terça-feira, 14 de novembro de 2017

Planilhas eletrônicas na Administração: do básico à análise de dados


Planilhas eletrônicas na Administração: do básico à análise de dados



Planilhas eletrônicas estão entre as ferramentas digitais mais utilizadas na Administração.

Elas permitem organizar informações, realizar cálculos, acompanhar indicadores, comparar resultados, elaborar orçamentos, criar gráficos e apoiar diferentes tipos de análise.

Durante a graduação, você poderá utilizá-las em disciplinas de Matemática Financeira, Estatística, Contabilidade, Administração Financeira, Logística, Gestão de Pessoas, Pesquisa Operacional e várias outras áreas.

No ambiente profissional, as possibilidades aumentam ainda mais.

Uma planilha pode ajudar a acompanhar um fluxo de caixa, controlar despesas, organizar um cronograma, analisar vendas, acompanhar estoques, calcular indicadores, registrar informações de projetos ou preparar dados para um relatório gerencial.

Por isso, aprender a trabalhar com planilhas é uma das competências digitais mais úteis para quem estuda Administração.

O que é uma planilha eletrônica?

Uma planilha eletrônica é um software que organiza informações principalmente em uma estrutura formada por linhas e colunas.

O encontro entre uma linha e uma coluna forma uma célula.

É dentro das células que inserimos informações como:

texto;

números;

datas;

percentuais;

valores monetários;

fórmulas.

Cada célula possui um endereço.

A célula localizada na coluna A e na linha 1, por exemplo, é:

A1

A célula da coluna B e linha 5 é:

B5

E a da coluna H e linha 36:

H36

Esse sistema permite que uma fórmula utilize valores armazenados em diferentes partes da planilha.

Imagine:

A1 = 100

A2 = 250

A3 = 150

Em outra célula, podemos criar uma fórmula que some esses valores.

É nesse momento que a planilha deixa de ser apenas uma tabela e passa a funcionar como uma ferramenta de cálculo e análise.

Calc, Excel ou Google Sheets?

Existem diferentes programas de planilhas eletrônicas.

Entre os mais conhecidos estão o Microsoft Excel, o LibreOffice Calc e o Google Sheets — Planilhas Google.

O Excel faz parte do ecossistema Microsoft 365 e possui diversos recursos para fórmulas, tabelas, gráficos, tabelas dinâmicas, importação, transformação e análise de dados. A documentação atual da Microsoft organiza seus recursos justamente em áreas como fórmulas, formatação, importação e análise.

O Google Sheets possui forte integração com o trabalho online, permitindo compartilhamento, diferentes níveis de permissão, comentários, histórico de versões e edição colaborativa.

Já o LibreOffice Calc é um programa livre e de código aberto que oferece recursos desde operações básicas até funções avançadas, gráficos e análise de cenários.

Para aprender os conceitos apresentados neste texto, qualquer uma dessas ferramentas pode ser utilizada.

Os menus mudam.

Algumas funções mudam de nome.

Certos recursos são exclusivos de determinada plataforma.

Mas os principais conceitos permanecem muito semelhantes.

Por que vamos utilizar o LibreOffice Calc como referência?

O Calc possui uma vantagem especialmente interessante para estudantes e instituições: pode ser utilizado sem a necessidade de aquisição de uma licença comercial.

Seu formato padrão para planilhas é o OpenDocument Spreadsheet, identificado pela extensão:

.ods

O LibreOffice também pode abrir e salvar arquivos utilizados pelo Microsoft Excel, incluindo .xls e .xlsx.

Isso facilita a troca de arquivos entre diferentes ambientes.

Ainda assim, documentos muito complexos podem apresentar diferenças quando são abertos em programas distintos. Portanto, quando várias pessoas trabalham no mesmo arquivo, é recomendável combinar previamente qual formato e qual aplicativo serão utilizados.

Entenda a estrutura antes das fórmulas

Uma planilha normalmente possui uma ou mais folhas.

Cada folha pode conter milhares de células organizadas por linhas e colunas.

Um arquivo de controle financeiro poderia, por exemplo, possuir folhas chamadas:

Receitas

Despesas

Fluxo de Caixa

Indicadores

Gráficos

Essa divisão ajuda a separar informações sem precisar criar vários arquivos diferentes.

Mas organização exige cuidado.

Criar vinte folhas sem uma lógica clara pode tornar o arquivo mais difícil de compreender do que manter poucas folhas bem estruturadas.

A primeira pergunta deve ser:

Que informação preciso registrar e para que vou utilizá-la?

Só depois pense na aparência.

Aprenda a organizar dados corretamente

Uma boa planilha começa antes das fórmulas.

Imagine um cadastro de vendas.

Uma estrutura adequada poderia ser:

DataClienteProdutoQuantidadeValor unitárioValor total
10/08/2026Cliente AProduto X3R$ 50,00R$ 150,00
11/08/2026Cliente BProduto Y2R$ 75,00R$ 150,00
12/08/2026Cliente CProduto X1R$ 50,00R$ 50,00

Cada coluna representa uma característica.

Cada linha representa um registro.

Essa estrutura facilita cálculos, filtros, ordenações, gráficos e tabelas dinâmicas.

Evite criar uma planilha apenas pensando em como ela ficará impressa.

Primeiro pense em como os dados precisam ser estruturados.

Fórmulas: onde começa o verdadeiro poder da planilha

As fórmulas permitem utilizar valores de outras células para produzir um resultado.

Normalmente, uma fórmula começa com:

=

Por exemplo:

=A1+B1

O programa entende que deve pegar o valor de A1, somar ao valor de B1 e apresentar o resultado.

Se um desses valores mudar, o resultado da fórmula também será recalculado.

É essa característica que torna as planilhas tão úteis.

Em vez de refazer cálculos manualmente, construímos uma lógica que pode ser reutilizada.

Funções que vale a pena aprender

As planilhas possuem funções prontas para diferentes tipos de cálculo.

Algumas das mais úteis para começar são:

FunçãoPara que serve
SOMASomar valores
MÉDIACalcular uma média
MÁXIMOEncontrar o maior valor
MÍNIMOEncontrar o menor valor
CONTAGEMContar valores
SERealizar uma operação de acordo com uma condição
SOMASESomar valores que atendam a um critério
CONT.SEContar registros que atendam a um critério

À medida que você avança, encontrará funções de pesquisa, texto, datas, estatística, finanças e diversas outras categorias.

A própria documentação atual do Excel apresenta exemplos de fórmulas condicionais, financeiras, estatísticas, de datas e de procura de informações.

Mas não tente decorar centenas de funções.

Aprenda primeiro a identificar o problema.

Depois procure a função adequada para resolvê-lo.

Referências relativas e absolutas

Este é um conceito que costuma causar confusão no início, mas faz muita diferença.

Imagine uma fórmula:

=A2*B2

Se você copiar essa fórmula para a linha seguinte, a planilha normalmente ajustará automaticamente:

=A3*B3

Isso é uma referência relativa.

Mas às vezes você quer que determinado endereço permaneça sempre igual.

Nesse caso utiliza-se uma referência absoluta, geralmente indicada com o símbolo $.

