britânico Tim Berners-Lee, enquanto trabalhava no CERN, na Europa.

A proposta surgiu em 1989 como uma maneira de facilitar o compartilhamento de informações entre pesquisadoras(es).

No final de 1990, Berners-Lee já havia desenvolvido o primeiro servidor Web e o primeiro navegador. Em 1993, o CERN colocou o software da Web em domínio público, contribuindo para sua rápida disseminação. (home.cern)

Portanto:

Internet ≠ Web

A Web funciona utilizando a Internet.

Também utilizamos a Internet para diversas outras atividades.

O que é a Internet?

Podemos pensar na Internet como um enorme conjunto de redes interconectadas que utilizam protocolos comuns para trocar informações.

Essa comunicação ocorre por diferentes meios físicos e tecnologias, incluindo:

  • cabos de fibra óptica;

  • cabos submarinos;

  • redes móveis;

  • redes Wi-Fi;

  • conexões via satélite;

  • redes corporativas;

  • centros de dados;

  • roteadores.

Quando você acessa uma página localizada em outro país, seus dados podem passar por diferentes redes antes de chegar ao destino.

A Internet não pertence a uma única empresa ou organização.

Ela funciona por meio da interconexão de inúmeras redes independentes.

O que é um provedor de Internet?

Para acessar a Internet, normalmente precisamos utilizar os serviços de uma empresa que oferece conectividade.

Essas empresas são chamadas de:

ISP — Internet Service Provider

ou

provedor de acesso à Internet.

Uma operadora de fibra óptica ou telefonia móvel, por exemplo, pode atuar como seu provedor.

Ela conecta sua residência, empresa ou dispositivo à infraestrutura mais ampla da Internet.

Atualmente, essa conexão pode acontecer por diferentes tecnologias, como:

  • fibra óptica;

  • cabo;

  • redes móveis 4G e 5G;

  • rádio;

  • satélite.

A velocidade e a qualidade da conexão podem variar de acordo com a tecnologia, o plano contratado, a infraestrutura e outros fatores.

O que acontece quando você acessa um site?

Imagine que você digite no navegador:

www.admguia.com

Diversas operações acontecem em poucos instantes.

De maneira bastante simplificada:

1. Você informa o endereço.

2. O computador precisa descobrir onde aquele domínio está localizado.

3. O sistema consulta informações do DNS.

4. O domínio é associado ao endereço IP correspondente.

5. Sua solicitação percorre redes e roteadores.

6. Um servidor recebe o pedido.

7. O servidor envia os dados necessários.

8. O navegador interpreta esses dados.

9. A página aparece na tela.

Para quem está utilizando a Web, tudo isso parece quase instantâneo.

O que é endereço IP?

Computadores e dispositivos conectados a redes utilizam endereços para permitir o encaminhamento das informações.

Um desses identificadores é o endereço IP — Internet Protocol.

Ele funciona de maneira semelhante a um endereço utilizado para localizar determinado destino na rede.

Existem atualmente duas versões muito conhecidas:

IPv4

e

IPv6

Os endereços IP são adequados para máquinas, mas nem sempre são fáceis de memorizar pelas pessoas.

É aí que entra outro recurso muito importante.

O que é DNS?

O DNS — Domain Name System ajuda a transformar nomes de domínio compreensíveis pelas pessoas em endereços utilizados pela infraestrutura da Internet.

Imagine ter que decorar uma sequência numérica sempre que desejasse acessar determinado site.

Em vez disso, utilizamos:

admguia.com

gov.br

cnpq.br

O DNS ajuda a localizar os endereços relacionados a esses nomes.

A ICANN utiliza uma comparação bastante simples: o DNS funciona como uma espécie de lista de endereços da Internet, conectando os nomes utilizados pelas pessoas aos endereços IP utilizados pelos dispositivos. (icann.org)

O que é domínio?

Um nome de domínio é uma identificação textual utilizada para localizar recursos na Internet.

No endereço:

admguia.com

temos:

admguia → nome registrado;

.com → domínio de primeiro nível, chamado de TLD (Top-Level Domain).

No endereço:

gov.br

o .br está associado ao código de país do Brasil.

