quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Tecnologia na Administração: quais competências digitais uma(um) estudante precisa desenvolver?

Tecnologia na Administração: quais competências digitais uma(um) estudante precisa desenvolver?



Durante muito tempo, falar em informática na Administração significava basicamente saber utilizar um computador, criar documentos, trabalhar com planilhas e preparar apresentações.

Essas habilidades continuam sendo importantes, mas o cenário mudou bastante.

Hoje, administradoras(es) trabalham em ambientes marcados por sistemas integrados de gestão, bancos de dados, plataformas de colaboração, ferramentas de Business Intelligence (BI), automação de processos, computação em nuvem, inteligência artificial e diversas outras tecnologias.

Por isso, mais do que simplesmente “saber informática”, quem estuda Administração precisa desenvolver competências digitais aplicadas à gestão.

Tecnologia e Administração caminham juntas

A Administração envolve atividades como planejamento, organização, acompanhamento de processos, análise de resultados, tomada de decisão, gestão de pessoas, controle financeiro, comunicação e avaliação de desempenho.

Em praticamente todas essas atividades existe algum tipo de apoio tecnológico.

Uma planilha pode ajudar a organizar um orçamento.

Um dashboard pode facilitar o acompanhamento de indicadores.

Um sistema ERP pode integrar informações financeiras, logísticas, comerciais e administrativas.

Uma plataforma de gestão de projetos pode ajudar uma equipe a acompanhar atividades e prazos.

Uma ferramenta de inteligência artificial pode auxiliar na organização e análise inicial de informações.

A tecnologia, portanto, não substitui o conhecimento administrativo. Ela amplia as possibilidades de aplicação desse conhecimento.

Não é preciso ser programadora(or)

Um erro comum é imaginar que, para acompanhar as transformações tecnológicas, toda(o) estudante de Administração precisa aprender programação avançada ou se transformar em especialista em Tecnologia da Informação.

Não é isso.

Existem profissionais especializados em desenvolvimento de sistemas, infraestrutura, ciência de dados, segurança da informação e outras áreas técnicas.

A(o) administradora(or), entretanto, precisa compreender suficientemente as tecnologias utilizadas pelas organizações para conseguir:

  • identificar necessidades;

  • analisar informações;

  • conversar com equipes técnicas;

  • avaliar alternativas;

  • acompanhar projetos;

  • melhorar processos;

  • compreender riscos;

  • utilizar dados na tomada de decisão;

  • perceber oportunidades de automação;

  • avaliar resultados.

Em outras palavras: você não precisa saber construir todas as ferramentas, mas precisa entender como utilizá-las e como elas se relacionam com a gestão.

O mercado já exige essas competências

Essa relação entre Administração e tecnologia não é apenas uma tendência distante.

Uma pesquisa do Conselho Federal de Administração apontou que 71,2% das(os) profissionais de Administração consideram necessário atualizar-se sobre inovações tecnológicas para preservar a empregabilidade. O próprio CFA vem promovendo debates sobre inteligência artificial, transformação digital, automação e análise de dados na Administração.

O movimento não acontece apenas na Administração.

O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, identifica inteligência artificial e big data, redes e cibersegurança e letramento tecnológico entre as competências cuja importância mais deve crescer no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, habilidades humanas como pensamento analítico, criatividade, liderança e colaboração continuam ocupando papel relevante.

Isso ajuda a compreender um ponto importante:

o profissional do futuro não é apenas tecnológico nem apenas humano. Ele precisa saber combinar os dois mundos.

O que uma(um) estudante de Administração deveria aprender?

Não existe uma lista definitiva, pois as ferramentas mudam constantemente. Algumas competências, entretanto, oferecem uma boa base para começar.

1. Editores de texto

Pode parecer básico, mas produzir documentos profissionais continua fazendo parte da rotina de muitas organizações.

É importante saber trabalhar adequadamente com:

  • estilos e formatação;

  • cabeçalhos e rodapés;

  • tabelas;

  • sumários automáticos;

  • comentários e revisão;

  • modelos de documentos;

  • colaboração entre várias pessoas.

Isso será útil tanto na faculdade quanto na vida profissional.

2. Planilhas eletrônicas

Para quem estuda Administração, a planilha é uma das ferramentas mais úteis.