Por exemplo:

=$B$1

Ao copiar a fórmula, a referência continua apontando para B1.

Esse recurso é muito útil quando existe uma taxa, percentual, índice ou outro valor de referência que deve ser aplicado a várias linhas.

Copiar, colar e Colar Especial

Os conhecidos atalhos continuam muito úteis:

Ctrl + C — copiar

Ctrl + X — recortar

Ctrl + V — colar

Mas existe um recurso que merece atenção especial:

Colar Especial.

Imagine que uma célula contém uma fórmula, mas você deseja transportar apenas o resultado.

Ou deseja copiar apenas a formatação.

Ou apenas os números.

O Colar Especial permite escolher o que será transferido.

Esse recurso pode evitar muitos problemas em planilhas grandes.

Ordenar e filtrar dados

Imagine uma planilha com mil registros.

Você deseja visualizar somente:

vendas realizadas em agosto;

produtos de determinada categoria;

clientes de determinado estado;

despesas superiores a R$ 1.000;

atividades ainda não concluídas.

Não é necessário apagar ou esconder manualmente os demais registros.

Utilize filtros.

Ordenações também permitem reorganizar dados alfabeticamente, numericamente ou por data.

Essas ferramentas simples já possibilitam explorar uma base de informações com muito mais facilidade.

O Google Sheets, por exemplo, oferece filtros e visualizações de filtro que permitem analisar subconjuntos de dados sem necessariamente alterar a visualização de outras pessoas que estejam trabalhando no mesmo arquivo.

Formatação condicional

A formatação condicional permite alterar automaticamente a aparência de uma célula quando determinada condição ocorre.

Imagine um acompanhamento de orçamento.

Valores dentro do previsto podem receber determinado destaque.

Valores superiores ao limite podem receber outro.

O interessante não é colorir a planilha.

É fazer com que a formatação ajude a identificar situações que merecem atenção.

Também tenha cuidado com acessibilidade: nunca dependa exclusivamente da cor para comunicar uma informação importante.

Validação de dados

Outro recurso bastante útil é a validação de dados.

Imagine uma coluna chamada:

Situação

Em vez de permitir que cada pessoa escreva de uma forma:

Concluído

concluido

Concluída

OK

Finalizado

podemos criar uma lista padronizada:

Não iniciado

Em andamento

Concluído

Isso melhora a qualidade dos dados e facilita análises posteriores.

Padronização é extremamente importante quando diferentes pessoas alimentam a mesma planilha.

Gráficos: transforme números em informação visual

Planilhas também permitem transformar dados em gráficos.

Entre os tipos mais conhecidos estão gráficos de:

colunas;

barras;

linhas;

áreas;

dispersão;

setores.

Mas escolher um gráfico não deve começar pela pergunta:

“Qual fica mais bonito?”

Comece perguntando:

“O que quero mostrar?”

Se deseja comparar categorias, um gráfico de barras ou colunas pode funcionar bem.

Se deseja mostrar uma evolução ao longo do tempo, um gráfico de linhas pode ser mais adequado.

Se deseja estudar a relação entre duas variáveis, um gráfico de dispersão pode ajudar.

O objetivo da visualização é facilitar a compreensão da informação.

Tabelas dinâmicas

Quando a base começa a crescer, surge uma ferramenta extremamente útil: a Tabela Dinâmica.

Ela permite resumir e reorganizar grandes conjuntos de dados sem precisar construir dezenas de fórmulas manualmente.

Imagine uma base com milhares de vendas contendo:

data;

produto;

vendedora(or);

estado;

quantidade;

valor.

Uma tabela dinâmica pode rapidamente responder perguntas como:

Quanto vendemos por mês?

Qual produto gerou maior receita?

Quanto cada região vendeu?

Qual foi o resultado por vendedora(or)?

A Microsoft define a Tabela Dinâmica como uma ferramenta para calcular, resumir, explorar e analisar dados, permitindo identificar comparações, padrões e tendências.

Esse é um dos recursos que mais vale a pena aprender depois de dominar os fundamentos.

Análise de cenários

Planilhas também podem ser utilizadas para responder perguntas do tipo:

“E se?”

E se as vendas aumentarem 10%?

E se o custo do produto subir?

E se a taxa de juros mudar?

E se contratarmos mais duas pessoas?

E se reduzirmos determinado gasto?

O LibreOffice Calc possui um Gerenciador de Cenários, que permite comparar resultados resultantes de diferentes conjuntos de valores. A própria documentação do projeto utiliza como exemplo a comparação de rentabilidade diante de previsões de vendas altas, médias e baixas.

Esse tipo de utilização aproxima bastante a planilha do planejamento administrativo.

Planilha não é banco de dados para tudo

O texto antigo dizia que as planilhas poderiam funcionar como ótimos bancos de dados e gerenciadores de informações.

Aqui precisamos fazer uma ressalva.

Uma planilha pode armazenar e organizar conjuntos de dados e funciona muito bem em inúmeras situações.

Mas ela não substitui necessariamente um sistema de banco de dados.

Quando existem grandes volumes de informação, muitos usuários simultâneos, relações complexas entre tabelas, exigências rigorosas de controle de acesso, rastreabilidade ou integração com outros sistemas, ferramentas específicas de banco de dados podem ser mais adequadas.

Mesmo o Excel diferencia planilhas de modelos de dados e permite relacionar múltiplas tabelas para análises mais complexas.

Portanto, utilize a planilha quando ela for adequada ao problema.

Não tente transformar toda necessidade administrativa em uma gigantesca planilha.

Cuidado com erros

Planilhas também erram.

Ou melhor:

nós podemos construir planilhas erradas.

Uma fórmula incorreta pode produzir um resultado aparentemente perfeito.

Uma linha esquecida pode alterar um total.

Uma referência de célula pode apontar para o lugar errado.

Um número digitado como texto pode não entrar em um cálculo.

Um filtro esquecido pode fazer um relatório apresentar apenas parte dos dados.

Por isso, nunca confie em um resultado apenas porque “a planilha calculou”.

Confira.

Teste.

Compare com exemplos conhecidos.

Revise as fórmulas.

Verifique valores inesperados.

Em Administração, uma decisão pode ser tão boa quanto os dados e os cálculos utilizados para sustentá-la.

Colaboração e histórico de versões

As planilhas atuais também são ferramentas de trabalho colaborativo.

No Google Sheets, por exemplo, é possível compartilhar arquivos com diferentes níveis de acesso, adicionar comentários, acompanhar quem realizou alterações e restaurar versões anteriores.

Recursos desse tipo são especialmente úteis em trabalhos acadêmicos e projetos realizados por várias pessoas.

Independentemente da plataforma, procure estabelecer regras simples:

quem pode editar;

quem é responsável por cada informação;

como as versões são controladas;

quem valida os resultados;

onde ficará o arquivo oficial.

Uma planilha compartilhada sem organização pode rapidamente virar uma fonte de erros.

Uma planilha bonita não é necessariamente uma boa planilha

Evite excesso de cores, bordas, fontes e células mescladas.