Existem muitos tipos de TLDs atualmente.

Entre os conhecidos estão:

  • .com;

  • .org;

  • .net;

  • .edu;

  • .gov;

  • .br.

Mas é importante não interpretar essas terminações de maneira excessivamente rígida.

A estrutura mundial de domínios se expandiu bastante e atualmente existem muitos outros domínios de primeiro nível. O DNS possui uma estrutura hierárquica e é coordenado por diferentes organizações e registros. (icann.org)

O que é uma URL?

URL significa:

Uniform Resource Locator

Uma URL é o endereço utilizado para localizar determinado recurso na Web. (developer.mozilla.org)

Veja este exemplo:

https://www.exemplo.com/artigos/administracao?ano=2026#introducao

Podemos identificar diferentes partes.

https

É o esquema utilizado para indicar como aquele recurso será acessado.

www.exemplo.com

É o endereço do host, associado ao domínio.

/artigos/administracao

É o caminho para determinado recurso.

?ano=2026

É uma consulta ou conjunto de parâmetros que pode ser enviado ao servidor.

#introducao

É um fragmento que pode indicar uma seção específica dentro do recurso.

Nem toda URL precisa possuir todas essas partes. (developer.mozilla.org)

HTTP e HTTPS

Você provavelmente observa endereços começando por:

http://

ou

https://

HTTP significa:

Hypertext Transfer Protocol

É um protocolo utilizado na comunicação entre navegadores e servidores Web.

HTTPS utiliza uma camada de proteção criptográfica para ajudar a proteger a comunicação.

Atualmente, ao acessar serviços que envolvem login, pagamentos ou informações pessoais, espere encontrar conexões protegidas por HTTPS.

Mas atenção:

o cadeado ou o HTTPS não significa que determinado site seja necessariamente confiável.

Um site utilizado para golpe também pode possuir HTTPS.

Ele indica principalmente que a comunicação entre seu dispositivo e aquele servidor está protegida.

O que é um servidor?

Um erro comum é imaginar que servidor seja simplesmente “o computador que controla o acesso da rede à Internet”.

O conceito é diferente.

Um servidor é um sistema que fornece determinado serviço ou recurso para outros sistemas, chamados clientes.

Um servidor pode, por exemplo:

  • hospedar páginas Web;

  • armazenar arquivos;

  • administrar bancos de dados;

  • fornecer e-mails;

  • executar sistemas corporativos;

  • autenticar pessoas usuárias.

Ele pode ser uma máquina física, uma máquina virtual ou parte de uma infraestrutura em nuvem.

Quando seu navegador solicita uma página, ele atua como cliente e solicita recursos a um servidor Web.

E o roteador?

O roteador possui outra função.

Ele ajuda a encaminhar pacotes entre diferentes redes.

Em uma residência, o aparelho fornecido pela operadora pode reunir várias funções em um único equipamento:

  • modem ou terminal de conexão;

  • roteador;

  • ponto de acesso Wi-Fi;

  • firewall básico.

Por isso, às vezes parece que um único aparelho “faz tudo”.

Mas são funções diferentes.

O que é um navegador?

O navegador Web — browser — é o programa utilizado para acessar e interagir com conteúdos da Web.

Entre os navegadores conhecidos estão:

  • Google Chrome;

  • Microsoft Edge;

  • Mozilla Firefox;

  • Safari;

  • Opera;

  • Brave.

O navegador recebe os recursos enviados pelos servidores e os apresenta de maneira compreensível para quem está utilizando o dispositivo.

Ele também permite:

  • abrir várias abas;

  • salvar favoritos;

  • realizar downloads;

  • gerenciar senhas;

  • visualizar histórico;

  • utilizar extensões;

  • controlar permissões de sites;

  • navegar em diferentes páginas.

Site e página Web

Também existe diferença entre site e página Web.

Uma página Web é um documento ou recurso individual disponível na Web.

Um site é um conjunto organizado de páginas e outros recursos relacionados.

Imagine um livro.

A página Web seria semelhante a uma página ou capítulo.

O site seria semelhante ao conjunto da publicação.

Navegar não é o mesmo que pesquisar

Saber acessar a Internet não significa automaticamente saber encontrar boas informações.