Procure avançar progressivamente em recursos como:

  • fórmulas;

  • funções;

  • filtros;

  • classificação de dados;

  • tabelas;

  • gráficos;

  • tabelas dinâmicas;

  • validação de dados;

  • formatação condicional;

  • funções de procura;

  • organização e tratamento de bases de dados.

Não basta decorar comandos.

O mais importante é saber qual problema administrativo você quer resolver utilizando a planilha.

3. Apresentações

Administradoras(es) frequentemente precisam apresentar propostas, projetos, resultados e análises.

Por isso, vale aprender a produzir apresentações com:

  • boa hierarquia das informações;

  • pouco texto por slide;

  • gráficos compreensíveis;

  • elementos visuais coerentes;

  • sequência lógica;

  • acessibilidade;

  • informações adequadas ao público.

Apresentar bem também é uma competência de gestão.

4. Análise e visualização de dados

As organizações produzem uma quantidade enorme de dados.

Vendas, custos, produtividade, atendimento, estoque, orçamento, pessoas, projetos e praticamente todas as áreas podem gerar indicadores.

Por isso, vale conhecer ferramentas de Business Intelligence e visualização de dados, como Power BI e soluções semelhantes.

Mais importante do que construir gráficos bonitos é aprender a perguntar:

O que esses dados estão mostrando?

Por que determinado indicador mudou?

Qual decisão pode ser tomada a partir dessa informação?

Essa capacidade aproxima a tecnologia do raciocínio administrativo.

5. Sistemas de gestão

Ao ingressar no mercado de trabalho, você provavelmente encontrará algum tipo de sistema corporativo.

Entre eles estão:

  • ERP — sistemas integrados de gestão;

  • CRM — gestão do relacionamento com clientes;

  • sistemas financeiros;

  • sistemas de recursos humanos;

  • sistemas de estoque;

  • sistemas de compras;

  • sistemas de processos administrativos;

  • plataformas de gestão de projetos.

Você não precisa conhecer todas as marcas disponíveis.

É mais interessante compreender para que cada categoria de sistema serve e como as informações circulam entre diferentes áreas da organização.

6. Ferramentas de colaboração e computação em nuvem

O trabalho não acontece mais necessariamente com todas as pessoas reunidas no mesmo espaço físico.

Documentos compartilhados, reuniões virtuais, calendários, armazenamento em nuvem, chats corporativos e plataformas de acompanhamento de tarefas passaram a fazer parte da rotina de muitas equipes.

Por isso, uma(um) estudante também deve aprender a trabalhar de forma colaborativa em ambientes digitais.

Isso envolve não apenas saber clicar nos botões, mas também desenvolver organização, comunicação e responsabilidade sobre informações compartilhadas.

7. Inteligência artificial

A inteligência artificial passou rapidamente a fazer parte do ambiente acadêmico e profissional.

Ferramentas de IA generativa podem ajudar em atividades como:

  • organizar ideias;

  • resumir informações;

  • criar estruturas iniciais de documentos;

  • comparar alternativas;

  • analisar textos;

  • auxiliar na exploração de dados;

  • gerar hipóteses;

  • automatizar tarefas repetitivas.

Mas utilizar inteligência artificial exige senso crítico.

Uma resposta produzida por IA pode apresentar erros, informações inventadas, interpretações inadequadas ou dados desatualizados.

Por isso, a competência mais importante não é apenas saber perguntar à inteligência artificial, mas saber avaliar a resposta recebida.

O CFA já vem tratando a IA como parte das transformações em curso na Administração e destacando a necessidade de combinar competências digitais, analíticas e socioemocionais.

8. Segurança da informação e proteção de dados

Toda(o) profissional que trabalha com informações precisa desenvolver cuidados básicos de segurança digital.

Isso inclui:

  • criar senhas adequadas;

  • utilizar autenticação em dois fatores;

  • reconhecer tentativas de phishing;

  • controlar o compartilhamento de arquivos;

  • proteger informações pessoais;

  • evitar instalação de programas desconhecidos;

  • compreender níveis de acesso;

  • realizar cópias de segurança quando necessário.

Para administradoras(es), essa preocupação é ainda maior porque frequentemente lidam com informações financeiras, estratégicas, pessoais e institucionais.