Uma boa planilha costuma ser aquela em que outra pessoa consegue compreender:

o que os dados representam;

onde os dados devem ser inseridos;

quais células possuem fórmulas;

quais resultados são importantes;

de onde vieram as informações.

Clareza vale mais do que decoração.

O que aprender primeiro?

Se você está começando, avance progressivamente.

Primeiro aprenda a estruturar dados em linhas, colunas e células.

Depois pratique operações básicas, referências e fórmulas.

Em seguida, aprenda filtros, ordenações, validação de dados e formatação condicional.

Depois avance para gráficos, funções mais elaboradas e tabelas dinâmicas.

Com experiência, você poderá explorar importação de dados, consultas, cenários, modelos de dados, automações e integração com outras ferramentas.

O Excel atual, por exemplo, inclui recursos como Power Query para conectar, preparar e transformar informações de diferentes fontes antes da análise.

Não é necessário aprender tudo de uma vez.

Planilha é ferramenta de gestão

Este é o ponto mais importante.

Dominar uma planilha não significa saber onde está cada botão.

Significa saber utilizar a ferramenta para resolver problemas.

Uma(um) administradora(or) pode usar uma planilha para:

acompanhar orçamento;

avaliar resultados;

comparar cenários;

identificar tendências;

acompanhar indicadores;

organizar informações;

apresentar resultados;

apoiar decisões.

Por isso, quando estiver aprendendo Calc, Excel ou Google Sheets, não se limite a reproduzir comandos.

Crie situações práticas.

Monte um orçamento pessoal.

Faça um controle simples de estoque.

Simule um fluxo de caixa.

Analise dados fictícios de vendas.

Construa um cronograma.

Crie um painel com indicadores.

É experimentando problemas reais que os recursos começam a fazer sentido.

A melhor planilha não é aquela que possui mais fórmulas. É aquela que transforma dados organizados em informações úteis para compreender uma situação e apoiar uma decisão.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Editores de texto na Administração: como criar documentos profissionais


Editores de texto na Administração: como criar documentos profissionais



Produzir textos faz parte da rotina de praticamente toda(o) estudante e profissional de Administração.

Durante a graduação, você provavelmente precisará elaborar trabalhos acadêmicos, relatórios, projetos, resumos, fichamentos, apresentações de propostas e o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). No ambiente profissional, poderão aparecer ofícios, memorandos, relatórios gerenciais, atas, propostas, contratos, pareceres, manuais, procedimentos e diversos outros documentos.

Por isso, saber utilizar adequadamente um processador de texto é uma competência digital básica para quem estuda Administração.

Mas utilizar um processador de texto vai muito além de saber digitar.

Editor de texto ou processador de texto?

Embora os termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos, existe uma diferença importante.

Um editor de texto simples trabalha principalmente com caracteres e possui poucos recursos de formatação.

O Bloco de Notas do Windows é um exemplo.

Já um processador de texto oferece recursos para criar documentos estruturados e visualmente formatados, permitindo trabalhar com:

  • fontes;

  • títulos;

  • estilos;

  • parágrafos;

  • margens;

  • cabeçalhos;

  • rodapés;

  • tabelas;

  • imagens;

  • notas;

  • referências;

  • sumários;

  • comentários;

  • controle de alterações;

  • numeração de páginas;

  • exportação para PDF.

Para atividades acadêmicas e administrativas, é principalmente esse segundo grupo que nos interessa.

Quais são os principais processadores de texto?

Existem diferentes opções.

Entre as mais conhecidas atualmente estão:

  • Microsoft Word;

  • LibreOffice Writer;

  • Google Docs;

  • Apple Pages.

Cada ferramenta possui características próprias.

O Microsoft Word faz parte do ecossistema Microsoft 365 e é bastante utilizado em empresas e instituições.

O Google Docs funciona fortemente associado à nuvem e permite colaboração em tempo real, comentários, sugestões e acompanhamento do histórico de versões. (support.google.com)

O Apple Pages está integrado ao ecossistema da Apple.

Já o LibreOffice Writer possui uma característica particularmente interessante para estudantes e instituições: é um software livre e de código aberto, desenvolvido no âmbito da The Document Foundation e disponibilizado sem cobrança de licença de uso. (libreoffice.org)

É nele que vamos concentrar nossa atenção.

Conhecendo o LibreOffice Writer

O Writer é o processador de texto da suíte LibreOffice.

Ele pode ser utilizado tanto para documentos simples quanto para trabalhos extensos e estruturados.

Segundo a documentação oficial, o Writer permite produzir desde cartas, currículos e memorandos até documentos longos contendo bibliografias, índices, tabelas, gráficos e outras estruturas. (help.libreoffice.org)

O LibreOffice também inclui outros aplicativos:

  • Writer — documentos de texto;

  • Calc — planilhas;

  • Impress — apresentações;

  • Draw — desenhos e diagramas;

  • Base — bancos de dados;

  • Math — fórmulas matemáticas. (libreoffice.org)

Se você conheceu anteriormente o BrOffice ou o OpenOffice, encontrará várias semelhanças. O LibreOffice surgiu a partir do projeto OpenOffice.org e atualmente é desenvolvido como projeto independente e de código aberto pela The Document Foundation. (libreoffice.org)

O que você realmente precisa aprender no Writer?

Não vale muito a pena decorar a posição de todos os comandos.

Os menus e a interface podem mudar com novas versões.

É melhor compreender o que você deseja fazer.

Algumas habilidades são especialmente úteis.

1. Criar, abrir e salvar documentos

São as operações mais básicas.

Ao criar um documento novo, o Writer utiliza normalmente o formato:

.odt

ODT significa OpenDocument Text e faz parte do padrão OpenDocument.

O Writer também trabalha com diferentes formatos utilizados por outros programas, inclusive arquivos do Microsoft Word, e permite exportar documentos diretamente para PDF. (help.libreoffice.org)

Entre os formatos que você encontrará com frequência estão:

  • .odt — formato padrão do Writer;

  • .docx — formato utilizado atualmente pelo Microsoft Word;

  • .doc — formato antigo do Word;

  • .pdf — formato muito utilizado para distribuir documentos finalizados.

Um ponto importante:

arquivo editável e arquivo para distribuição não são necessariamente a mesma coisa.

Enquanto estiver trabalhando em um documento, mantenha uma versão editável.

Quando precisar encaminhar uma versão final que não deve sofrer alterações de formatação, o PDF costuma ser uma boa opção.

2. Aprenda a utilizar estilos

Esta é provavelmente uma das habilidades mais importantes para quem pretende produzir trabalhos acadêmicos extensos.

Evite formatar cada título manualmente, escolhendo tamanho, fonte, negrito e espaçamento todas as vezes.

Utilize estilos.

Você pode definir:

Título 1

para capítulos;

Título 2

para seções;

Título 3

para subseções;

e assim sucessivamente.

O Writer possui estilos para parágrafos, caracteres, páginas, listas, tabelas e outras estruturas. (help.libreoffice.org)

Imagine um TCC com 80 páginas.

Você descobre que todos os títulos principais precisam passar de tamanho 14 para tamanho 12.