Uma das competências digitais mais importantes atualmente é a pesquisa.

Mecanismos de busca ajudam a localizar conteúdos espalhados pela Web.

Entre eles estão Google, Bing e outros serviços.

Muitos mecanismos que apareciam em listas antigas, como AltaVista e Cadê, desapareceram ou foram incorporados a outras empresas.

Mais importante do que decorar uma lista de buscadores é aprender a pesquisar melhor.

Como fazer pesquisas melhores?

Em vez de pesquisar:

administração

tente especificar:

planejamento estratégico administração pública

Quanto mais clara for a intenção, melhores tendem a ser os resultados.

Existem também operadores úteis.

Pesquisar uma expressão exata

Utilize aspas:

"planejamento estratégico"

Pesquisar dentro de determinado site

Utilize:

site:gov.br administração pública

Excluir determinado termo

Utilize:

administração -futebol

O Google mantém oficialmente operadores como aspas, site: e o sinal de menos para refinar pesquisas. (support.google.com)

Mas pesquisar bem não termina quando o resultado aparece.

Avalie a fonte

Antes de utilizar uma informação em um trabalho acadêmico ou decisão profissional, pergunte:

Quem publicou?

Quando foi publicado?

Existe autoria identificada?

Quais fontes sustentam a informação?

É um órgão oficial?

É uma instituição acadêmica?

A informação continua atual?

Outras fontes confiáveis confirmam o dado?

Um resultado aparecer no topo de um mecanismo de busca não significa automaticamente que seja a melhor fonte.

Download e upload

Esses dois termos aparecem o tempo todo.

Download

Significa receber ou transferir um arquivo de um sistema remoto para seu dispositivo.

Exemplos:

  • baixar um PDF;

  • salvar uma imagem;

  • baixar uma planilha;

  • receber um arquivo de um serviço online.

Upload

É o movimento contrário.

Significa enviar dados do seu dispositivo para determinado serviço.

Exemplos:

  • anexar um trabalho no ambiente virtual de aprendizagem;

  • enviar uma fotografia;

  • colocar um documento em armazenamento na nuvem;

  • enviar um vídeo para uma plataforma.

Uma maneira simples de lembrar:

download → recebe

upload → envia

A nuvem mudou a maneira de utilizar a Internet

Muitos serviços que antes dependiam de programas instalados e arquivos guardados apenas no computador passaram a funcionar por meio da chamada computação em nuvem.

Hoje podemos:

  • editar documentos online;

  • guardar arquivos;

  • compartilhar pastas;

  • trabalhar simultaneamente em uma planilha;

  • utilizar sistemas empresariais;

  • realizar reuniões;

  • acessar ferramentas de inteligência artificial;

  • administrar projetos.

Tudo isso pode envolver servidores e centros de dados localizados longe do dispositivo utilizado.

Para quem estuda Administração, essa transformação é particularmente importante porque grande parte dos sistemas organizacionais atuais pode ser disponibilizada dessa maneira.

E-mail continua importante

Apesar do crescimento das plataformas de mensagens instantâneas, o e-mail continua sendo muito utilizado na comunicação acadêmica e profissional.

Um endereço pode seguir esta estrutura:

nome@dominio.com

O símbolo @ separa a identificação da conta do domínio responsável pelo serviço.

O e-mail pode ser utilizado para:

  • mensagens institucionais;

  • envio de documentos;

  • notificações;

  • confirmações;

  • processos seletivos;

  • comunicação acadêmica;

  • registros profissionais.

No ambiente profissional, é importante observar assunto, clareza, anexos, destinatárias(os) e linguagem adequada.

A Internet hoje vai muito além de sites e e-mails

Listas de discussão, fóruns e blogs continuam existindo, mas a variedade de serviços cresceu enormemente.

Atualmente utilizamos a Internet para:

  • redes sociais;

  • streaming;

  • videoconferências;

  • comércio eletrônico;

  • serviços bancários;

  • serviços públicos digitais;

  • educação a distância;

  • armazenamento em nuvem;

  • plataformas colaborativas;

  • gestão de projetos;

  • sistemas empresariais;

  • mapas e localização;

  • inteligência artificial;

  • publicação de conteúdo;

  • jogos online;

  • atendimento ao cliente.