Um pouco da história da computação

Entender como chegamos ao atual ambiente tecnológico também pode ser interessante.

A história da computação não começou com os computadores pessoais.

Durante séculos foram desenvolvidos instrumentos destinados a facilitar cálculos. No século XIX, Charles Babbage projetou suas Máquinas Diferenciais e posteriormente concebeu a Máquina Analítica, uma proposta de máquina programável de uso geral que antecipava vários princípios posteriormente encontrados nos computadores.

Ada Lovelace, ao estudar a Máquina Analítica de Babbage, publicou em 1843 notas que incluíam procedimentos que atualmente reconheceríamos como programas e percebeu que máquinas desse tipo poderiam manipular não apenas números, mas símbolos representando diferentes tipos de informação.

No final do século XIX, Herman Hollerith desenvolveu sistemas de cartões perfurados utilizados no processamento dos dados do censo dos Estados Unidos. Sua empresa posteriormente participou da fusão que criou, em 1911, a Computing-Tabulating-Recording Company (CTR), que passou a se chamar International Business Machines — IBM — em 1924.

A Segunda Guerra Mundial acelerou o desenvolvimento da computação eletrônica. Em 1944, o Colossus já era utilizado na Grã-Bretanha para auxiliar na quebra de códigos alemães. Pouco depois, o ENIAC, desenvolvido nos Estados Unidos, tornou-se um dos marcos da computação eletrônica e foi apresentado publicamente em 1946.

Nas décadas seguintes vieram os computadores comerciais, os mainframes, os computadores pessoais, a internet, os dispositivos móveis, a computação em nuvem e, mais recentemente, a expansão da inteligência artificial.

Em cada etapa, a relação das organizações com informação e tomada de decisão também mudou.

A tecnologia continuará mudando

Talvez esta seja a aprendizagem mais importante.

Não existe um conjunto de programas que você possa aprender na faculdade e utilizar sem mudanças durante toda a carreira.

As ferramentas de hoje serão atualizadas, substituídas ou incorporadas a outras soluções.

Por isso, a competência digital mais duradoura é aprender continuamente.

Se você compreende os conceitos, consegue aprender uma nova ferramenta com muito mais facilidade.

Em vez de pensar:

“Preciso aprender este programa.”

procure pensar:

“Preciso aprender a resolver este tipo de problema.”

O programa é apenas uma das ferramentas disponíveis.

Tecnologia é meio, não fim

Uma boa(um) administradora(or) não é necessariamente a pessoa que conhece o maior número de programas.

É aquela(e) que consegue selecionar e utilizar ferramentas adequadas para:

  • organizar melhor o trabalho;

  • compreender informações;

  • melhorar processos;

  • acompanhar resultados;

  • comunicar decisões;

  • apoiar pessoas;

  • resolver problemas;

  • tomar decisões mais bem informadas.

A tecnologia deve estar a serviço desses objetivos.

Portanto, se você está cursando Administração, não deixe o desenvolvimento das suas competências digitais para depois.

Comece pelas ferramentas básicas, avance para dados e sistemas de gestão, experimente novas tecnologias e procure compreender como cada recurso pode ser aplicado aos problemas reais das organizações.

Aprender Administração hoje também significa aprender a administrar em um mundo cada vez mais digital.



segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Símbolos e tradições da Administração: conheça a história da profissão

Símbolos e tradições da Administração: conheça a história da profissão



A Administração possui símbolos, datas e tradições que ajudam a contar a história da profissão no Brasil.

O símbolo, a safira azul, o anel, a bandeira, o juramento, a oração, o Dia do Administrador e a trajetória de Belmiro Siqueira fazem parte desse conjunto de referências construído ao longo do desenvolvimento e da regulamentação profissional.

Conhecer essa história é também uma maneira de compreender como a Administração consolidou sua identidade profissional no país.

O Símbolo da Administração

O conhecido símbolo formado por figuras geométricas é o Símbolo da Profissão de Administrador.

Sua origem remonta a um concurso nacional promovido pelo Conselho Federal de Administração (CFA) em 1979, com o objetivo de escolher uma representação gráfica para a profissão.