Se os títulos foram formatados manualmente, talvez seja necessário alterar um por um.

Se você utilizou estilos, altera o estilo uma vez e o documento inteiro acompanha a mudança.

É uma diferença enorme.

3. Crie sumários automáticos

Outra consequência de utilizar corretamente os estilos é poder criar sumários automáticos.

Em vez de digitar manualmente:

1 Introdução ................................ 3
2 Referencial Teórico ................ 8
3 Metodologia ............................ 22

o programa pode identificar os títulos e construir o sumário.

Se uma seção mudar de página, o sumário pode ser atualizado.

Isso é especialmente útil para:

  • TCCs;

  • monografias;

  • dissertações;

  • relatórios;

  • manuais;

  • projetos extensos.

Para documentos grandes, estilos e sumários automáticos deveriam ser aprendidos antes mesmo de muitas ferramentas de formatação visual.

4. Configure corretamente as páginas

Um documento acadêmico ou administrativo frequentemente precisa seguir padrões específicos.

Você poderá precisar configurar:

  • tamanho do papel;

  • orientação retrato ou paisagem;

  • margens;

  • cabeçalhos;

  • rodapés;

  • numeração;

  • espaçamento;

  • quebras de página.

Antes de começar um trabalho acadêmico, confira sempre as normas estabelecidas por sua instituição.

Não presuma que todos os trabalhos utilizam exatamente a mesma configuração.

5. Utilize cabeçalhos, rodapés e números de página

Cabeçalhos e rodapés permitem inserir informações que se repetem ao longo do documento.

Por exemplo:

  • nome da instituição;

  • identificação do relatório;

  • título abreviado;

  • setor responsável;

  • versão do documento;

  • data;

  • número da página.

Para trabalhos acadêmicos, a numeração deve seguir as orientações da instituição e as normas adotadas para aquele tipo de trabalho.

O importante é não digitar manualmente o número em cada página.

Utilize os campos automáticos do programa.

6. Trabalhe com tabelas

Tabelas são muito utilizadas em Administração.

Elas podem ajudar a apresentar:

  • cronogramas;

  • orçamentos;

  • comparações;

  • indicadores;

  • responsabilidades;

  • resultados;

  • planos de ação;

  • matrizes administrativas.

O Writer permite criar e formatar tabelas diretamente no documento.

Mas existe uma regra prática importante:

não utilize tabelas apenas para tentar posicionar elementos visualmente na página.

Use-as quando os dados realmente possuírem uma relação tabular.

Isso também ajuda na acessibilidade do documento.

7. Insira imagens de maneira adequada

Imagens podem melhorar bastante um documento quando ajudam a explicar determinada informação.

Você pode inserir:

  • fotografias;

  • gráficos;

  • diagramas;

  • mapas;

  • fluxogramas;

  • ilustrações;

  • capturas de tela.

Depois de inserir uma imagem, observe:

  • tamanho;

  • resolução;

  • posição;

  • alinhamento;

  • legenda;

  • fonte;

  • relação da imagem com o texto.

E lembre-se da acessibilidade.

Quando uma imagem transmite informação relevante, considere adicionar uma descrição ou texto alternativo adequado.

Ferramentas atuais de edição de documentos vêm dando cada vez mais atenção a esse aspecto. O Microsoft Word, por exemplo, possui recursos específicos para verificar acessibilidade, orientar o uso de texto alternativo, estilos, estrutura de tabelas, fontes e cores. (support.microsoft.com)

8. Utilize localizar e substituir

Imagine descobrir que você escreveu a mesma expressão incorretamente 42 vezes em um relatório.

Não precisa procurar ocorrência por ocorrência.

Utilize Localizar e substituir.

No Writer e em diversos outros programas, o atalho tradicional é:

Ctrl + H

Você pode localizar uma palavra e substituí-la em várias partes do documento.

Utilize com atenção antes de escolher a opção de substituir todas as ocorrências.

Dependendo da palavra, ela pode aparecer em contextos que não deveriam ser modificados.

9. Use comentários e controle de alterações

Quando várias pessoas revisam um documento, não é recomendável simplesmente alterar o texto umas das outras sem algum controle.

Ferramentas de revisão permitem registrar mudanças e identificar inserções e exclusões.

O Writer possui recurso de Controle de Alterações, permitindo registrar, exibir e posteriormente aceitar ou rejeitar modificações realizadas no documento. (help.libreoffice.org)

Isso é muito útil para:

  • trabalhos em grupo;

  • revisão de TCC;

  • elaboração de relatórios;

  • produção de regulamentos;

  • documentos institucionais;

  • revisão por várias pessoas.

No ambiente online, plataformas como o Google Docs também permitem comentários, sugestões e colaboração simultânea. (support.google.com)

10. Exporte para PDF

Um documento finalizado frequentemente precisa ser enviado em PDF.

Isso reduz as chances de a diagramação mudar quando o arquivo for aberto em outro computador.

O Writer possui exportação nativa para PDF. (help.libreoffice.org)

Mas faça uma conferência depois da exportação.

Abra o PDF e verifique:

  • paginação;

  • imagens;

  • tabelas;

  • sumário;

  • cabeçalhos;

  • rodapés;

  • fontes;

  • links;

  • quebras de página.

Nunca presuma que o arquivo ficou correto apenas porque a exportação terminou sem apresentar erro.

Atalhos que vale a pena aprender

Alguns atalhos funcionam em muitos processadores de texto e tornam a edição mais rápida.

AtalhoFunção
Ctrl + CCopiar
Ctrl + VColar
Ctrl + XRecortar
Ctrl + ZDesfazer
Ctrl + ASelecionar tudo
Ctrl + FLocalizar
Ctrl + HLocalizar e substituir
Ctrl + OAbrir
Ctrl + SSalvar
Ctrl + Shift + SSalvar como
Ctrl + PImprimir
Ctrl + HomeIr ao início do documento
Ctrl + EndIr ao final do documento

Atalhos de formatação podem variar conforme programa, idioma e configuração.

Por isso, se determinado comando não funcionar como esperado, consulte a documentação da versão utilizada.

Cuidado com a compatibilidade entre programas

Um documento produzido no Writer pode ser aberto no Word e vice-versa, mas documentos complexos podem apresentar diferenças de formatação.

Quanto mais elaborado for o arquivo — tabelas complexas, fontes específicas, campos, macros, objetos ou estruturas avançadas — maior pode ser a possibilidade de pequenas alterações.

Uma boa prática é perguntar:

Quem precisará editar o documento?

Se todas(os) utilizarão LibreOffice, o formato ODT pode ser adequado.

Se várias pessoas trabalharão principalmente no Word, talvez seja necessário compartilhar uma cópia em DOCX.

Se ninguém precisa editar e o documento está finalizado, considere PDF.

Não existe um formato universalmente melhor para todas as situações.

Existe o formato mais adequado para cada finalidade.

Documentos profissionais também precisam ser acessíveis

Ao produzir um documento, pense em quem vai utilizá-lo.