Para organizações, a Internet deixou de ser apenas um meio de comunicação.

Ela integra parte da infraestrutura de muitas atividades.

Segurança deve fazer parte da navegação

A Internet oferece muitas possibilidades, mas também exige cuidados.

Algumas práticas importantes são:

  • utilizar senhas fortes e diferentes;

  • ativar autenticação em dois fatores;

  • manter sistemas atualizados;

  • evitar links suspeitos;

  • verificar remetentes;

  • desconfiar de mensagens que criam urgência;

  • fazer backups;

  • controlar permissões de aplicativos;

  • evitar compartilhar informações desnecessariamente;

  • verificar o endereço do site antes de informar dados;

  • manter atenção a golpes e fraudes.

O CERT.br mantém uma Cartilha de Segurança para Internet atualizada, com orientações sobre proteção de dispositivos, contas, dados, golpes, fraudes e outros riscos. (cartilha.cert.br)

Wi-Fi público merece atenção

Redes de hotéis, aeroportos, restaurantes, universidades e outros espaços podem ser úteis, mas exigem cuidados.

Evite presumir que uma rede é confiável apenas porque possui o nome do estabelecimento.

Golpistas podem criar redes com nomes semelhantes.

Também evite compartilhar arquivos ou deixar recursos desnecessários de descoberta de dispositivos ativados.

Para atividades sensíveis, prefira conexões e serviços protegidos e confirme sempre se está utilizando o endereço correto.

Cuidado com os links

Antes de clicar, observe o endereço.

Compare:

banco.com.br

com

banco-seguranca-premio.exemplo.net

A presença da palavra “banco” não significa que aquele domínio pertença ao banco.

Observe principalmente o domínio real.

Golpes frequentemente utilizam nomes semelhantes, erros ortográficos ou subdomínios para tentar confundir as pessoas.

A Internet também exige responsabilidade sobre a informação

Outro desafio contemporâneo é a enorme quantidade de conteúdos disponíveis.

Informação falsa também circula rapidamente.

Antes de compartilhar uma notícia:

  • procure a fonte original;

  • confira a data;

  • leia além do título;

  • compare com outras fontes;

  • verifique se imagens estão fora de contexto;

  • tenha cuidado com capturas de tela sem origem identificada.

Essa competência é importante para qualquer pessoa e também para futuras(os) profissionais de Administração, que precisarão tomar decisões apoiadas em informações confiáveis.

Para quem estuda Administração

Você não precisa compreender todos os detalhes técnicos da infraestrutura da Internet.

Mas deveria conhecer os principais conceitos e conseguir utilizar a rede com autonomia.

Procure desenvolver capacidade para:

  • navegar;

  • pesquisar;

  • avaliar fontes;

  • fazer downloads e uploads;

  • utilizar serviços em nuvem;

  • compartilhar arquivos;

  • trabalhar colaborativamente;

  • participar de reuniões online;

  • utilizar sistemas institucionais;

  • proteger contas;

  • reconhecer golpes;

  • administrar informações digitais.

Essas competências acompanharão você durante a graduação e provavelmente durante toda a vida profissional.

Os programas mudam; os conceitos permanecem

Antigamente, aprender Internet frequentemente significava decorar botões do navegador:

Voltar

Avançar

Atualizar

Página inicial

Esses recursos continuam existindo, mas o aprendizado necessário hoje é muito mais amplo.

É preciso compreender como encontrar, avaliar, utilizar, produzir, compartilhar e proteger informações em ambientes digitais.

Navegadores vão mudar.

Serviços vão desaparecer.

Novas plataformas vão surgir.

A Internet continuará evoluindo.

Por isso, mais importante do que decorar o funcionamento de determinado programa é desenvolver autonomia para compreender novas ferramentas.

Utilizar bem a Internet não significa apenas estar conectado. Significa saber encontrar informações, avaliar fontes, comunicar-se, trabalhar, aprender e proteger seus dados de maneira consciente.

Gestão financeira para administradores: conceitos, ferramentas e decisões na prática

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