quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Representação estudantil na faculdade: entenda o papel do CA, DA, DCE, UEE e UNE

Representação estudantil na faculdade: entenda o papel do CA, DA, DCE, UEE e UNE



Entrar em uma faculdade ou universidade também significa passar a fazer parte de uma comunidade acadêmica. E, dentro dessa comunidade, as(os) estudantes possuem formas próprias de organização e representação.

É aí que entram os Centros Acadêmicos (CAs), Diretórios Acadêmicos (DAs), Diretórios Centrais dos Estudantes (DCEs), Uniões Estaduais dos Estudantes (UEEs) e a União Nacional dos Estudantes (UNE).

Conhecer essas entidades ajuda a entender como as demandas estudantis podem ser organizadas, discutidas e encaminhadas dentro e fora das instituições de ensino superior.

O que diz a legislação sobre a representação estudantil?

A principal referência legal sobre a organização das(os) estudantes de nível superior é a Lei nº 7.395, de 31 de outubro de 1985.

Ela reconhece:

  • a União Nacional dos Estudantes (UNE) como entidade representativa do conjunto das(os) estudantes das instituições de ensino superior do país;

  • as Uniões Estaduais dos Estudantes (UEEs) como representantes das(os) estudantes de cada estado, Distrito Federal ou território onde exista mais de uma instituição de ensino superior;

  • os Diretórios Centrais dos Estudantes (DCEs) como representantes do conjunto das(os) estudantes de cada instituição de ensino superior;

  • o direito das(os) estudantes de cada curso superior de organizar Centros Acadêmicos (CAs) ou Diretórios Acadêmicos (DAs) como suas entidades representativas.

A própria lei determina que a organização, o funcionamento e as atividades dessas entidades sejam definidos em seus respectivos estatutos.

Isso significa que, embora exista uma estrutura geral de representação, cada entidade possui regras próprias sobre eleições, assembleias, composição da diretoria, mandatos, atribuições e formas de participação.

Centro Acadêmico e Diretório Acadêmico: qual é a diferença?

Uma dúvida comum é imaginar que Centro Acadêmico e Diretório Acadêmico necessariamente representam níveis diferentes da organização estudantil.

Pela legislação atual, CA e DA são formas de organização das(os) estudantes de um determinado curso de nível superior.

Assim, uma faculdade pode ter, por exemplo:

  • Centro Acadêmico de Administração;

  • Diretório Acadêmico de Direito;

  • Centro Acadêmico de Engenharia;

  • Diretório Acadêmico de História.

A denominação utilizada dependerá da organização estudantil e de seu estatuto.

Portanto, não existe uma regra nacional determinando que todo Centro Acadêmico esteja subordinado a um Diretório Acadêmico.

E o que é o DCE?

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) possui uma abrangência maior.

Enquanto um CA ou DA representa as(os) estudantes de determinado curso, o DCE representa o conjunto das(os) estudantes de uma instituição de ensino superior.

Imagine uma universidade que tenha cursos de Administração, Direito, História, Engenharia, Medicina, Comunicação e diversas outras áreas.

Cada curso pode possuir sua própria entidade representativa, enquanto o DCE trata de questões que envolvem o conjunto da comunidade estudantil daquela instituição.

UEE e UNE

A representação também pode ultrapassar os limites de uma universidade.

As Uniões Estaduais dos Estudantes (UEEs) atuam no âmbito dos estados, enquanto a União Nacional dos Estudantes (UNE) possui abrangência nacional.

De forma simplificada, podemos visualizar assim:

Curso → CA ou DA

Instituição de ensino superior → DCE

Estado → UEE

Brasil → UNE

Essa representação em diferentes níveis permite que questões locais, institucionais, estaduais ou nacionais sejam discutidas nos espaços correspondentes.

Qual é a função de um Centro Acadêmico?

O papel exato de cada Centro Acadêmico ou Diretório Acadêmico deve ser consultado em seu estatuto e nas normas da própria instituição.