Algumas práticas ajudam bastante:

  • utilize títulos estruturados;

  • mantenha boa hierarquia de informações;

  • evite depender apenas de cores para transmitir significado;

  • utilize contraste adequado;

  • forneça texto alternativo para imagens informativas;

  • identifique corretamente cabeçalhos de tabelas;

  • evite fontes excessivamente pequenas;

  • utilize listas reais em vez de símbolos digitados manualmente;

  • mantenha uma sequência lógica de leitura.

O objetivo não é apenas produzir um documento bonito.

É produzir um documento que possa ser compreendido e utilizado pelo maior número possível de pessoas.

Word, Writer ou Google Docs: qual aprender?

Se puder, aprenda mais de um.

Os conceitos são transferíveis.

Quando você aprende:

  • estilos;

  • alinhamento;

  • parágrafos;

  • cabeçalhos;

  • rodapés;

  • tabelas;

  • comentários;

  • controle de alterações;

  • sumários;

  • exportação;

fica muito mais fácil utilizar outro processador de texto posteriormente.

Os botões podem mudar de lugar.

O conceito continua praticamente o mesmo.

Para quem deseja uma opção de software livre, o LibreOffice Writer continua sendo uma ferramenta bastante completa, capaz de trabalhar com documentos simples e complexos, diferentes formatos, estilos, índices, tabelas e exportação para PDF. (libreoffice.org)

Para ambientes fortemente associados ao Microsoft 365, conhecer o Word também será bastante útil.

Para trabalhos colaborativos online, conhecer ferramentas como Google Docs pode facilitar bastante o trabalho em equipe.

Não formate: estruture

Talvez esta seja a principal dica deste conteúdo.

Quem está começando tende a olhar para um título e pensar:

“Vou aumentar a letra, colocar em negrito e deixar azul.”

Quem aprende a trabalhar melhor com documentos pensa:

“Isso é um título de nível 1.”

Essa mudança parece pequena, mas altera completamente a maneira como documentos profissionais são construídos.

Um documento estruturado:

  • é mais fácil de alterar;

  • facilita a criação de sumários;

  • mantém consistência visual;

  • favorece acessibilidade;

  • facilita navegação;

  • reduz retrabalho.

Para quem pretende produzir relatórios, projetos, manuais, trabalhos acadêmicos e documentos administrativos, dominar estilos e estrutura é muito mais importante do que conhecer todos os botões da barra de ferramentas.

Para quem estuda Administração

Você provavelmente utilizará processadores de texto durante toda a graduação e em boa parte da vida profissional.

Por isso, não se limite ao básico de digitar, colocar em negrito e imprimir.

Aprenda a:

  • estruturar documentos;

  • utilizar estilos;

  • criar sumários;

  • trabalhar com tabelas;

  • inserir imagens corretamente;

  • revisar textos;

  • colaborar com outras pessoas;

  • controlar alterações;

  • produzir documentos acessíveis;

  • trabalhar com diferentes formatos;

  • gerar PDFs;

  • organizar arquivos e versões.

Essas habilidades parecem pequenas isoladamente.

Mas, juntas, ajudam a produzir documentos mais claros, organizados, profissionais e fáceis de manter.

Um bom processador de texto não serve apenas para escrever. Ele ajuda a transformar informação em documentos que outras pessoas conseguem compreender, utilizar e compartilhar.

Currículo Lattes: o que é, para que serve e por que você deveria criar o seu

Currículo Lattes: o que é, para que serve e por que você deveria criar o seu



Se você está entrando na faculdade, provavelmente encontrará duas palavras em algum momento da sua trajetória acadêmica: Currículo Lattes.

Ele pode aparecer quando você procurar uma bolsa de iniciação científica, participar de um projeto de pesquisa, concorrer a uma seleção acadêmica, ingressar em uma pós-graduação ou simplesmente quiser conhecer a trajetória de uma(um) professora(or) ou pesquisadora(or).

Mas afinal, o que é o Currículo Lattes e por que ele é tão utilizado no Brasil?

O que é a Plataforma Lattes?

A Plataforma Lattes é mantida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Ela integra diferentes bases de informações relacionadas à ciência, tecnologia, pesquisa e produção acadêmica brasileira, incluindo:

  • Currículos Lattes;

  • Diretório dos Grupos de Pesquisa;

  • informações sobre instituições.

O CNPq define a Plataforma Lattes como um sistema integrado de informações utilizado não apenas pelo próprio Conselho, mas também por universidades, institutos de pesquisa, agências de fomento e fundações de apoio à ciência e tecnologia.

Seu componente mais conhecido é justamente o Currículo Lattes.

O que é o Currículo Lattes?

O Currículo Lattes é um currículo padronizado utilizado principalmente no ambiente acadêmico e científico brasileiro.

Ele foi lançado em 1999 e tornou-se uma referência nacional para o registro da trajetória de estudantes e pesquisadoras(es).

Nele podem ser registradas informações como:

  • formação acadêmica;

  • cursos realizados;

  • atuação profissional;

  • projetos de pesquisa;

  • projetos de extensão;

  • iniciação científica;

  • monitoria;

  • participação em eventos;

  • apresentação de trabalhos;

  • artigos científicos;

  • livros e capítulos de livros;

  • trabalhos publicados em congressos;

  • produção técnica;

  • atividades de ensino;

  • orientações;

  • participação em bancas;

  • prêmios;

  • idiomas;

  • outras atividades acadêmicas e científicas.

Com isso, o currículo permite acompanhar a trajetória acadêmica de uma pessoa ao longo do tempo.

Currículo Lattes não é a mesma coisa que currículo profissional

Essa diferença é importante.

O currículo utilizado para concorrer a uma vaga de emprego costuma ser curto e direcionado para determinada oportunidade.

Nele você seleciona as experiências e competências que mais interessam para aquela vaga.

O Currículo Lattes possui outra lógica.

Ele funciona como um registro estruturado e acumulativo da trajetória acadêmica, científica, profissional e técnica.

Por isso, pode reunir informações de vários anos e apresentar um nível de detalhamento muito maior.

Não é necessário escolher entre um ou outro.

Você pode — e provavelmente deverá — ter:

um currículo profissional para o mercado de trabalho

e

um Currículo Lattes para sua trajetória acadêmica e científica.

Cada um possui uma finalidade diferente.

Quem deveria ter um Currículo Lattes?

É comum pensar que o Lattes só é necessário para professoras(es), mestrandas(os), doutorandas(os) ou pesquisadoras(es).

Não é bem assim.

O próprio CNPq apresenta o Currículo Lattes como registro da trajetória de estudantes e pesquisadoras(es). Ele é utilizado por universidades, institutos de pesquisa e pela maioria das instituições brasileiras de fomento à pesquisa.

Portanto, você pode criar o seu ainda durante a graduação.

Isso é especialmente recomendável se você pretende participar de:

  • iniciação científica;

  • projetos de pesquisa;

  • projetos de extensão;

  • monitoria;

  • grupos de pesquisa;

  • congressos;

  • programas de bolsas;

  • processos seletivos acadêmicos;

  • especialização;

  • mestrado;

  • doutorado.

Quanto antes você começar a registrar sua trajetória, mais fácil será manter essas informações organizadas.

Por que o Currículo Lattes é importante?