A construção parte de um quadrado inscrito em outro quadrado. Sua composição geométrica procura representar características relacionadas ao exercício da Administração.

Na interpretação apresentada pelo Sistema CFA/CRAs:

  • as setas laterais voltadas para fora representam metas e objetivos a serem alcançados;

  • os elementos voltados para o centro representam planejamento, organização, coordenação e concentração em objetivos comuns;

  • o quadrado representa o equilíbrio necessário ao exercício da Administração.

O CFA também relaciona o azul-safira à identidade histórica da profissão. Depois de alterações realizadas ao longo dos anos, a cor azul-safira voltou a integrar oficialmente a identidade visual do símbolo.

Em 2020, a Resolução Normativa CFA nº 594 aprovou o Manual de Identidade Visual da Profissão de Administrador e disciplinou a utilização do símbolo.

Uma maneira simples de entender sua construção

Imagine um quadrado girado em 45 graus.

Ao direcionar os vértices superior e inferior para o centro, surgem as formas geométricas que caracterizam o símbolo.

Por isso, algumas representações didáticas utilizam uma espécie de dobradura ou origami do símbolo da Administração para ajudar estudantes a compreender sua estrutura.

Mais do que decorar o desenho, é interessante perceber a ideia representada: direcionar esforços, organizar recursos e buscar equilíbrio para alcançar objetivos.

A pedra da Administração

A pedra tradicionalmente associada à Administração é a safira azul-escura, também chamada de safira oriental.

Segundo o CFA, sua cor está relacionada às atividades criadoras e à capacidade humana de construir e desenvolver riquezas.

A escolha também estabelece uma relação visual direta com a cor historicamente utilizada no símbolo da profissão.

O anel de Administração

O tradicional anel de formatura de Administração utiliza a safira azul-escura como pedra.

O CFA também estabelece a presença do símbolo da profissão associado ao anel.

Embora o uso do anel de formatura seja uma tradição e não uma obrigação para o exercício profissional, ele continua sendo um dos elementos mais conhecidos de identificação simbólica dos cursos de Administração.

A Bandeira da Administração

A Administração também possui uma bandeira associada à profissão.

Segundo as orientações divulgadas pelo CFA, sua construção é inspirada na malha modular utilizada na Bandeira do Brasil.

As dimensões de referência são:

  • 2 metros de largura;

  • 1,4 metro de altura.

O símbolo deve aparecer centralizado e ocupar uma área de aproximadamente 1,6 metro por 0,8 metro.

A recomendação é que a cor utilizada no tecido proporcione contraste adequado com o azul do símbolo.

O Juramento do Administrador

O juramento representa o compromisso assumido pela(o) profissional com as responsabilidades legais, éticas e sociais relacionadas ao exercício da Administração.

A Assembleia de Presidentes dos Conselhos Federal e Regionais de Administração aprovou o juramento em 8 de maio de 1978, a partir de proposta apresentada pelo Conselho Regional de Administração de São Paulo.

O texto oficial é:

“Prometo DIGNIFICAR minha profissão, consciente de minhas responsabilidades legais, observar o código de ética, objetivando o aperfeiçoamento da ciência da administração, o desenvolvimento das instituições e a grandeza do homem e da pátria.”

A redação deve ser preservada quando utilizada como juramento oficial, mesmo apresentando construções linguísticas características do período em que foi criada.

O juramento procura lembrar que exercer Administração envolve não apenas conhecimento técnico, mas também responsabilidades profissionais e éticas.

A Oração do Administrador

Outra tradição relacionada à profissão é a Oração do Administrador, de autoria do administrador Rui Ribeiro de Araújo.

O texto é divulgado pelo próprio CFA como parte das referências históricas da Administração.

“Senhor, diante das organizações devo ter CONSCIÊNCIA de minhas responsabilidades como ADMINISTRADOR. Reconheço minhas limitações, mas, humildemente, junto com meus companheiros de trabalho busco o consenso para alcançar a SOLUÇÃO e tornar o trabalho menos penoso e mais produtivo; Senhor, despido do egoísmo, quero crescer, fazendo crescer, também, os que me cercam e que são a razão de minha escolha profissional; Senhor, ADMINISTRE o meu coração para que ele siga o caminho do bem, pois, a mim caberá realizar obras sadias para tornar as organizações cada vez melhores e mais humanas.”