Na prática, essas entidades podem atuar em atividades como:

  • representar as demandas das(os) estudantes do curso;

  • estabelecer diálogo com coordenações, departamentos e direção;

  • acompanhar assuntos acadêmicos que afetem o corpo discente;

  • participar de espaços institucionais de representação estudantil, quando previsto;

  • organizar assembleias;

  • promover debates e atividades acadêmicas;

  • organizar eventos culturais, científicos e sociais;

  • divulgar informações de interesse das(os) estudantes;

  • encaminhar reivindicações coletivas;

  • ajudar as(os) estudantes a compreender direitos e procedimentos acadêmicos;

  • dialogar com outras entidades de representação estudantil.

Isso não significa que o CA substitua os setores administrativos da universidade. Matrícula, emissão de documentos, aproveitamento de disciplinas e outros procedimentos continuam sendo responsabilidade dos órgãos competentes da instituição.

A entidade estudantil atua principalmente como espaço de representação, organização, participação e diálogo.

Participação estudantil nas decisões da universidade

A representação estudantil também pode ocorrer nos órgãos colegiados das instituições.

No caso das instituições públicas de educação superior, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional — Lei nº 9.394/1996 — estabelece o princípio da gestão transparente e democrática e assegura a existência de órgãos colegiados deliberativos com participação dos diferentes segmentos da comunidade institucional, local e regional.

A maneira como essa participação ocorre deve ser verificada no estatuto, no regimento e nas demais normas de cada instituição.

Por isso, quem deseja acompanhar mais de perto as decisões relacionadas ao seu curso deve procurar saber:

  • quais são os conselhos e colegiados existentes;

  • se há representação discente;

  • como essas(es) representantes são escolhidas(os);

  • qual é a duração do mandato;

  • onde são publicadas as pautas e decisões desses órgãos.

Participar desses espaços é uma das maneiras pelas quais as(os) estudantes podem acompanhar decisões que afetam diretamente sua formação acadêmica.

Um Centro Acadêmico pode defender judicialmente as(os) estudantes?

Em determinadas situações, sim.

Um caso importante foi analisado pela Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial nº 1.189.273/SC.

O processo envolvia um Centro Acadêmico de Direito e uma instituição privada de ensino superior. Entre as questões discutidas estavam reajustes de anuidades e outras condições relacionadas às cobranças realizadas pela instituição.

Em decisão de 1º de março de 2011, o STJ reconheceu que Centros Acadêmicos regularmente constituídos como associações civis e que preencham os requisitos legais podem possuir legitimidade para ajuizar ação civil pública em defesa de direitos individuais homogêneos de natureza consumerista das(os) estudantes do curso que representam, diante de instituição privada de ensino.

Isso demonstra que a representação estudantil pode, em determinadas circunstâncias e observadas as exigências legais, ultrapassar o diálogo administrativo e alcançar também mecanismos coletivos de defesa de direitos.

Atenção às leis antigas

Quem pesquisa sobre representação estudantil na internet pode encontrar referências à Lei nº 4.464/1964.

É importante ter cuidado com essas informações.

Essa legislação não está mais vigente e não deve ser utilizada como referência atual para definir o funcionamento das entidades estudantis. A própria legislação posterior registra sua revogação.

Por isso, regras previstas naquela legislação — inclusive antigas limitações impostas às manifestações das entidades estudantis — não devem ser apresentadas como obrigações atualmente vigentes.

Sempre verifique se a legislação consultada continua válida.

Conheça a entidade que representa seu curso

Se você está entrando na faculdade, procure descobrir se o seu curso possui um Centro Acadêmico ou Diretório Acadêmico.

Veja se a entidade possui:

  • site ou redes sociais;

  • estatuto disponível;

  • calendário de reuniões;

  • assembleias abertas;

  • canais de contato;

  • representantes nos colegiados;

  • processo eleitoral periódico.

Também vale conhecer o DCE de sua instituição e entender quais espaços de participação estudantil existem na universidade.

A representação estudantil não deve aparecer apenas quando surge um problema.

Ela pode ser um espaço permanente de participação, diálogo, organização coletiva e construção da vida universitária.