Uma das principais razões está na avaliação acadêmica e científica.

Instituições e agências de fomento utilizam as informações registradas no Lattes para conhecer a trajetória das(os) candidatas(os) em diferentes processos.

O CNPq afirma que o currículo se tornou elemento utilizado na análise de mérito e competência em solicitações de financiamento na área de ciência e tecnologia.

Ele também pode ser solicitado ou consultado em seleções para:

  • bolsas;

  • projetos;

  • grupos de pesquisa;

  • programas de pós-graduação;

  • atividades acadêmicas;

  • editais científicos;

  • determinadas seleções profissionais ligadas ao ensino e à pesquisa.

Por isso, manter o currículo atualizado é tão importante quanto criá-lo.

O Lattes também ajuda você a conhecer pesquisadoras(es)

A plataforma não serve apenas para cadastrar suas próprias informações.

Ela também permite consultar currículos de outras pessoas.

Imagine que você encontrou uma(um) professora(or) que pesquisa um tema de seu interesse.

Ao consultar o Lattes dessa pessoa, você pode descobrir:

  • sua formação;

  • suas áreas de atuação;

  • projetos dos quais participa;

  • artigos publicados;

  • livros;

  • orientações;

  • pesquisas desenvolvidas;

  • grupos de pesquisa;

  • outras produções.

Isso pode ser bastante útil na hora de procurar uma possível orientação acadêmica, conhecer pesquisadoras(es) de determinada área ou aprofundar seus estudos sobre um assunto.

Conheça também os Grupos de Pesquisa

Outro recurso relacionado à Plataforma Lattes é o Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil.

Nele é possível pesquisar grupos utilizando critérios como:

  • instituição;

  • estado;

  • região;

  • grande área;

  • área de conhecimento;

  • ano de formação.

O diretório também reúne informações sobre linhas de pesquisa, pesquisadoras(es), estudantes e técnicas(os) participantes.

Esse recurso pode ser especialmente interessante para quem deseja começar uma trajetória de pesquisa.

Se você se interessa, por exemplo, por:

Administração Pública

pode procurar grupos que pesquisam essa área e verificar em quais instituições eles estão.

O mesmo vale para temas como:

  • gestão de pessoas;

  • marketing;

  • estratégia;

  • políticas públicas;

  • inovação;

  • empreendedorismo;

  • sustentabilidade;

  • tecnologia;

  • comportamento organizacional.

O que colocar no Lattes durante a graduação?

Talvez você esteja pensando:

“Mas ainda estou começando a faculdade. Não tenho nada para colocar.”

Tudo bem.

Um currículo acadêmico é construído ao longo do tempo.

Você pode começar registrando sua formação e, gradualmente, acrescentar atividades realizadas durante a graduação.

Por exemplo:

Formação acadêmica

Registre seu curso de graduação e a instituição.

Cursos

Inclua cursos que tenham relação com sua formação acadêmica ou profissional e que façam sentido dentro da estrutura do Lattes.

Eventos

Participou de congresso, seminário, encontro acadêmico ou evento científico?

Verifique a possibilidade de registrar essa participação.

Apresentação de trabalhos

Caso tenha apresentado trabalhos em congressos, jornadas ou seminários, registre essa produção corretamente.

Projetos

Participações em projetos de pesquisa, ensino e extensão também podem fazer parte da trajetória registrada.

Produção

Artigos, capítulos, livros, trabalhos completos, resumos em eventos e diferentes tipos de produção possuem campos próprios.

Guarde seus certificados

Aqui está um hábito que pode fazer bastante diferença:

guarde os comprovantes das atividades que realizar.

Crie uma pasta digital para armazenar:

  • certificados;

  • declarações;

  • comprovantes de participação;

  • publicações;

  • cartas de aceite;

  • documentos de projetos;

  • certificados de cursos;

  • comprovantes de apresentação de trabalhos.

Você pode organizar as pastas por ano:

Currículo Lattes

→ 2026
→ 2027
→ 2028
→ 2029

Ou por categoria:

→ Cursos
→ Eventos
→ Pesquisa
→ Extensão
→ Publicações
→ Apresentações
→ Certificados

Quando precisar atualizar o Lattes, as informações estarão disponíveis.

Não coloque informações que você não possa comprovar

O Currículo Lattes é uma autodeclaração, mas isso não significa que qualquer informação deva ser inserida sem cuidado.

Em uma seleção acadêmica, uma comissão pode solicitar documentos que comprovem as atividades registradas.

Portanto:

registre informações verdadeiras e mantenha os documentos correspondentes organizados.

Esse cuidado aumenta a confiabilidade do seu currículo e evita problemas em futuras seleções.

Atualize seu Lattes regularmente

Um erro comum é criar o currículo porque algum edital exigiu e depois abandoná-lo durante anos.

O ideal é atualizá-lo periodicamente.

Terminou um curso?

Atualize.

Apresentou um trabalho?

Atualize.

Publicou um artigo?

Atualize.

Entrou em um projeto de pesquisa?

Atualize.

Participou de um congresso?

Avalie se aquela atividade deve ser registrada.

É muito mais fácil fazer pequenas atualizações ao longo do ano do que tentar reconstruir vários anos de atividades quando surgir uma seleção importante.

A Plataforma Lattes e a ciência brasileira

Com o tempo, a Plataforma Lattes tornou-se muito mais do que um sistema de currículos.

As informações nela registradas também ajudam a formar uma grande base sobre a produção científica brasileira.

O CNPq utiliza dados da plataforma em ferramentas como o Painel Lattes, que reúne informações extraídas dos currículos de pesquisadoras(es), incluindo quase um milhão de mestras(es) e doutoras(es).

Atualmente, o portal do CNPq informa que a Plataforma Lattes possui cerca de 9 milhões de currículos cadastrados.

Esses dados ajudam a conhecer aspectos da formação e da produção científica no país e podem subsidiar atividades de planejamento e políticas relacionadas à ciência, tecnologia e inovação.

Comece cedo

Você não precisa esperar a pós-graduação para criar um Currículo Lattes.

Se está começando a faculdade, esse pode ser um bom momento.

No início, talvez haja poucas informações.

Isso é absolutamente normal.

À medida que você participar de projetos, cursos, eventos, pesquisas e outras atividades, seu currículo começará a registrar sua própria trajetória acadêmica.

E essa é justamente uma das funções mais interessantes do Lattes:

permitir que você acompanhe a construção da sua formação ao longo do tempo.

Acesse

Plataforma Lattes — CNPq

Cadastre ou acesse seu Currículo Lattes

Conheça a página oficial da Plataforma Lattes no CNPq

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Informática básica para Administração: o que você realmente precisa saber

Informática básica para Administração: o que você realmente precisa saber



A inclusão digital é uma condição cada vez mais importante para estudar, trabalhar, acessar serviços públicos, movimentar contas bancárias, comunicar-se e participar da sociedade.

Ter acesso à tecnologia, porém, não significa apenas possuir um computador ou um celular conectado à internet.

É preciso também desenvolver conhecimentos que permitam utilizar essas ferramentas com autonomia, segurança e senso crítico.