Adm. Rui Ribeiro de Araújo

A oração apresenta uma visão da Administração voltada não apenas para resultados organizacionais, mas também para cooperação, responsabilidade e relações humanas.

Quem é o Patrono da Administração?

O Patrono dos Administradores do Brasil é Belmiro Siqueira.

Ele nasceu em 22 de outubro de 1921, em Ubá, Minas Gerais, e construiu grande parte de sua trajetória profissional no serviço público e no ensino da Administração.

Belmiro atuou no antigo Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), onde ocupou diferentes funções e chegou ao cargo de diretor-geral nos anos de 1967 e 1968.

Também trabalhou como assessor e consultor de governos, dirigiu a Escola de Serviço Público do antigo Estado da Guanabara, escreveu sobre Administração e atuou como professor.

No CFA, foi eleito conselheiro federal em 1977 e posteriormente assumiu a vice-presidência.

Belmiro Siqueira faleceu em 28 de novembro de 1986, em Porto Velho, Rondônia, enquanto se encontrava no exercício da presidência do Conselho Federal de Administração.

Quando Belmiro Siqueira se tornou patrono?

Aqui existe uma curiosidade histórica que merece atenção.

Alguns textos antigos indicam 1988 como o ano em que Belmiro Siqueira teria sido escolhido patrono. Entretanto, a história publicada pelo próprio CFA registra que o título foi oficialmente concedido pelo plenário do Conselho em 11 de maio de 1990.

A confusão provavelmente ocorre porque 1988 está relacionado à criação do prêmio que recebeu seu nome.

Prêmio CFA Belmiro Siqueira de Administração

O CFA também mantém o Prêmio CFA Belmiro Siqueira de Administração, criado para estimular a produção científica e técnica relacionada à Administração.

O prêmio foi instituído em 1988 e passou por diferentes formatos ao longo de sua história.

A edição de 2026, por exemplo, tem como tema:

“Administração Contemporânea: Inovações e Práticas Emergentes”.

Nesta edição foram previstas duas modalidades:

  • Artigo Acadêmico;

  • Artigo Profissional.

A categoria acadêmica contempla estudantes de cursos de Administração e de formações relacionadas, enquanto a categoria profissional é destinada aos públicos definidos pelo edital de cada edição.

Como regras, modalidades e prazos podem mudar, estudantes interessadas(os) devem sempre consultar o edital mais recente divulgado pelo CFA.

9 de setembro: Dia do Administrador

O Dia do Administrador é celebrado em 9 de setembro.

A escolha está relacionada à Lei nº 4.769, de 9 de setembro de 1965, marco da regulamentação da profissão de Administrador no Brasil.

A comemoração da data foi instituída pelo CFA por meio da Resolução nº 65/1968, de 9 de dezembro de 1968.

Por isso, todos os anos, o Sistema CFA/CRAs, instituições de ensino e entidades ligadas à Administração realizam atividades relacionadas à profissão durante o mês de setembro.

Símbolos ajudam a contar a história de uma profissão

Símbolos profissionais não são apenas elementos decorativos.

Eles carregam parte da história de construção e reconhecimento de uma área profissional.

No caso da Administração, podemos reunir como principais referências:

  • Símbolo: composição geométrica característica da profissão;

  • Cor: azul-safira;

  • Pedra: safira azul-escura;

  • Anel: safira associada ao símbolo da Administração;

  • Bandeira: símbolo centralizado sobre fundo contrastante;

  • Juramento: compromisso ético e profissional;

  • Oração: texto de Rui Ribeiro de Araújo;

  • Patrono: Belmiro Siqueira;

  • Data comemorativa: 9 de setembro;

  • Prêmio: Prêmio CFA Belmiro Siqueira de Administração.

Para estudantes, conhecer essas referências é uma oportunidade de perceber que a graduação não começa apenas com teorias, ferramentas e disciplinas.

Existe também uma história da profissão de Administração no Brasil, construída por pessoas, instituições, regulamentações e símbolos que chegaram até os dias atuais.

