Serviço contínuo terceirizado (ex.: limpeza,
vigilância, apoio administrativo, recepção, copeiragem, manutenção) tem bem
mais “camadas” do que compra de material, porque envolve mão de obra, fiscalização
mensal, gestão de riscos trabalhistas e (muitas vezes) repactuação.
Abaixo vai o mesmo formato do anterior: etapas +
termos + quem faz + documento no SEI + onde trava.
1) Termos e etapas do serviço contínuo terceirizado
A) Planejar e pedir (unidade solicitante)
Demanda / solicitação
- Pedido
formal do serviço (por que precisa, onde, horários, quantidade de postos,
nível de atendimento, etc.).
DOD (Documento de Formalização da Demanda)
- Abre
o processo e justifica:
- necessidade
contínua,
- impacto
da descontinuidade,
- local(is)
de execução,
- responsáveis
(gestora(or) e fiscais),
- prazo
desejado (data de início).
ETP (Estudo Técnico Preliminar)
- Mostra
a solução escolhida e por quê:
- terceirizar
x executar internamente x readequar força de trabalho,
- dimensionamento
(quantos postos, quais perfis),
- turnos/escala,
cobertura, substituições,
- requisitos
(uniforme, EPI, supervisão, treinamento),
- riscos
(principalmente trabalhistas e de continuidade).
TR (Termo de Referência) / Projeto Básico
É o “contrato em forma técnica”. Para terceirização contínua, precisa detalhar:
- Descrição
do serviço (escopo e limites: o que faz e o que não faz)
- Unidade
de medição (posto/mês, homem-hora, equipe/mês)
- Dimensionamento
(quantidade de postos, carga horária, escala, locais)
- Níveis
de serviço / indicadores (qualidade, prazo, frequência, cobertura)
- Materiais/EPI
(quem fornece o quê)
- Supervisão
(responsável da empresa, rotinas)
- Substituição
e cobertura (faltas, férias, afastamentos)
- Rotina
de fiscalização e medição mensal (como comprova execução)
- Sanções
e glosas (o que acontece se faltar posto, atrasar, não cumprir)
- Forma
de pagamento (normalmente mensal, após medição e atesto)
- Regras
trabalhistas/documentais (o que a empresa tem que apresentar
mensalmente)
Planilha de custos e formação de preços
- Para
serviços com dedicação de mão de obra, a planilha é fundamental:
- salários,
benefícios, encargos, insumos, administração, lucro, tributos.
- É a
base para análise de exequibilidade e para futuras repactuações.
Pesquisa de preços / estimativa
- Contratações
similares (outros órgãos/unidades), painéis, cotações, memória de cálculo
(com o dimensionamento).
Mapa de riscos
- Aqui
é “pesado”:
- inadimplência
trabalhista,
- atraso
de salários,
- alta
rotatividade,
- falta
de cobertura de postos,
- acidente
de trabalho / EPI,
- passivo
trabalhista e responsabilidade subsidiária,
- greve/paralisação,
- falhas
de supervisão.
Saída dessa fase: kit técnico (TR + planilha +
indicadores + rotina de fiscalização).
B) Licitar e contratar (área de licitações/DAF)
Edital
- Regras
do certame + anexos (TR, planilhas, modelos de proposta, declarações).
Propostas e lances
- Empresas
disputam. Em terceirização, olhar exequibilidade é vital.
Exequibilidade (proposta inexequível)
- Avaliação
se o preço “fecha a conta” com salários/encargos/benefícios obrigatórios.
- Preço
muito baixo costuma ser sinal de risco de atraso salarial.
Habilitação
- Além
de certidões, pode exigir atestados de capacidade técnica e comprovações.
Adjudicação e homologação
- Define
e confirma vencedora.
Assinatura do contrato
- Em
terceirização contínua quase sempre há contrato formal, com:
- vigência
(geralmente 12 meses),
- possibilidade
de prorrogações,
- regras
de reajuste/repactuação,
- obrigações
mensais de comprovação.
Saída desta fase: contrato assinado e pronto para
iniciar.
C) Iniciar, fiscalizar mensalmente, pagar
Ordem de serviço / ordem de início
- Autoriza
começar e define a data de início.
Empenho (normalmente global ou estimativo)
- Reserva
orçamento para cobrir parcelas mensais do contrato.
Gestão do contrato
- Controle
de vigência, prazos, aditivos, repactuações, notificações formais.
Fiscalização do contrato
- Acompanha
execução no dia a dia e registra:
- presença
de postos,
- qualidade
do serviço,
- ocorrências,
- substituições
e coberturas,
- relatórios
periódicos.
Medição mensal
- “Quanto
foi executado” no mês:
- postos
cumpridos x faltas,
- indicadores
atingidos,
- serviços
realizados conforme periodicidade.
Glosa
- Desconto
no pagamento se faltar posto, se não cumprir indicador, se houver
irregularidade comprovada.
Atesto (ateste)
- Confirma
que a execução do mês está ok (ou parcialmente ok, com glosa).
Faturamento / Nota fiscal
- Empresa
emite NF do mês após a medição (conforme contrato).
Liquidação
- Administração
formaliza o pagamento devido com base em:
- medição
+ atesto + NF + conferências.
Pagamento
- Pago
mensalmente após liquidação.
Saída final: serviço executado mês a mês, com
registros e pagamentos controlados.
2) Quem faz o quê (bem direto)
- Unidade
solicitante: DOD, ETP, TR, dimensionamento; indica
fiscais/gestora(or); fiscaliza; mede; atesta; registra ocorrências.
- Licitações/DAF:
conduz o certame; valida minutas; publica; julga; habilita; formaliza
contrato.
- Financeiro/contabilidade/orçamento:
empenho, liquidação, pagamento.
- Empresa
contratada: executa; supervisiona; substitui; apresenta documentação
mensal; fatura.
3) Termos “chave” que aparecem só (ou muito) em
terceirização contínua
Posto de trabalho
- Unidade
típica do contrato: 1 pessoa alocada com jornada/escala definida.
Cobertura/Substituição
- Regra
para faltas, férias, licenças: se não cobrir, gera glosa/sanção.
Indicadores/Nível de serviço (SLA)
- Metas
de qualidade e frequência. Ex.: limpeza 3x/dia, recepção com tempo de
espera máximo, etc.
Repactuação
- Reajuste
por variação efetiva de custos (principalmente por convenção coletiva) em
contratos de dedicação exclusiva de mão de obra.
Reajuste
- Correção
por índice (geralmente anual), quando aplicável conforme contrato.
Reequilíbrio econômico-financeiro
- Ajuste
excepcional por fato imprevisível/extraordinário que desequilibra o
contrato.
Responsabilidade subsidiária (risco)
- Risco
de o órgão ser responsabilizado em ações trabalhistas se falhar na
fiscalização/documentação — por isso a rotina mensal é tão importante.
4) Onde mais trava (e o que evitar)
- TR
sem dimensionamento claro (postos/escala/local/horários).
- Sem
indicadores e sem rotina de medição (não dá para glosar nem provar
execução).
- Planilha
de custos mal feita (abre brecha para proposta inexequível e problema
de salário).
- Falta
de regras de substituição/cobertura (vira “posto vazio” e confusão).
- Fiscalização
frágil (sem relatórios, sem checklists, sem comprovação mensal).
- Risco
trabalhista ignorado (principalmente se a empresa atrasar salário).
5) Modelo mental rápido (para memorizar)
Pedir e dimensionar (DOD/ETP/TR + planilha) → licitar →
contratar → iniciar → medir mensalmente → atestar → liquidar → pagar (com glosa
se necessário).
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