Para estudantes de Administração, essa necessidade é ainda mais evidente. Grande parte das atividades acadêmicas e profissionais envolve documentos digitais, planilhas, sistemas de gestão, armazenamento de arquivos, comunicação online, análise de informações e uso de diferentes plataformas.

Por isso, conhecer alguns conceitos básicos de informática continua sendo importante — ainda que os computadores e os programas utilizados atualmente sejam muito diferentes daqueles de alguns anos atrás.

Inclusão digital não é apenas acesso à internet

Durante muito tempo, inclusão digital foi associada principalmente à possibilidade de ter um computador conectado à internet.

Hoje, o conceito precisa ser entendido de maneira mais ampla.

A pessoa precisa conseguir utilizar a tecnologia para realizar atividades concretas, como:

  • estudar;

  • pesquisar;

  • produzir documentos;

  • utilizar serviços públicos digitais;

  • realizar operações bancárias;

  • procurar oportunidades de trabalho;

  • participar de cursos;

  • comunicar-se;

  • acessar informações;

  • utilizar ferramentas profissionais.

O próprio Ministério das Comunicações mantém os chamados Pontos de Inclusão Digital (PIDs), espaços públicos que oferecem computadores conectados à internet para atividades como estudo, qualificação profissional, pesquisas e acesso a serviços públicos digitais. (gov.br)

Isso mostra que acesso e capacidade de uso precisam caminhar juntos.

Para quem estuda Administração, o que significa ter conhecimentos básicos de informática?

Você não precisa saber montar computadores, programar sistemas ou administrar servidores para cursar Administração.

Mas deve conseguir utilizar os recursos tecnológicos necessários para realizar suas atividades acadêmicas e profissionais.

Uma boa base inclui saber:

  • utilizar um sistema operacional;

  • organizar arquivos e pastas;

  • instalar e utilizar aplicativos de maneira segura;

  • produzir e compartilhar documentos;

  • utilizar planilhas;

  • navegar pela internet;

  • realizar pesquisas;

  • utilizar serviços em nuvem;

  • participar de reuniões virtuais;

  • utilizar diferentes sistemas institucionais;

  • proteger contas e informações;

  • realizar cópias de segurança;

  • reconhecer situações de risco digital;

  • aprender novas ferramentas quando necessário.

No texto original deste conteúdo, a preocupação já era justamente que administradoras(es) não se limitassem ao simples acesso ao computador, mas soubessem utilizar sistemas, proteger informações, fazer backups e explorar recursos digitais.

Essa ideia continua válida. O que mudou foram as ferramentas.

Hardware e software: dois conceitos que você precisa conhecer

Uma das divisões mais básicas da informática continua sendo entre hardware e software.

Hardware

Hardware corresponde aos componentes físicos de um equipamento.

São exemplos:

  • processador;

  • memória RAM;

  • placa-mãe;

  • SSD;

  • monitor;

  • teclado;

  • mouse;

  • webcam;

  • impressora;

  • roteador.

Em outras palavras, são as partes físicas que compõem ou se conectam ao computador.

Software

Software corresponde aos programas e sistemas executados pelos equipamentos.

São exemplos:

  • Windows;

  • macOS;

  • Linux;

  • navegadores;

  • editores de texto;

  • planilhas;

  • aplicativos de videoconferência;

  • sistemas ERP;

  • aplicativos de mensagens.

Hardware e software trabalham juntos.

Um computador potente, por exemplo, pode apresentar dificuldades se estiver utilizando programas mal configurados ou desatualizados. Da mesma forma, determinado software pode exigir recursos que um equipamento mais antigo não possui.

O que são bit, byte, KB, MB, GB e TB?

Essas siglas aparecem constantemente quando falamos de computadores e dispositivos digitais.

O bit é uma unidade elementar de informação digital e pode assumir dois valores:

0 ou 1.

O byte é formado por oito bits.

A partir dele surgem unidades utilizadas para indicar tamanhos de arquivos, capacidade de armazenamento e memória.

Entre as mais conhecidas estão:

  • B — byte;

  • KB — kilobyte;

  • MB — megabyte;

  • GB — gigabyte;

  • TB — terabyte.

Na prática, quanto maior a unidade, maior a quantidade de informação que pode ser armazenada.

Um documento de texto normalmente ocupa muito menos espaço que um vídeo em alta resolução, por exemplo.

Também é importante observar a diferença entre letras maiúsculas e minúsculas.

B costuma representar byte, enquanto b representa bit.

Por isso, GB e Gb não são a mesma coisa.

Essa diferença é bastante comum quando comparamos armazenamento e velocidade de conexão à internet.

Armazenamento: do disco rígido à nuvem

Durante muitos anos, os arquivos eram armazenados principalmente no disco rígido do computador, em CDs, DVDs e posteriormente em pen drives.

Esses recursos ainda existem, mas hoje convivem com:

  • SSDs;

  • HDs externos;

  • cartões de memória;

  • servidores;

  • armazenamento em rede;

  • serviços de nuvem.

Serviços em nuvem permitem manter arquivos armazenados em servidores remotos e acessá-los, mediante autorização, de diferentes dispositivos.

Para quem estuda Administração, isso facilita bastante atividades como:

  • compartilhar trabalhos;

  • trabalhar em grupo;

  • acessar documentos de diferentes locais;

  • manter versões de arquivos;

  • colaborar simultaneamente em documentos.

Porém, armazenamento em nuvem não elimina a necessidade de segurança e backup.

Organize seus arquivos

Uma habilidade digital simples pode economizar muitas horas ao longo da graduação: organização de arquivos.

Evite acumular documentos com nomes como:

“Trabalho final.docx”

“Trabalho final novo.docx”

“Trabalho final novo 2.docx”

“Trabalho final agora vai.docx”

Prefira nomes que permitam identificar rapidamente o conteúdo.

Por exemplo:

2026-08_Trabalho_Gestao-de-Pessoas_Equipe-A.docx

Você também pode criar uma estrutura de pastas como:

Faculdade

→ 1º semestre
→ 2º semestre
→ 3º semestre
→ Estágio
→ Atividades complementares
→ Documentos acadêmicos
→ Certificados

Essa organização simples facilita pesquisas futuras e reduz o risco de perder documentos importantes.

Entenda o sistema operacional

O sistema operacional é o conjunto de softwares responsáveis por administrar os principais recursos do dispositivo e permitir a interação entre pessoas, programas e hardware.

Entre os sistemas mais conhecidos estão:

  • Windows;

  • macOS;

  • Linux;

  • Android;

  • iOS.

Você não precisa dominar todos eles.

O importante é compreender os princípios básicos de utilização do sistema que estiver usando.

Isso inclui saber:

  • abrir e alternar aplicativos;

  • localizar arquivos;

  • criar pastas;

  • instalar atualizações;

  • configurar dispositivos;

  • verificar armazenamento disponível;

  • conectar-se a redes;

  • utilizar recursos de acessibilidade;

  • bloquear o equipamento;

  • encerrar corretamente uma sessão.

Evite depender de tutoriais muito antigos.