Para saber mais

O Conselho Federal de Administração mantém informações sobre a história, os símbolos e as tradições da profissão em seu portal institucional. Conheça a página do CFA sobre a Administração

Também é possível acompanhar informações atuais sobre o Prêmio CFA Belmiro Siqueira de Administração no portal do Conselho. Conheça o Prêmio CFA Belmiro Siqueira







quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Representação estudantil na faculdade: entenda o papel do CA, DA, DCE, UEE e UNE

Representação estudantil na faculdade: entenda o papel do CA, DA, DCE, UEE e UNE



Entrar em uma faculdade ou universidade também significa passar a fazer parte de uma comunidade acadêmica. E, dentro dessa comunidade, as(os) estudantes possuem formas próprias de organização e representação.

É aí que entram os Centros Acadêmicos (CAs), Diretórios Acadêmicos (DAs), Diretórios Centrais dos Estudantes (DCEs), Uniões Estaduais dos Estudantes (UEEs) e a União Nacional dos Estudantes (UNE).

Conhecer essas entidades ajuda a entender como as demandas estudantis podem ser organizadas, discutidas e encaminhadas dentro e fora das instituições de ensino superior.

O que diz a legislação sobre a representação estudantil?

A principal referência legal sobre a organização das(os) estudantes de nível superior é a Lei nº 7.395, de 31 de outubro de 1985.

Ela reconhece:

  • a União Nacional dos Estudantes (UNE) como entidade representativa do conjunto das(os) estudantes das instituições de ensino superior do país;

  • as Uniões Estaduais dos Estudantes (UEEs) como representantes das(os) estudantes de cada estado, Distrito Federal ou território onde exista mais de uma instituição de ensino superior;

  • os Diretórios Centrais dos Estudantes (DCEs) como representantes do conjunto das(os) estudantes de cada instituição de ensino superior;

  • o direito das(os) estudantes de cada curso superior de organizar Centros Acadêmicos (CAs) ou Diretórios Acadêmicos (DAs) como suas entidades representativas.

A própria lei determina que a organização, o funcionamento e as atividades dessas entidades sejam definidos em seus respectivos estatutos.

Isso significa que, embora exista uma estrutura geral de representação, cada entidade possui regras próprias sobre eleições, assembleias, composição da diretoria, mandatos, atribuições e formas de participação.

Centro Acadêmico e Diretório Acadêmico: qual é a diferença?

Uma dúvida comum é imaginar que Centro Acadêmico e Diretório Acadêmico necessariamente representam níveis diferentes da organização estudantil.

Pela legislação atual, CA e DA são formas de organização das(os) estudantes de um determinado curso de nível superior.

Assim, uma faculdade pode ter, por exemplo:

  • Centro Acadêmico de Administração;

  • Diretório Acadêmico de Direito;

  • Centro Acadêmico de Engenharia;

  • Diretório Acadêmico de História.

A denominação utilizada dependerá da organização estudantil e de seu estatuto.

Portanto, não existe uma regra nacional determinando que todo Centro Acadêmico esteja subordinado a um Diretório Acadêmico.

E o que é o DCE?

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) possui uma abrangência maior.

Enquanto um CA ou DA representa as(os) estudantes de determinado curso, o DCE representa o conjunto das(os) estudantes de uma instituição de ensino superior.

Imagine uma universidade que tenha cursos de Administração, Direito, História, Engenharia, Medicina, Comunicação e diversas outras áreas.

Cada curso pode possuir sua própria entidade representativa, enquanto o DCE trata de questões que envolvem o conjunto da comunidade estudantil daquela instituição.

UEE e UNE

A representação também pode ultrapassar os limites de uma universidade.

As Uniões Estaduais dos Estudantes (UEEs) atuam no âmbito dos estados, enquanto a União Nacional dos Estudantes (UNE) possui abrangência nacional.

De forma simplificada, podemos visualizar assim:

Curso → CA ou DA

Instituição de ensino superior → DCE

Estado → UEE

Brasil → UNE

Essa representação em diferentes níveis permite que questões locais, institucionais, estaduais ou nacionais sejam discutidas nos espaços correspondentes.

Qual é a função de um Centro Acadêmico?

O papel exato de cada Centro Acadêmico ou Diretório Acadêmico deve ser consultado em seu estatuto e nas normas da própria instituição.