Conhecer essas entidades é, portanto, mais uma maneira de compreender como funciona a instituição de ensino superior da qual você faz parte.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Começou a faculdade? Conheça as regras da sua instituição

Começou a faculdade? Conheça as regras da sua instituição



Entrar na faculdade significa lidar com muitas novidades ao mesmo tempo: disciplinas, avaliações, prazos, matrícula, estágio, atividades acadêmicas e diferentes setores da instituição.

Por isso, uma das primeiras coisas que toda(o) estudante deveria fazer ao iniciar a graduação é conhecer as regras acadêmicas da instituição de ensino.

Pode parecer um conselho simples, mas essa leitura pode evitar muitos problemas ao longo do curso.

Comece pelo Manual do Aluno

Muitas universidades e faculdades disponibilizam um Manual do Aluno, regulamento acadêmico, guia da graduação ou documento semelhante.

Nele costumam estar reunidas informações sobre os principais procedimentos acadêmicos e administrativos que fazem parte da vida universitária.

Antes de procurar respostas em grupos de mensagens, redes sociais ou perguntar a outras(os) estudantes, vale conferir se a informação não está disponível nesses documentos oficiais.

Entre os assuntos que você pode encontrar estão:

  • funcionamento dos diferentes setores da instituição;

  • matrícula e inscrição em disciplinas;

  • inclusão, exclusão ou alteração de disciplinas;

  • trancamento de matrícula;

  • cancelamento de matrícula;

  • possibilidade de rematrícula;

  • prazos para conclusão do curso;

  • aproveitamento ou equivalência de disciplinas;

  • transferência interna e externa;

  • formas de ingresso na universidade;

  • critérios de avaliação;

  • revisão de provas e trabalhos;

  • cálculo do Coeficiente de Rendimento (CR);

  • estágio obrigatório e não obrigatório;

  • monitoria;

  • iniciação científica;

  • iniciação à docência;

  • projetos de extensão;

  • programas de intercâmbio;

  • bolsas e auxílios estudantis;

  • funcionamento da biblioteca;

  • normas para trabalhos acadêmicos.

Nem todas as instituições utilizam os mesmos nomes ou possuem exatamente os mesmos procedimentos. Por isso, conhecer as normas da sua universidade ou faculdade faz diferença.

Explore também o site e o sistema acadêmico

O Manual do Aluno não deve ser sua única fonte de consulta.

Reserve algum tempo para navegar pelo site oficial da instituição. Procure páginas como:

  • graduação;

  • secretaria acadêmica;

  • pró-reitoria de graduação;

  • assistência estudantil;

  • biblioteca;

  • estágio;

  • extensão;

  • pesquisa;

  • intercâmbio;

  • calendário acadêmico;

  • regulamentos e normas.

Se a instituição possuir um portal ou sistema acadêmico para estudantes, explore também as ferramentas disponíveis.

É comum encontrar nesses ambientes informações sobre disciplinas cursadas, notas, frequência, histórico escolar, emissão de documentos, inscrição em matérias, requerimentos e outros serviços.

Conhecer essas ferramentas desde o início facilita bastante a organização da vida acadêmica.

Consulte sempre o calendário acadêmico

Outro documento que merece atenção é o calendário acadêmico.

Ele reúne algumas das datas que você precisará acompanhar durante o semestre, como períodos de:

  • matrícula;

  • inscrição em disciplinas;

  • alteração de inscrição;

  • trancamento;

  • avaliações;

  • férias;

  • início e encerramento das aulas;

  • solicitações acadêmicas.

Perder um prazo pode transformar uma situação simples em um problema difícil de resolver.

Uma boa prática é colocar as datas mais importantes na sua agenda assim que o calendário do semestre for divulgado.

Conhecer as regras ajuda a defender seus direitos

Entender as normas acadêmicas não serve apenas para cumprir obrigações.

Também ajuda a estudante ou o estudante a identificar seus direitos dentro da instituição.

Imagine, por exemplo, que você queira solicitar a revisão da correção de uma prova.

Há uma grande diferença entre simplesmente dizer:

“Professor, gostaria que minha prova fosse revisada.”

e apresentar uma solicitação informando que o regulamento acadêmico estabelece determinado procedimento ou prazo para a revisão das avaliações.