Interfaces e procedimentos mudam constantemente. A própria Microsoft informa que o suporte regular ao Windows 10 terminou em 14 de outubro de 2025, enquanto sua documentação atual já concentra as orientações nas versões atualmente utilizadas. (microsoft.com)

Por isso, é mais útil compreender o que você deseja fazer do que decorar o local exato de determinado botão.

Navegar também é saber pesquisar

Saber utilizar um navegador não significa apenas conseguir abrir sites.

Uma boa competência digital envolve saber:

  • fazer pesquisas;

  • avaliar a fonte encontrada;

  • abrir várias abas;

  • organizar favoritos;

  • realizar downloads;

  • identificar o local em que os arquivos foram salvos;

  • verificar endereços de páginas;

  • reconhecer sites suspeitos;

  • distinguir conteúdo patrocinado de resultados de pesquisa;

  • verificar datas das informações;

  • comparar diferentes fontes.

Para estudantes universitárias(os), essa capacidade se relaciona diretamente com outra competência: avaliar a qualidade da informação encontrada.

Nem tudo que aparece nos primeiros resultados de uma busca é necessariamente confiável.

Segurança digital também faz parte da Administração

O texto original já chamava atenção para senhas, backups e proteção das informações.

Hoje, esses cuidados são ainda mais importantes.

Administradoras(es) podem trabalhar com:

  • dados pessoais;

  • informações financeiras;

  • documentos internos;

  • dados de clientes;

  • contratos;

  • planejamento estratégico;

  • informações sobre trabalhadoras(es);

  • relatórios gerenciais.

Por isso, alguns hábitos devem fazer parte da rotina.

Utilize senhas fortes e diferentes

Evite utilizar a mesma senha em vários serviços.

Se uma única plataforma sofrer um vazamento, uma senha repetida pode permitir que criminosos tentem acessar suas outras contas.

Quando possível, utilize um gerenciador de senhas.

Ative a autenticação em dois fatores

A autenticação em dois fatores adiciona outra etapa ao processo de acesso.

Mesmo que alguém consiga descobrir sua senha, ainda precisará superar uma segunda barreira.

O CERT.br recomenda a utilização de mecanismos adicionais de autenticação e disponibiliza materiais específicos sobre senhas, gerenciadores e verificação em duas etapas. (cartilha.cert.br)

Desconfie de mensagens inesperadas

Golpes digitais frequentemente tentam provocar:

  • medo;

  • curiosidade;

  • urgência;

  • promessa de vantagem.

Antes de clicar em um link recebido por mensagem ou e-mail, verifique quem enviou e para onde aquele endereço realmente leva.

Bloqueie o computador

Ao afastar-se de um computador utilizado no trabalho, mesmo por poucos minutos, bloqueie a tela.

Esse pequeno hábito ajuda a impedir acessos não autorizados.

Faça backup

Backup é uma cópia de segurança dos seus arquivos.

Imagine perder:

  • seu TCC;

  • trabalhos acadêmicos;

  • planilhas;

  • certificados;

  • documentos profissionais;

  • fotos;

  • arquivos de um projeto.

Manter apenas uma cópia significa aceitar que uma falha, um roubo, um erro ou um ataque pode eliminar aquela informação.

O CERT.br recomenda manter backups atualizados, realizar cópias periodicamente e, quando adequado, possuir cópias redundantes e protegidas. Para serviços em nuvem, também recomenda ativar a verificação em duas etapas. (cartilha.cert.br)

Uma rotina simples já ajuda bastante:

arquivo de trabalho + cópia em outro local + backup atualizado.

Aprenda alguns atalhos de teclado

Atalhos economizam pequenos intervalos de tempo que, repetidos muitas vezes durante o dia, tornam o uso do computador mais confortável.

Alguns dos mais conhecidos no Windows são:

AtalhoFunção
Ctrl + CCopiar
Ctrl + VColar
Ctrl + XRecortar
Ctrl + ZDesfazer
Ctrl + ASelecionar tudo
Alt + TabAlternar entre aplicativos
Windows + EAbrir o Explorador de Arquivos
Windows + LBloquear o computador
Windows + Shift + SCapturar parte da tela

A Microsoft mantém uma lista atualizada de atalhos do Windows. (microsoft.com)

No macOS, vários comandos utilizam a tecla Command (⌘):

AtalhoFunção
Command + CCopiar
Command + VColar
Command + XRecortar
Command + ZDesfazer
Command + PImprimir
Command + TabAlternar aplicativos
Command + EspaçoPesquisar

A Apple também mantém sua relação oficial de atalhos atualizada. (apple.com)

Você não precisa decorar dezenas deles de uma vez.

Comece pelos comandos que utiliza diariamente.

Explore os recursos de acessibilidade

Computadores e dispositivos móveis também oferecem diferentes tecnologias assistivas.

Dependendo do sistema, podem existir recursos como:

  • leitor de tela;

  • ampliação;

  • controle por voz;

  • alto contraste;

  • filtros de cores;

  • legendas;

  • navegação por teclado;

  • ajustes do ponteiro;

  • reconhecimento de fala.

Esses recursos ajudam pessoas com diferentes necessidades e também podem facilitar o uso em situações específicas.

No macOS, por exemplo, a Apple reúne atalhos próprios para ativar recursos de acessibilidade, enquanto o Windows também possui comandos dedicados a ferramentas como Narrador, Lupa e filtros de cores. (apple.com) (microsoft.com)

Conhecer esses recursos também é importante para quem administra organizações comprometidas com ambientes digitais mais acessíveis.

Você não precisa saber tudo

Talvez essa seja a principal diferença entre aprender informática hoje e aprender informática há alguns anos.

Antes, muitos cursos ensinavam sequências muito específicas:

“clique aqui, depois abra este menu, pressione este botão”.

O problema é que a interface muda.

O programa muda.

O sistema operacional muda.

O equipamento muda.

Hoje, uma competência mais importante é saber explorar e aprender uma ferramenta nova.

Leia os menus.

Pesquise.

Utilize a ajuda do programa.

Consulte a documentação oficial.

Experimente recursos.

Faça perguntas.

Observe como outras pessoas resolvem o mesmo problema.

E, principalmente, procure compreender o motivo de cada ação.

Informática é uma ferramenta para resolver problemas

Para uma(um) estudante de Administração, o objetivo não deve ser conhecer computadores por conhecer computadores.

A tecnologia precisa ajudar você a:

  • organizar informações;

  • comunicar-se;

  • trabalhar em equipe;

  • analisar dados;

  • proteger documentos;

  • acompanhar atividades;

  • produzir trabalhos;

  • economizar tempo;

  • melhorar processos;

  • tomar decisões.

O computador é uma ferramenta.

Os sistemas são ferramentas.

A nuvem é uma ferramenta.

A inteligência artificial é uma ferramenta.

O conhecimento administrativo continua sendo aquilo que permite decidir quando, por que e para que utilizar cada uma delas.

Por isso, não tenha receio de explorar.

A melhor maneira de desenvolver autonomia digital continua sendo usar, experimentar, pesquisar e aprender continuamente.


Gestão financeira para administradores: conceitos, ferramentas e decisões na prática

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