Na prática, essas entidades podem atuar em atividades como:

  • representar as demandas das(os) estudantes do curso;

  • estabelecer diálogo com coordenações, departamentos e direção;

  • acompanhar assuntos acadêmicos que afetem o corpo discente;

  • participar de espaços institucionais de representação estudantil, quando previsto;

  • organizar assembleias;

  • promover debates e atividades acadêmicas;

  • organizar eventos culturais, científicos e sociais;

  • divulgar informações de interesse das(os) estudantes;

  • encaminhar reivindicações coletivas;

  • ajudar as(os) estudantes a compreender direitos e procedimentos acadêmicos;

  • dialogar com outras entidades de representação estudantil.

Isso não significa que o CA substitua os setores administrativos da universidade. Matrícula, emissão de documentos, aproveitamento de disciplinas e outros procedimentos continuam sendo responsabilidade dos órgãos competentes da instituição.

A entidade estudantil atua principalmente como espaço de representação, organização, participação e diálogo.

Participação estudantil nas decisões da universidade

A representação estudantil também pode ocorrer nos órgãos colegiados das instituições.

No caso das instituições públicas de educação superior, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional — Lei nº 9.394/1996 — estabelece o princípio da gestão transparente e democrática e assegura a existência de órgãos colegiados deliberativos com participação dos diferentes segmentos da comunidade institucional, local e regional.

A maneira como essa participação ocorre deve ser verificada no estatuto, no regimento e nas demais normas de cada instituição.

Por isso, quem deseja acompanhar mais de perto as decisões relacionadas ao seu curso deve procurar saber:

  • quais são os conselhos e colegiados existentes;

  • se há representação discente;

  • como essas(es) representantes são escolhidas(os);

  • qual é a duração do mandato;

  • onde são publicadas as pautas e decisões desses órgãos.

Participar desses espaços é uma das maneiras pelas quais as(os) estudantes podem acompanhar decisões que afetam diretamente sua formação acadêmica.

Um Centro Acadêmico pode defender judicialmente as(os) estudantes?

Em determinadas situações, sim.

Um caso importante foi analisado pela Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial nº 1.189.273/SC.

O processo envolvia um Centro Acadêmico de Direito e uma instituição privada de ensino superior. Entre as questões discutidas estavam reajustes de anuidades e outras condições relacionadas às cobranças realizadas pela instituição.

Em decisão de 1º de março de 2011, o STJ reconheceu que Centros Acadêmicos regularmente constituídos como associações civis e que preencham os requisitos legais podem possuir legitimidade para ajuizar ação civil pública em defesa de direitos individuais homogêneos de natureza consumerista das(os) estudantes do curso que representam, diante de instituição privada de ensino.

Isso demonstra que a representação estudantil pode, em determinadas circunstâncias e observadas as exigências legais, ultrapassar o diálogo administrativo e alcançar também mecanismos coletivos de defesa de direitos.

Atenção às leis antigas

Quem pesquisa sobre representação estudantil na internet pode encontrar referências à Lei nº 4.464/1964.

É importante ter cuidado com essas informações.

Essa legislação não está mais vigente e não deve ser utilizada como referência atual para definir o funcionamento das entidades estudantis. A própria legislação posterior registra sua revogação.

Por isso, regras previstas naquela legislação — inclusive antigas limitações impostas às manifestações das entidades estudantis — não devem ser apresentadas como obrigações atualmente vigentes.

Sempre verifique se a legislação consultada continua válida.

Conheça a entidade que representa seu curso

Se você está entrando na faculdade, procure descobrir se o seu curso possui um Centro Acadêmico ou Diretório Acadêmico.

Veja se a entidade possui:

  • site ou redes sociais;

  • estatuto disponível;

  • calendário de reuniões;

  • assembleias abertas;

  • canais de contato;

  • representantes nos colegiados;

  • processo eleitoral periódico.

Também vale conhecer o DCE de sua instituição e entender quais espaços de participação estudantil existem na universidade.

A representação estudantil não deve aparecer apenas quando surge um problema.

Ela pode ser um espaço permanente de participação, diálogo, organização coletiva e construção da vida universitária.

Conhecer essas entidades é, portanto, mais uma maneira de compreender como funciona a instituição de ensino superior da qual você faz parte.

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