Quando você conhece a norma aplicável, pode formular seu pedido de maneira mais clara e fundamentada.

Também consegue identificar quando determinado procedimento não está sendo realizado conforme as regras estabelecidas pela própria instituição.

Procure sempre a norma oficial

É comum receber informações de colegas como:

“Sempre fizeram assim.”

ou:

“Disseram que não pode.”

Essas informações podem até estar corretas, mas não deveriam ser sua única referência.

Quando a questão envolver matrícula, avaliação, estágio, transferência, aproveitamento de disciplinas ou qualquer decisão que possa interferir na sua trajetória acadêmica, procure confirmar a informação em uma fonte institucional oficial.

Regulamentos, resoluções, manuais, calendários acadêmicos e páginas oficiais costumam ser referências mais seguras.

E lembre-se: as regras podem mudar. Um procedimento utilizado alguns anos atrás pode não ser o mesmo adotado atualmente.

Crie sua própria pasta acadêmica

Outra dica é manter uma pasta, física ou digital, com os documentos importantes da graduação.

Você pode guardar nela:

  • regulamento acadêmico;

  • calendário do semestre;

  • matriz curricular;

  • ementas das disciplinas;

  • comprovantes de matrícula;

  • requerimentos realizados;

  • respostas recebidas da instituição;

  • certificados de atividades complementares;

  • documentos de estágio;

  • histórico escolar.

Essa organização pode ser muito útil durante toda a graduação, principalmente quando você precisar comprovar alguma atividade ou recuperar uma informação antiga.

Conhecimento também faz parte da vida universitária

Conhecer as regras da instituição pode não parecer a atividade mais interessante para quem acabou de entrar na faculdade.

Mesmo assim, dedicar algum tempo a isso pode evitar dúvidas, perda de prazos e dificuldades futuras.

Mais do que saber quais disciplinas você precisa cursar, é importante entender como funciona a instituição da qual você faz parte.

Portanto, se você está começando a graduação, inclua esta tarefa entre as primeiras da sua lista:

leia o Manual do Aluno, conheça os regulamentos, consulte o calendário acadêmico e explore os canais oficiais da sua instituição.

Esse pequeno hábito pode facilitar bastante sua trajetória durante a faculdade.









quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Sobre o Admguia

Sobre o Admguia



O Admguia nasceu com um objetivo simples: ajudar estudantes de Administração a encontrar, compreender e revisar os principais conteúdos estudados ao longo da graduação.

Quem cursa Administração rapidamente percebe a quantidade e a diversidade de temas que fazem parte da formação: teorias administrativas, gestão de pessoas, marketing, finanças, contabilidade, economia, direito, estratégia, logística, gestão pública, empreendedorismo e muitas outras áreas. Embora exista muito material disponível, nem sempre essas informações estão organizadas de maneira clara, didática e fácil de consultar.

É justamente nesse espaço que o Admguia procura contribuir.

O portal reúne conteúdos organizados para acompanhar diferentes etapas da graduação, com explicações de conceitos, resumos, exemplos, ferramentas de gestão e materiais que podem ser utilizados tanto para aprender um assunto quanto para revisar aquilo que já foi estudado.

A proposta não é substituir livros, professoras(es), aulas ou materiais acadêmicos. O objetivo é funcionar como um guia complementar de estudos, oferecendo um ponto de partida para quem precisa entender determinado conteúdo, recordar um conceito ou aprofundar um tema relacionado à Administração.

Ao longo do tempo, o Admguia também passou a incorporar novos assuntos relacionados à formação e à atuação de administradoras(es), acompanhando mudanças na gestão, nas organizações, na tecnologia e na sociedade.

Assim, aquele projeto que começou com a intenção de organizar materiais de estudo continua crescendo com a mesma ideia que lhe deu origem: tornar o conhecimento em Administração mais organizado, acessível e fácil de compreender.

Seja para estudar para uma avaliação, revisar uma disciplina, conhecer uma ferramenta administrativa ou simplesmente aprender algo novo, esperamos que o Admguia possa ajudar em sua trajetória acadêmica e profissional.

Bem-vinda(o) ao Admguia. Seu guia de estudos em Administração.




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